Homens inférteis também podem ter filhos

São Paulo--(DINO - 23 jan, 2017) - Quando não se consegue realizar o sonho de ter um filho, após 12 meses de tentativas, o ideal é procurar ajuda médica.

Por DINO DIVULGADOR DE NOTÍCIAS

23 de janeiro de 2017 | 16h36

Segundo o Dr.Edson Borges Jr., especialista em reprodução humana assistida e diretor científico do Fertility Medical Group, existe um certo preconceito em se achar, inicialmente, que o problema é da mulher.

"Isso não é verdade. Cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva apresentam algum problema de fertilidade. Destes, 40% decorrem de causa feminina, 40% de causa masculina e nos restantes 20% do homem e da mulher", ressalta Borges.

Apesar dos percentuais serem os mesmos, se fala e se conhece muito mais as causas da infertilidade feminina, bem como os tratamentos oferecidos. Justamente por isso, é importante que ambos façam os exames necessários para se detectar quem tem algum problema.

Apesar de podermos identificar uma causa para a infertilidade masculina, é mais comum que diversos fatores associados levem à redução do potencial fértil do homem. Assim, em primeiro lugar, é importante que se faça o exame físico dos órgãos reprodutivos e o espermograma, para que essa capacidade reprodutiva seja corretamente avaliada pelo médico.

Entre as principais causas da esterilidade masculina está a Varicocele (varizes na região escrotal), que é diagnosticada por um simples exame físico e é responsável por até 40% dos casos. Outras são a Falência Testicular Primária, Infecções Seminais, Criptorquidia (testículos fora da bolsa testicular), Obstruções do Epidídimo (ou canal deferente) e Disfunções Hormonais.

A evolução das técnicas de Reprodução Assistida permite hoje que muitos problemas seminais sejam resolvidos, possibilitando que o homem consiga ter filhos. Dentre essas técnicas estão o Processamento do Sêmen para Inseminação Artificial e a Fertilização In Vitro com ICSI (quando se injeta um único espermatozoide dentro do óvulo).

Segundo o Dr. Edson, de uma forma geral, cada um destes processos resulta em uma probabilidade de gravidez que varia de 25% a 50%, levando em conta também a condição da mulher.

Ao fazer o espermograma, uma pequena parcela de homens inférteis apresenta ausência de espermatozoides (azoospermia). Quando isso acontece, as causas podem ser doenças que impedem a saída dos espermatozoides, como a ausência de ductos reprodutivos (forma atenuada da Fibrose Cística), alterações genéticas número anormal dos cromossomos como a Síndrome de Klinefelter, a vasectomia, processos inflamatórios, entre outras. Eles também podem ser filhos biológicos, por meio da punção do testículo ou epidídimo (órgão vizinho ao testículo), porque a espermatogênese está ocorrendo normalmente.

Já nos pacientes com azoospermias não obstrutivas ou secretoras, a produção de espermatozoides é extremamente comprometida. É o caso daqueles com criptorquidia, que sofreram radiação, quimioterapia, de orquite, varicocele, trauma testicular, causas genéticas e hormonais. Algumas vezes, a causa nem é encontrada.

O Dr.Edson destaca que, nesses casos, em alguns túbulos seminíferos (regiões do testículo onde essas células são produzidas), a espermatogênese continua acontecendo. Por isso, também podem ser pais.

É importante saber também que hábitos de vida pouco saudáveis, como tabagismo, uso de drogas recreativas (maconha e cocaína, por exemplo), uso de anabolizantes, exercícios físicos em excesso, obesidade, exposição a produtos tóxicos e à poluição, estresse e má nutrição também afetam negativamente a produção de espermatozoides.

Finalmente, pesquisas recentes mostram que não é somente a idade da mulher que interfere nas taxas de fertilidade. A do homem também. Quanto maior for, maiores também são as chances de alterações na produção e na qualidade dos espermatozoides. As consequências disso podem ser dificuldade na formação de um embrião, um risco maior de abortos e de síndromes genéticas.

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