‘O empreendedor tem de ver onde há a necessidade’, diz David, da Azul

Presidente do Conselho da Azul, David Neeleman, explica que a estratégia da empresa é buscar novos clientes e não ‘roubar’ dos concorrentes

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

28 de fevereiro de 2011 | 09h26

Ele tem nove filhos e divide a sua rotina semanal entre o Brasil e Estados Unidos. Além disso, comanda uma grande empresa aérea que, em pouco menos de três anos, já alcançou a marca de 7 milhões de passageiros transportados. "Gosto de criar novos viajantes", diz o presidente do Conselho da Azul Linhas Aéreas, David Neeleman, ao explicar que a estratégia da empresa é buscar novos clientes e não ‘roubar’ dos concorrentes.

Em 2008, quando a empresa foi fundada, eram 50 milhões de passageiros transportados por ano, número que, segundo o empresário, poderia facilmente chegar a 150 milhões. No ano passado, foram 70 milhões. "Há mais pessoas viajando", afirma. Para ganhar esses novos passageiros, batalhar por tarifas menores é fundamental. "Quando chegamos, a passagem no Brasil era vendida, em média, 70% mais cara que nos EUA. Agora já está algo mais próximo."

Empreendedor tem de ver onde há a necessidade, diz David Neeleman, da Azul (1)

A concorrência não é encarada com preocupação. "Quando chegamos ao Brasil, eram duas empresas que controlavam 95% dos voos. Mas em 50% das rotas em que atuamos não temos concorrente", diz. A Azul é conhecida por atuar em muitas cidades do interior de São Paulo e do Brasil que estavam fora do radar das grandes companhias aéreas. Em fevereiro, por exemplo, a companhia pediu autorização à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para começar a operar voos diárias entre Uberaba (MG) e Campinas (SP).

A vida atribulada nos negócios, porém, dura três dias na semana – entre terça-feira e quinta-feira –, período em que David Neeleman fica no Brasil. Nos outros dias, o empresário retorna a sua residência nos EUA. David nasceu em São Paulo, quando seu pai, jornalista norte-americano, era correspondente, mas viveu até os 18 anos nos EUA. Retornou então para cá para ser missionário Mórmon por dois anos principalmente no Nordeste. De volta aos EUA, criou diversas empresas no setor aéreo, mas disse ter enxergado uma oportunidade de negócio no Brasil. "Quando você é empreendedor tem de ver onde tem necessidade, onde pode fazer uma coisa melhor do que está sendo feita."

O vai e volta intenso entre os dois países, segundo ele, não atrapalha na vida familiar. "Tenho nove filhos e quatro ainda moram comigo. Tenho três netos e uma filha está grávida. Devo chegar a 50 netos porque todos querem ter família grande", conta. "Estou em casa como nunca antes na minha vida porque quando eu estou lá, estou lá", diz.

 

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