Wilton Junior/Estadão - 14/03/2022
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Yduqs, dona da Estácio e do Ibmec, compensa queda no Fies com cursos a distância e de Medicina

Com polos mais enxutos, que são locais dotados de Wi-Fi e computadores onde os alunos podem assistir às aulas, a empresa traçou sua trajetória de interiorização, chegando até a pequenos municípios

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2022 | 05h00

As mudanças de regras do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), entre 2016 e 2017, obrigaram uma reinvenção do negócio para os grupos privados de ensino superior. Foi o caso da Yduqs, dona da Estácio e do Ibmec, que há cinco anos tinha receita de R$ 1,3 bilhão fruto do programa de financiamento subsidiado pelo governo. Essa linha caiu para cerca de R$ 300 milhões anuais, mas a empresa já fatura com o ensino a distância (EAD) o mesmo patamar do antigo Fies. E deve atingir esse faturamento também com seus cursos de Medicina. Ou seja, segundo o presidente da companhia, Eduardo Parente, essas linhas de negócio vão representar “dois Fies”. 

Parente diz, em entrevista ao Estadão, que o crescimento do EAD - modelo impulsionado durante a pandemia - ajudou na estratégia de levar polos de ensino para o interior do Brasil, uma vez que o modelo presencial estava mais voltado aos grandes centros. 

Com polos mais enxutos, que são locais dotados de Wi-Fi e computadores onde os alunos podem assistir às aulas, a empresa traçou sua trajetória de interiorização, chegando até a pequenos municípios. Para o presidente da Yduqs, ter esse tipo de estrutura é fundamental, uma vez que o foco da companhia está nas classes C e D.

Isso, porém, não significa que o ensino presencial tenha deixado de ser importante, afirma Parente. Segundo ele, após a fase mais crítica da pandemia, o número de alunos no ensino in loco cresceu, provando que os alunos cansaram das aulas pelas telas. A Yduqs tem 277 mil alunos no modelo presencial e 954 mil no EAD. O executivo diz que, nas regiões onde estão as estruturas do ensino presencial, o modelo a distância cresce mais rápido. 

Na época do Fies vigente, com juros baixos, carência e risco de inadimplência nas mãos do governo, trouxe um contingente de novos alunos ao ensino superior no Brasil, o que fez com que as instituições de ensino superior se voltassem a esse público. Com a mudança, anos depois, as intuições de ensino tiveram que dar um cavalo de pau e buscar alternativas para o negócio. No geral os caminhos passaram pela adoção do financiamento próprio, entrada no ensino médio e expansão das unidades, o que segundo Parente foram todas decisões equivocadas na época.  “Mas a empresa foi rápida na hora de mudar de direção”, diz o executivo.

A reviravolta do setor na época foi tão brusca que além das empresas buscarem novos negócios para compensar o vácuo na receita deixado pelo Fies, um movimento forte de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) se fez presente. Em 2016, momento em que as regras do Fies começaram a mudar, a própria Yduqs, na época se chamava Estácio, foi alvo de compra da Kroton, dona da Anhanguera, que foi Cogna, negócio barrado no ano seguinte pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).  Segundo Parente, a nova trajetória da Yduqs começou a partir daí.

Medicina 

Além do EAD, a segunda avenida de crescimento da companhia está nos cursos de Medicina. A empresa oferece hoje 2,5 mil vagas. Ainda não há formados em algumas unidades, o que significa que essa linha de receita ainda está em fase de maturação. No ano passado, esses cursos trouxeram receitas de R$ 700 milhões (junto com Ibmec), mas o faturamento de R$ 1,3 bilhão está próximo, aponta. 

Diferentemente dos demais cursos do grupo, os de Medicina são voltados ao topo da pirâmide social – as classes A e B. Isso porque a mensalidade está na casa de R$ 9 mil. Hoje são 6,7 mil alunos de Medicina no grupo, e a projeção é de que o número fique próximo de 7,5 mil já no final de 2022.

A Yduqs já começa a preparar sua próxima aposta de crescimento. A área escolhida foi a dos cursos livres, nicho que ganhou força ao longo do período de crise sanitária. A explicação é que as pessoas buscaram reforçar o currículo ou aprender novas habilidades por conta tanto da procura por qualificação como pelo aumento do desemprego. “É um mercado infinito sem amarra regulatória”, diz Parente.  

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