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Emissões externas devem cair pela metade em janeiro

Início do ano costuma ser aquecido para as emissões de bônus, uma vez que investidores estrangeiros estão montando suas carteiras

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06 Janeiro 2019 | 05h00

As captações externas das empresas em janeiro deste ano devem ter volume bem inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Embora habitualmente o início do ano seja aquecido para as emissões de bônus, uma vez que investidores estrangeiros estão montando suas carteiras, profissionais que assessoram companhias na estruturação de tais operações estão reticentes. Eles estimam algo em torno de US$ 2,5 bilhões, até o momento, para ser emitido em janeiro. O volume é pouco mais da metade do captado no mesmo mês do ano passado, quando as empresas levantaram US$ 4,4 bilhões, e também inferior aos US$ 5,2 bilhões emitidos em bônus em igual período de 2017.

Melhor aqui. Dado o otimismo com a inauguração de um novo governo, a perspectiva de um montante menor de operações causa estranheza. No entanto, alguns fatores têm agido nesse sentido. Um deles é que, com a Selic baixa e os juros norte-americanos maiores, está mais barato captar aqui do que no exterior. Petrobrás, por exemplo, anunciou em dezembro uma emissão de R$ 3 bilhões em debêntures, ainda a ser realizada. Mesmo assim, a companhia pode buscar algum dinheiro no exterior. No pipeline, duas empresas são responsáveis por cerca de US$ 2 bilhões do total de bônus previstos para serem emitidos em janeiro. 

Vitrine. O Tesouro é outro forte candidato, com o único objetivo de sinalizar ao público a percepção do estrangeiro em relação ao Brasil com Jair Bolsonaro na condução do País. Portanto, é possível que, a depender do grau de entusiasmo dos investidores externos com uma eventual emissão do Tesouro, outras companhias se animem a ir ao mercado internacional. O apetite dos estrangeiros para os emergentes tem sido minado por dúvidas sobre o comportamento do juro norte-americano, que é a base do custo das emissões lá fora.

Partiu América. A MRV Engenharia pretende aprofundar seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento neste ano. A incorporadora estuda a transferência de uma equipe de profissionais, em tempo integral, para seu centro de pesquisas localizado na Flórida, nos Estados Unidos. O local é mantido em parceria com a construtora American House Solutions (AHS), que tem em comum o mesmo fundador da MRV, Rubens Menin. 

Inovação. Hoje, a MRV já dispõe de um time de funcionários que faz visitas frequentes ao núcleo norte-americano. A ideia ao montar uma estrutura definitiva por lá é avançar nas pesquisas sobre tecnologias construtivas, comportamento dos consumidores de imóveis e inovação de modo geral no setor. Já a comercialização e construção de moradias fora do Brasil ainda não está no foco da MRV no curto prazo.

No bolso. O aplicativo de pagamentos PicPay fez a conta da economia feita por seus quase 10 milhões de usuários, em 2018: só de taxas de TED/DOC, eles deixaram de pagar R$ 52 milhões. Além disso, economizaram o equivalente a 42 anos de tempo, caso todos tivessem de ir a agências bancárias no período. Com uma versão para pessoas físicas e outra para empresas, o app permite pagamentos e transferências a partir de depósitos e cartões cadastrados. Já os recebimentos podem ser antecipados, com taxas de desconto de 1,99% ao mês, sem mensalidade e custo de saque.

Barra limpa. O Grupo Enel é o maior investidor em energia limpa em mercados emergentes da última década, entre 2008 e 2017, segundo estudo anual da Climatescope sobre investimentos e políticas de energia limpa, publicado pela Bloomberg NEF. Com aportes da ordem de US$ 7,2 bilhões em energia renovável, especialmente eólica e solar, a empresa superou agentes como o Banco Mundial - segundo maior investidor, com US$ 5,4 bilhões - e a Agência de Cooperação Internacional do Japão. Os investimentos no Brasil e em demais países da América Latina, como Chile e México, impulsionaram o grupo italiano para o topo da lista de investidores em energia limpa em países de economia em desenvolvimento.

Sem fatura. O volume transacionado em cartões pré-pagos na base de cliente da Agilitas, uma das líderes de soluções de pagamentos e emissora da área, chegou a R$ 1,2 bilhão em 2018, com alta de 80% sobre o ano anterior. O resultado abrangeu pré-pagos para uso corporativo, por pessoa física e em vales-presente. 

Física e jurídica. No caso do cartão corporativo, os gastos ficaram concentrados em postos de gasolina (48%), restaurantes e alimentação (15%) e supermercados (11%). O tíquete médio registrado nas transações foi de R$ 95. Já para as pessoas físicas, os maiores gastos foram em supermercados (32%), seguidos de restaurantes e alimentação (17%) e com roupas e eletrônicos (12%). O valor médio das transações foi de R$ 61.  

  • COM CRISTIANE BARBIERI

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