Diones dos Santos Almeida/WEG
Diones dos Santos Almeida/WEG

Weg avança em saneamento com novo marco e em projetos de dessalinização

Empresa vê potencial de crescimento diante de nova regulação do setor e estima que ficará com, pelo menos, 3% do investimento total de projetos novos e atualizações

Juliana Estigarríbia, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2021 | 17h34

A WEG está ampliando sua atuação em saneamento, especialmente após a aprovação do novo marco regulatório no País. A fabricante catarinense também tem elevado a participação em grandes projetos de dessalinização globalmente, o que deve contribuir para o crescimento da receita proveniente desse setor mesmo em um cenário macroeconômico desafiador.

Em saneamento, a companhia fornece basicamente motores para bombas, automação, transformadores e tintas, principalmente para tubulações. No Brasil, a WEG atende toda a cadeia de água e esgoto, incluindo a Sabesp e a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).

O diretor internacional da WEG, Elder Stringari, afirma que é difícil mensurar quanto da receita da companhia vem de saneamento, uma vez que existem negócios feitos por meio de parceiros. 

Ou seja, terceiros são contratados pela empresa para executar as obras — empresas de engenharia e construção “EPC” (Engineering, Procurement and Construction na sigla em inglês) — que compram produtos da WEG. A catarinense também atende agências e organizações municipais, que fazem pedidos menores, como por exemplo equipamentos de reposição.

Com o novo marco regulatório do setor, o executivo acredita que o potencial de crescimento para a companhia é enorme. Segundo ele, do investimento total de um projeto de saneamento, pelo menos 3% podem ficar com a WEG. “Se for uma planta construída do zero, o valor mínimo é de 3%. Se for só atualização do parque, esse porcentual é ainda maior.”

Não só projetos grandes vão estimular a cadeia de saneamento, mas também os milhares de menor porte, todos rumo à meta de universalização de serviços de água e esgoto até 2033. Os investimentos estimados para atingir essas metas no Brasil superam R$ 700 bilhões no período.

Internacionalização

No mercado internacional, a WEG se prepara para entregar os últimos motores para o projeto Sorek 2, uma das maiores plantas de dessalinização por osmose reversa do mundo, localizada em Israel. Além desses motores que serão instalados nas bombas de alta pressão, processo considerado um dos mais críticos da unidade, o contrato da WEG contempla outros 42 motores elétricos de baixa e média tensão.

Segundo Stringari, no exterior a WEG começou a prestar mais atenção em saneamento em meados de 2010. “Os países em desenvolvimento ainda estão trabalhando muito na questão da água e os desenvolvidos estão investindo para atender regulações mais exigentes em saneamento. Tivemos fornecimentos bem vultosos para os dois segmentos.”

Ele relata que, a partir de meados de 2016, a companhia formou um grupo global para o desenvolvimento de negócios em água baseado na Espanha, referência no assunto, principalmente em projetos de dessalinização. “Temos registrado um bom desempenho nessa área, com grandes projetos no Oriente Médio, mas também de água e esgoto na Europa e até nos Estados Unidos.”

Conforme o executivo, o reconhecimento da WEG na área de dessalinização levou a companhia a projetos no Chile e no Peru. Ele esclarece que, nesses países, a regulação do setor de mineração está restringindo o uso de água potável. 

Desafios

O diretor da WEG admite que a inflação e os juros altos são fatores que podem limitar o investimento por parte das companhias. “As empresas, não só de saneamento, captam dinheiro no mercado para investir e precisam de retorno. A tendência é que a velocidade de aplicação dos recursos seja menor em um cenário de juros e inflação em alta.”

Para o executivo, as eleições presidenciais de 2022 também podem contribuir para o adiamento dos investimentos. “Em ano eleitoral, privatizações podem ficar em segundo plano, mas devem voltar a partir de 2023. A maior incógnita é a velocidade dos investimentos”, diz Stringari.

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