Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

XP compra Modal e acirra disputa com bancos, em 2ª aquisição do ano

Operação foi costurada com ações da própria XP, que vai entregar 19,5 milhões de papéis aos sócios do Modal; banco foi avaliado em mais de R$ 3 bi na negociação

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2022 | 09h50

Em uma transação relâmpago, a gigante XP, de Guilherme Benchimol, acaba de anunciar a compra do banco Modal. A negociação que avaliou o banco em um pouco mais de R$ 3 bilhões – um prêmio de 50% ante o fechamento da ação da instituição financeira no pregão de quinta-feira, 6.  A operação será feita via troca de ações, ou seja, sem desembolso de caixa. Com a aprovação da compra, a XP ganha mais musculatura para aumentar seu fôlego para disputar mercado com os grandes bancos brasileiros, além de reforçar sua própria plataforma de investimento.

Trata-se da segunda aquisição da XP em menos de uma semana, que tinha acabado de anunciar a compra de uma fatia minoritária relevante da Suno, até então uma das poucas casas de análise de investimento ainda independentes do mercado.  Agora, com a compra do banco Modal, a XP ficará ainda com a  Eleven Financial, casa de análise comprada pelo Modal no início do ano passado. Também em 2021, o BTG Pactual, que também briga pelo mercado das plataformas de investimento, fez outra aquisição de porte: comprou uma das pioneiras desse mercado, a Empiricus.

A aquisição, contudo, é um passo fora do mundo dos investimentos dado pela XP. O foco da aquisição está em produtos bancários, onde o Modal possui mais experiência que a XP, nicho em que a instituição financeira tem trabalhado mais recentemente para crescer, inluindo com o lançamento recente de cartão de crédito aos clientes  “O Brasil tem um dos setores financeiros mais concentrados do mundo e, juntos, seremos ainda mais competitivos em relação aos bancos tradicionais. Nossa prioridade é melhorar constantemente a proposta de valor para o consumidor brasileiro”, disse o presidente da XP, Thiago Maffra, em nota.

Em teleconferência realizada nesta sexta-feira, 7, o CEO do Banco Modal, Cristiano Ayres, afirmou que o sistema financeiro do Brasil ainda é muito concentrado, e, portanto, há ainda enorme espaço para avançar. A previsão é de que o negócio seja concluído em um prazo de até 15 meses. Serão necessárias as aprovações do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O Citi, em relatório assinado pelos analistas Gabriel Gusan, Karina Martins, Roberta Versiani e Jörg Friedemann, afirma que a XP tem forte posição no mercado de investimento, mas essa não é a mesma realidada se tratando de um olhar sobre os serviços bancários. "Acreditamos que a XP esteja apenas arranhando a superfície do mercado de crédito, pagamentos, seguros e outros serviços bancário importantes", destaca o texto.

O diretor da Financial Data & Technology Association (FData) e sócio da Spiralem Innovation Consulting, Bruno Diniz, também lembra que a aquisição pela XP comprova o movimento de consolidação no setor de corretoras e que, na sua visão, há mais espaço para outros movimentos.  "O Nubank também vem reforçando seu setor de corretagem como um importante filão a ser explorado junto a seus clientes.", diz.

Mais clientes

Em comunicado ao mercado na manhã de hoje, a XP afirma que, junto com o Modal, terá um total de 3,8 milhões de clientes ativos e uma receita líquida combinada nos últimos 12 meses, até setembro de 2021, de R$ 11,8 bilhões. O documento aponta que, hoje, os cinco grandes bancos do País possuem 457 milhões de relacionamentos bancários no total e uma receita de R$ 427 bilhões. Com isso, a XP aponta, mais uma vez, os grandes bancos como os principais concorrentes.

A XP frisa que, pelo acordo, o banco Modal seguirá independente e com sua operação segregada da XP, apesar de passar de poder utilizar sua infraestrutura e tecnologia. Diz, ainda, que os atuais executivos “estarão alinhados aos nossos objetivos de longo prazo e continuarão a administrar o Banco Modal como um ecossistema financeiro aberto e independente, buscando oferecer a melhor experiência aos seus clientes”.

No fato relevante, a XP lembra que, se o banco Modal não conseguir o aval de todos os seus minoritários, serão incorporados 55,7% do capital social do Banco Modal – fatia pertencente ao seu acionista controlador. Aos demais acionistas será, então, oferecida a oportunidade de venda nas mesmas condições.

Aval de sócio

O Credit Suisse, dono de 16% do Modal, apoiou a transação. “Prevemos que essa combinação entre  as empresas nos proporcionará novas oportunidades para servirmos mais clientes com as ferramentas de que eles necessitam para atingir os seus objetivos financeiro”, afirmam os copresidentes do Credit Suisse, Ivan Monteiro e Marcello Chilov.

A possibilidade de a XP avançar na compra de corretoras foi aberta depois que o Itaú Unibanco se desfez de sua participação acionária na empresa, quando distribuiu suas ações aos seus acionistas (a Itaúsa, por exemplo, se tornou um importante acionista da XP). Isso ocorreu porque, na época em que o Banco Central deu sinal verde para o Itaú comprar uma fatia de 49% da XP, vetou novas compras pela plataforma até 2026. A restrição deixou de existir com a saída do Itaú.

 

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