Celso Doni/Wine
Celso Doni/Wine

Wine se internacionaliza e abre clube de assinaturas de vinhos no México

Empresa brasileira, que se tornou o maior clube de vinhos do mundo, deve investir também em um e-commerce no país

Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2021 | 17h30

A brasileira Wine, o maior clube de vinhos do mundo, com 281 mil assinantes, está dando seu primeiro passo rumo à internacionalização: começou a atuar no México. O site www.wine.com.mx entrou no ar nesta terça-feira, 16, e oferece um plano de assinaturas por 299 pesos mexicanos (o equivalente a R$ 79) por mês, com direito a duas garrafas de vinho e uma revista. No começo do ano que vem, a empresa deve investir também em um e-commerce no país. 

“O México é um mercado muito parecido com o Brasil de cinco anos atrás”, diz Marcelo D’Arienzo, CEO da Wine. O país ainda tem baixo consumo per capita de vinhos - o consumo de vinhos importados é de 0,56 litro por habitante/ano, enquanto no Brasil esse volume é de 0,71 litro, segundo os dados da Wine.

Durante a pandemia, ao contrário do Brasil, a importação de vinhos no México apresentou uma pequena queda, passando de US$ 278 milhões em 2019, para US$ 228 milhões em 2020, pelos dados da Ideal Consulting. Mas, de janeiro a outubro deste ano, as importações já reagiram e registram crescimento de 20% em relação a igual período do ano passado.

Outra característica do mercado mexicano é que há poucos players digitais relevantes no segmento, com o predomínio de empresas físicas que abriram unidade online durante a pandemia. Nos dados da inglesa IWSR, apenas 19% dos consumidores de vinho no país compram garrafas em plataformas online. No Brasil, essa porcentagem é mais significativa e chega a 30%. No México, ainda, predomina o consumo mais tradicional sem a proposta de descomplicar a bebida. “São poucas as ofertas de garrafas de bom custo-benefício de maneira mais agressiva”, diz D’Arienzo.

Foram esses os fatores que chamaram a atenção da Wine quando, há um ano, a empresa intensificou seu plano de internacionalização e começou a prospectar países onde investir. Estudou mercados não produtores de vinho na América Latina e também países como Estados Unidos, Reino Unido e China. A operação no México se justifica pela política de compras globais da companhia. Os mesmos vinhos que são garimpados mundo afora para o mercado brasileiro serão enviados para o México, com ganhos de escala.

“Brasil e México são bem equivalentes como mercados emergentes de vinho na América Latina”, diz Rodrigo Lanari, representante no Brasil da inglesa Wine Intelligence. Mas ele pondera que, mesmo com semelhanças, há diferenças significativas de logística e a distância entre os dois países pode não trazer tantos ganhos assim. “O México, ainda, é muito influenciado pela vizinha Califórnia, o que não acontece no Brasil”, pondera.

O modelo da Wine no México não se resume ao clube de vinho. A operação com e-commerce, num primeiro momento, e também lojas próprias e vendas para hotéis e restaurantes, se houver mercado, deve começar a ser replicada no México a partir do ano que vem. É previsto um grande aporte de capital, cujo montante não é revelado.

Ao contrário do Brasil, onde a Wine começou em 2008 como um e-commerce e dois anos depois criou o seu clube de assinatura, os atuais acionistas optaram por começar com o clube para irem testando e conhecendo o mercado. Atualmente, a Wine pertence aos fundos Península e EB Capital, cada um com 41% do capital - os 18% restantes pertencem ao fundador Rogério Salume, a um investidor anjo e aos executivos da empresa. 

Receita maior

Os recursos para essa expansão internacional vêm da nova estrutura da empresa, agora uma companhia aberta, e de seus resultados financeiros. A receita líquida da Wine cresceu 68,8% no terceiro trimestre, chegando aos R$ 161 milhões. A geração de caixa (Ebitda ajustado) chegou a R$ 50,7 milhões, um aumento de 138,5% em relação a igual período do ano passado.

Destacam-se nesse aumento, as 75 mil novas assinaturas nos clubes de vinho da companhia nos últimos 12 meses e a inauguração das lojas físicas - já são 16 unidades, a mais recente inaugurada nesta semana dentro da nova megaloja das Casas Bahia, com a experiência de ser também um bar de vinhos. Soma-se a esses investimentos a importância do canal B2B, que ganhou força com a compra da importadora Cantu, no primeiro semestre. “Esta aquisição adicionou R$ 35,5 milhões à receita líquida do terceiro trimestre”, afirma D’Arienzo.

Com essa aquisição, a Wine também conquistou a liderança no ranking das importadoras brasileiras de vinho, tirando a liderança de décadas da VCT, o braço brasileiro da Concha Y Toro. E se torna pioneira na internacionalização no mundo do vinho. Até agora são poucas as empresas brasileiras do setor que atuam em outros países e, quando o fazem, pensam em atender o nosso mercado. Um exemplo é a gaúcha Vinícola Aurora, que desde 1997 tem uma vinícola no Uruguai, que fornece brancos e tintos para o Brasil.

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