União Europeia teme pelo futuro dos europeus residentes no Reino Unido

Londres--(DINO - 20 fev, 2017) - Documentos obtidos pelo jornal inglês The Observer comprovam o que muitos críticos vêm dizendo: o governo da primeira ministra Theresa May transformou os europeus residentes no Reino Unido em peão de batalha no seu jogo contra a União Europeia.

Por DINO DIVULGADOR DE NOTÍCIAS

20 de fevereiro de 2017 | 13h30

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O documento revela o medo de parlamentares e diplomatas europeus e de que o sistema de imigração do Reino Unido não tem capacidade de garantir que europeus poderão permanecer no Reino Unido, uma vez que o UK assine o artigo 50 que formaliza sua retirada definitiva da União Europeia.

O Reino Unido não tem registro da sua população. Ninguém tem carteira de identidade. Isso dificulta estabelecer quem está residindo legalmente no país.

Se os 3.3 milhões de pessoas de origem europeia que moram no UK resolverem iniciar um processo para provar seu status de residência, o sistema de imigração vai entrar em colapso e expor o que todos sabem: que não possui capacidade para lidar com este tipo de demanda.

Alguns críticos falam que o departamento de imigração não consegue sequer localizar imigrantes irregulares (sem documentação), quem dirá encontrar cada europeu que se encontra no país.

Um exemplo que ilustra este fato é o de uma boliviana que teve seu pedido de asilo negado e simplesmente se mudou do endereço que o departamento de imigração tinha para ela. A imigração não possui investigadores em número suficiente para lidar com estes e muitos outros casos.

Não existe um cartão de identidade na Inglaterra e o único documento que o governo dispõe para cada residente é o número nacional de seguro (national insurance number), similar ao CPF no Brasil, que pode indicar quem residia no país antes do Brexit. Mas este registro não cobre as pessoas que estão residindo no país, porém, não estão trabalhando nem recebendo ajuda do governo.

Qualquer pessoa com passaporte europeu que resida no Reino Unido por mais de cinco anos, possui direito automático de permanência. Mas, mesmo assim, muitos empregadores estão exigindo de seus empregados europeus que obtenham o cartão de residente: um processo que pode levar 6 meses e exige que se complete um questionário de mais de 80 páginas.

Pouco se fala dos impactos reais que o Brexit vai trazer a cidadãos europeus que possuem empresas no Reino Unido.

Existe muita ansiedade entre os europeus residentes no Reino Unido. O partido Democrata Liberal acredita que a Casa dos Lords vote a favor da emenda que o partido fez ao aprovar o artigo 50. Esta emenda exige que todos os europeus residentes no Reino Unido tenham o direito de permanecer - não importa quantos anos estejam no país.

No dia 1º de março vai haver um debate no parlamento europeu sobre os direitos dos cidadãos europeus residentes no Reino Unido. Mais um debate dentro de uma longa espera por definições.

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