Você sabia que a história do Malandro Carioca, um dos principais personagens do Carnaval começou com Machado de Assis?

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Por DINO DIVULGADOR DE NOTÍCIAS

16 de março de 2017 | 11h16

rio de janeiro, rj--(DINO - 23 fev, 2017) - Malandro Carioca

"O ano só começa de verdade após o Carnaval". Contrariando esse lugar comum que é repetido todo ano, queremos te dar um conselho: 2017 já começou e está a mil por hora!

O Carnaval está próximo, é verdade. Já podemos ver alguns blocos desfilando e às segundas-feiras é normal flagrar pessoas ainda carregando o glitter na pele, à caminho do trabalho. Você não precisa ignorar a efervescência da cidade nessa época, mas isso não significa que você vai deixar as oportunidades de crescimento profissional de lado.

Para inspirar o seu mês de fevereiro, queremos te apresentar a figura emblemática do malandro carioca. Você verá que tem muito o que aprender com ele!

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Malandro: a tradução do lifestyle carioca

O conceito da malandragem foi construído há muitas décadas, sendo associado às características e modo de vida dos cariocas. A origem do termo é datada do início do século XX, momento em que o Rio de Janeiro passava por uma intensa modernização urbana e, no campo da cultura, o gênero da crônica cotidiana caía no gosto da população.

Quem lançou a primeira luz sobre o assunto foi Machado de Assis, que ao avaliar os patrimônios materiais e imateriais da cidade, associou a sua percepção do povo carioca ? pouco participativo politicamente, comemorativo, descompromissado e irônico ? com alguns traços da cidade, que não tinha o mesmo afinco por assuntos políticos que demonstrava ter pelas festividades. Outros intelectuais da época, como João do Rio e Lima Barreto, também atentaram para as peculiaridades do modo de vida carioca e começaram a traçar o perfil do malandro, desde o seu modo de convívio em sociedade até as expressões utilizadas em sua fala.

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O Malandro e o Samba

Na década de 1920, a figura do malandro começou a caminhar lado a lado com o samba, já que ambos eram apontados como representantes da singularidade carioca. O malandro era a figura marginalizada que encontrava meios ? nem sempre politicamente corretos ? para sobreviver. A sua origem está diretamente ligada à abolição da escravatura e ao modo de vida dos ex-escravos, que ocupavam os morros. Já o samba é uma das principais formas de expressão cultural desse povo. É a voz do morro, sim senhor.

Essa foi a época em que o personagem de terno de linho branco, camisa listrada, chapéu de palha, sapato bicolor e navalha no bolso seria tema de peças teatrais e músicas, também aparecendo na literatura e no cinema. Despojado, conquistador, irônico e sem apreço pelo trabalho, o malandro carioca serviu como inspiração para os maiores sambistas da primeira metade do século, como Moreira da Silva, Wilson Baptista, Donga e Geraldo Pereira.

Várias nuances da personalidade do malandro foram retratadas nas composições. Há narrativas em que ele aparece tirando o máximo de vantagem das situações e pessoas ao seu redor. Já em outras, ele parece querer se regenerar, quase sempre para conquistar a confiança da mulher amada.

O contexto histórico também foi um influenciador para o comportamento do malandro. No Estado Novo de Getúlio Vargas, por exemplo, o malandro foi enquadrado nas políticas disciplinadoras da época. Wilson Batista, um dos mais orgulhosos representantes da malandragem, foi um dos que se adequou à tendência do momento, adaptando os versos do seu samba "O Bonde de São Januário" de "O Bonde São Januário leva mais um sócio otário, só eu não vou trabalhar" para "? leva mais um operário, sou eu que vou trabalhar".

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O Malandro Contemporâneo

Assim como a cidade e seus habitantes, a figura do malandro foi se modernizando e se moldando ao contexto ao seu redor. Atualmente, o personagem já não carrega uma carga tão negativa. Como diz Chico Buarque na letra de "Homenagem ao Malandro" de 1978: "aquela tal malandragem não existe mais". Nessa música, Chico descreve a rotina do malandro como a de um carioca comum, que pega o trem para trabalhar todos dias, sendo essa uma maneira de redimir o personagem ou de fundir de vez o malandro e o carioca. Em outro trecho, o compositor insinua até mesmo a presença do malandro no cenário político, onde conserva uma de suas principais características: nunca se dar mal.

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O que podemos aprender com o Malandro Carioca?

Assim como o ninja, o malandro carioca tem muito o que nos ensinar. Mesmo sendo muito diferentes ? o malandro suave e cadenciado, e o ninja assertivo e concentrado ? ambos possuem características em comum que levam ao mesmo desfecho: alcançar resultados incríveis.

Encontrar novas soluções, possuir capacidade de adaptação, equilíbrio e inspiração são marcas desses dois personagens, nos quais você pode e deve se inspirar.

A lição que o malandro carioca nos deixa pode ser muito útil em nosso cotidiano. Ele consegue aliar inteligência, esperteza e resiliência, como ninguém mais consegue. Além disso, é de sua natureza prever a hora exata de agir, sem se antecipar e nem perder oportunidades. Lidar com as dificuldades de maneira positiva também é o seu forte, já que ele foi nascido na adversidade, mas à sua maneira soube contorná-la.

Mas a principal lição é não deixar de lado a graça e a leveza, ainda que o dia a dia seja difícil, encarando a vida como se ela fosse um eterno carnaval.

"Escorregando daqui e dali/ Malandreando eu vim e venci/ E no sufoco da vida foi onde aprendi". Com esses versos de Beth Carvalho em "Malandro Sou Eu", desejamos que você encare as oportunidades e eventuais dificuldades com a maestria de um verdadeiro malandro carioca.

Website: http://www.kiagencia.com.br/malandro-carioca/

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