Conheça a diferença entre cistos ovarianos e ovários policísticos

São Paulo, SP--(DINO - 23 fev, 2017) - *Por Dr. Alfonso Massaguer

Por DINO DIVULGADOR DE NOTÍCIAS

23 de fevereiro de 2017 | 18h10

Quem já não ouviu falar sobre a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)? Mas atenção, nem todo ovário de característica policística está relacionado a SOP.

A SOP se caracteriza por aumento de hormônios masculinos na mulher não decorrentes de outras doenças, associada a alterações menstruais, falha ou ausência de ovulação e, na maioria das vezes, ovários com característica policístico ao ultrassom. A síndrome acomete 15% das mulheres em idade fértil

Apesar desse nome, apenas 20% das mulheres com ovários com característica policístico ao ultrassom não fecham diagnóstico para a SOP.

Confuso? Não, uma síndrome é caracterizada por um conjunto de sintomas que se expressam juntos em maior ou menor grau, por isso a investigação individualizada é necessária.

Conheça os principais sintomas da SOP e dados científicos relacionados:

Menstruações irregulares e pouco frequentes: 85 a 90% de correlação com SOP, mas atenção, 30% das mulheres com SOP menstruam normalmente.

Aumento de pelos de características masculinas (buço, face, tórax, costas, abdome, braços e coxas): 70% de correlação com SOP. Características étnicas e familiares podem levar a hirsutismo não relacionado a SOP.

Acne: apenas 15 a 30% de correlação com SOP.

Acne severa: 40% de correlação com SOP.

Infertilidade: 40% de correlação com SOP.

Infertilidade por anovulação: 90% de correlação com SOP.

O Diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos é diagnóstico de exclusão, ou seja, primeiro afasta-se a possibilidade de outras doenças (glândulas adrenal, hipófise e tireóide) e somente então diagnostica-se a SOP.

Quem tem maior risco de desenvolver a Síndrome dos Ovários Policísticos?

Mulheres com antecedente de familiares com SOP, obesidade, diabetes tipo I, diabetes tipo II, diabetes gestacional, alto ou baixo peso ao nascimento, puberdade precoce, acantose nigricans (manchas escuras em dobras) e síndrome metabólica, parecem ser mais susceptíveis a desenvolverem a SOP.

Quais doenças são relacionadas a Síndrome dos Ovários Policísticos?

Como a resistência à insulina acomete até 70% das mulheres com SOP, há risco aumentado de desenvolvimento de Síndrome Metabólica, que consiste em:

Maior resistência à insulina com maiores chances de desenvolver diabetes tipo II;

Anormalidades na concentração de lipídeos com diminuição do colesterol bom (HDL) e aumento do colesterol ruim (LDL/VLDL) e triglicérides;

Hipertensão Arterial;

Alguns estudos demonstram também correlação da SOP com maior risco de doenças cardíacas e vasculares, depressão, ansiedade e compulsão alimentar.

Como tratar a SOP?

Como os sintomas mais visíveis e incômodos da SOP estão associados ao aumento dos hormônios masculinos (hiperandrogenismo), o tratamento destes sintomas são os mais requisitados pelas pacientes.

As pílulas anticoncepcionais são a primeira escolha no tratamento da SOP de pacientes que não desejam engravidar pois além dos benefícios estéticos e da "regularização do ciclo menstrual", minimizam o hiperandrogenismo através de diversos mecanismos.

Pacientes com alopecia (calvície) poderão se beneficiar do uso conjunto de anti-hormônios masculinos, enquanto que pacientes com acne resistente terão a isotretinoína e/ou cosméticos somados a sua prescrição.

Metformina melhora a sensibilidade a insulina e minimiza risco de síndrome metabólica.

Como engravidar com SOP?

Atividade física é a primeira recomendação para qualquer mulher que deseje melhorar sua fertilidade, independentemente de seu peso corporal.

Ter peso saudável, então, torna-se a segunda recomendação que, em muitos casos, será alcançado por associação de dieta e atividade física!

Se apesar dessas adequações ainda não houver regularidade de ovulação, pode-se optar por tratamentos medicamentosos.

Alguns estudos apontam que a metformina poderia melhorar taxas de gestação e nascidos vivos, apesar de não induzir ovulação.

O citrato de clomifeno, indutor de ovulação, poderá ser usado por até 6 meses com taxas de gestação de até 60% após 6 ciclos. Com indução por clomifeno pode-se tentar a gestação com relações programadas ou com inseminação artificial.

Quando a falha do tratamento ou resistência à medicação podemos optar por outras medicações indutores da ovulação seguida de fertilização in vitro.

Concluímos, então, que o correto diagnóstico da SOP é fundamental, pois permitirá as mulheres acometidas um tratamento adequado com melhora de sua qualidade de vida e autoestima enquanto não há desejo reprodutivo e correta avaliação e, se necessário, aconselhamento e acompanhamento com especialista em reprodução humana quando desejar a gestação, sem mitos, sem medos, com respeito e tratamento!

* Dr. Alfonso Massaguer é ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana, e diretor da Clínica Mãe.

Website: http://mae.med.br

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