Western Union elege Brasil como polo de investimento e traz sede para SP

No País, empresa americana pretende atingir a população que não tem acesso a bancos, ou que não consegue ter acesso a todos os serviços das instituições financeiras

Altamiro Silva Júnior, da Agência Estado,

10 de outubro de 2011 | 17h02

O Brasil foi escolhido pela empresa americana Western Union como um polo global de investimento da empresa, que opera em mais de 200 países. A sede regional para os negócios do grupo na América Latina e Caribe acaba de ser transferida de Miami para São Paulo. O foco no País é atingir população sem acesso a bancos ou que tem conta bancária mas que não conseguem ter acesso a todos os serviços, disse o vice-presidente sênior e diretor para a America Latina e Caribe da Western Union, Odilon Almeida. "As perspectivas de crescimento dos negócios no País são geométricas", disse ele.

O mercado brasileiro de remessa de valores, foco da Western Union, está crescendo a taxas de dois dígitos, especialmente o envio de recursos daqui para o exterior, conta o vice-presidente de Marketing e Vendas da Western Union no Brasil. Com o crescimento da economia, o País tem atraído muitos estrangeiros para residir aqui, incluindo asiáticos, europeus e em maior números, pessoas dos países vizinhos, como Bolívia e Paraguai.

As estimativas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) é que as transferências do Brasil para o exterior movimentem cerca de US$ 1,6 bilhão por ano. Já o inverso, ou seja, o envio de recursos do exterior para o Brasil, tem movimentado cerca de US$ 4 bilhões por ano. Nos dois casos, os números incluem só as chamadas microrremesas (operações de menor valor entre pessoas físicas).

"Há uma crise mundial e o Brasil não está no centro dela", disse Almeida, que participou na manhã desta segunda-feira de entrevista à imprensa para anunciar o início das operações do Banco Western Union do Brasil e da Western Union Corretora de Câmbio.

Em 2010, o grupo americano, um dos maiores do mundo em remessa de recursos, realizou 214 milhões de transações, que movimentaram US$ 76 bilhões. Além disso, fez 405 milhões de pagamentos comerciais. O grupo tem 470 mil pontos de atendimento. No Brasil, são 10 mil pontos, por meio de parcerias com bancos (como Bradesco e Banco do Brasil), redes de varejo (como Riachuelo, Magazine Luiza e Gazin) e corretoras de câmbio.

O grupo agora parte para a abertura de uma rede própria no País e quer chegar a 30 mil pontos. "Não é viável operar no Brasil com uma rede menor que isso", disse Almeida sem fixar uma data para atingir esse número. "Será em um período curto, em menos de cinco anos." Pela estratégia internacional da Western Union, a rede de agências será pequena, com pontos em locais chaves. A rede maior será por meio de correspondentes bancários.

Em outros países da América Latina, como Argentina, Chile, Panamá e Peru, a Western Union tem presença mais consolidada. "Nessas regiões, não é preciso de licença para operar, como ocorre no Brasil, onde precisamos abrir um banco comercial", disse Alessandro Silva, vice-presidente do Banco Western Union do Brasil, justificando a demora em entrar no mercado local. A instituição começa com 20 funcionários e planos de mais contratações.

Para transferência internacionais, a empresa cobra uma taxa em média de 5% do valor a ser transferido. Segundo Almeida, como os grandes bancos são focados em remessas de maior valor, cobram taxa muito maior, na casa dos US$ 50 por operação. Com isso, fica inviável fazer uma remessa de valor pequeno. É este filão que a Banco Western Union quer pegar. Em média, as remessas feitas pelo grupo estão na casa dos US$ 500. Para empresas, oscilam entre US$ 25 mil e US$ 50 mil.

Nas remessas internas, o banco trabalhará em um primeiro momento com valor máximo de R$ 1 mil, cobrando taxas que variam de R$ 4,90 (para remessas até R$ 100) a R$ 9,90 (por operação de R$ 500 a R$ 1 mil).

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