Zona do euro fecha acordo para ajudar Grécia

Linha de financiamento será reestruturada. País pagará juros menores, dívida será alongada e bancos serão recapitalizados

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

21 de julho de 2011 | 10h26

Os governos da zona do euro concordaram com um novo pacote de ajuda para a Grécia. Pelo acordo, o país pagará juros menores, terá mais tempo para quitar seus compromissos e ainda será beneficiado pela capitalização dos bancos. O acerto será feito nas operações de crédito dos gregos junto à Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), órgão que emite títulos da dívida europeia para obter recursos e repassá-los aos países em crise. As informações foram anunciadas em documento prévio do encontro de cúpula da zona do euro que ocorre em Bruxelas nessa quinta-feira, 21. 

Com as mudanças, o juros cobrados nos empréstimos serão reduzidos de 5,5% para 3,5%. Já o prazo para pagamento sobe de 7,5 anos para 15 anos. Além da Grécia, Portugal e Irlanda também serão beneficiados pela medida. Outros pontos do acordo devem ser anunciados ainda hoje.

O EFSF terá ainda poder para recapitalizar os bancos por meio de empréstimos concedidos aos governos da zona do euro, incluindo aqueles que não tenham recorrido aos programas de socorro da linha, diz o documento. O acordo também permite que o EFSF atue no mercado secundário de dívida da zona do euro, a partir da análise do Banco Central Europeu e do aval unânime de países que participam do EFSF.

Já o setor privado - leia-se bancos da região - poderá escolher como ajudar a financiar a dívida da Grécia nos próximos anos, incluindo troca de dívida, rolagem de dívida ou recompra, segundo o documento.

Segundo fontes, os líderes da zona do euro provavelmente não vão chegar a um acordo sobre o tamanho do novo pacote de resgate na cúpula desta quinta. Uma prévia revisada do documento que será divulgado pelas autoridades após a reunião sinaliza essa possibilidade. O novo documento, divulgado há pouco, excluiu a informação do primeiro de que os governos estabeleceriam nesta reunião o montante que a zona do euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) emprestariam à Grécia para ajudar o país a financiar suas necessidades nos próximos anos.

O novo documento diz apenas: "Nós concordamos em apoiar um novo programa para a Grécia e, junto com o FMI e com a contribuição voluntária do setor privado, cobrir totalmente o vácuo financeiro". A prévia revisada do documento também sugere como os governos vão lidar com um possível default da dívida grega. "Melhoria no crédito será fornecida para sustentar a qualidade do colateral para garantir acesso às operações de liquidez do sistema europeu para os bancos gregos", diz o documento. As informações são da Dow Jones.

Primeiro acordo. Em maio de 2010, cinco meses depois dos primeiros sinais de crise na Grécia, a União Europeia anunciou o primeiro pacote de ajuda ao país. O acordo, fechado junto com o Fundo Monetário Internacional (FMI), ofereceu um empréstimo de 110 bilhões de euros. Dividido em três anos, o programa de socorro foi o maior da história contemporânea da Europa e possibilitou o refinanciamento de quase um terço da dívida do país. As informações são da Dow Jones. 

 

(Danielle Chaves)

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