Patricia Françozo lança livro que explica o gênero literário conto

São Paulo--(DINO - 14 fev, 2017) - O não ficção da escritora Patricia Françozo "Era uma vez? os caminhos percorridos pelo conto: da tradição oral às adaptações televisivas" vai permitir aos interessados em teoria literária conhecer o panorama que originou e sustentou o gênero ao longo do tempo. A autora estabeleceu pontes entre as técnicas para escrever, o desenvolvimento da estrutura e o alcance do gênero que, adaptado para teatro, TV e outros suportes, é a principal matriz de narrativa em prosa para produções de curta duração.

Por DINO DIVULGADOR DE NOTÍCIAS

14 de fevereiro de 2017 | 11h22

No e-book de Patricia, encontramos os primórdios da oralidade e a estruturação do conto, costuradas de forma hábil com os conceitos de teóricos como Paul Zhumtor (tipos de oralidades), Jerome Bruner (mimética, constituintes gramaticais e dramatismo), Wladmir Prop (funções), entre outros. Além disso, registra-se o contexto de como se deu o nascimento das obras clássicas de escritores como Charles Perrault que escreveu "Chapeuzinho Vermelho", "Pequeno Polegar", "A Bela Adormecida do Bosque", "Cinderela", "Gato de Botas" e "Barba Azul. Dos irmãos Grimm, há a análise de "Os 85 textos de Contos da Criança e do Lar".

Entre os recursos que a obra didatiza destaca-se o que a autora denominou "Problema" ou "Conflito", que impulsiona a narrativa do conto, explicitado por Jerome Bruner. Para dar sustentação à essa estrutura, os contos "A Caçada" de Lygia Fagundes Telles e "O Besouro e a Rosa" de Mário de Andrade são usados como referência dessa estratégia.

Segundo a autora, o choque de significados alternativos distantes de realidades estabelecidas são capazes de promover a ação no texto, que tem uma história central. Oportunamente, ela explicita questões técnicas do autor russo Wladmir Prop (personagens e suas funções) e Greimas (criação situacional).

Outro nome presente no livro é o do escritor americano Edgar Allan Poe, célebre pelos seus contos sombrios, que neste livro é registrado como teórico e é mencionado ensinando a importância da verossimilhança, habilidade, por muitas vezes, escassa em muitas produções atuais. Todo esse painel montado pela escritora dão ao leitor o arcabouço e a vestimenta do gênero, cuja informação vai se avolumando conforme se desenvolve a leitura de "Era uma vez".

Todo um capitulo é dedicado sobre a transmutação da oralidade para as adaptações para a TV, no qual se sabe, que o veículo é o grande mediador contemporâneo.

O conto é a estrutura-padrão da oralidade e da contemporânea "contação de historias", uma das atividades culturais que se espalharam em equipamentos públicos. Lendo-se "Era uma vez", o gênero pode ser compreendido com mais profundidade, especialmente quando a autora reafirma que as narrativas são um meio para facilitação da troca e para a manutenção do convívio e dos vínculos sociais. "Neste sentido, a figura do narrador é primordial cumprindo o papel do sábio, daquele que detém o conhecimento e as virtudes morais necessários para consolar, ensinar e prestar auxílio", define Patricia, que registra que a voz foi transposta para o suporte livro a partir do século XVII, mas antes da prensa de tipos móveis, como todos sabemos, era somente pela forma oral que as histórias eram passadas entre as gerações.

Sobre Patrícia Françozo. Paulistana, de 45 anos, Patricia Françozo é mestre em comunicação e atua na área cultural. Foi mediadora do programa permanente Leituras do Cotidiano da Biblioteca de São Paulo (BSP), onde também ministrou cursos livres de literatura, escrita e comunicação (voltados para o estímulo à leitura, criatividade e produção textual). Além do não ficção "Era uma vez? os caminhos percorridos pelo conto" encontra-se em fase de acabamento seu primeiro livro de ficção: "Lagoa dos Justos", obra que reúne treze contos de sua autoria. Além dos contos, Patricia se dedica à crônicas que são publicadas em seu blog: o Letras e Impressões.

Website: http://www.f3comunicacao.com.br

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