Crise europeia leva risco à economia dos EUA, diz diretor do Fed

Para Daniel Tarullo, em pior cenário, pode haver novo congelamento dos mercados financeiros, assim como em 2008

Álvaro Campos, da Agência Estado,

20 de maio de 2010 | 13h42

A crise das dívidas na Europa coloca sérios riscos à economia dos Estados Unidos, porque pode prejudicar as exportações e reviver o estresse de 2008 no mercado financeiro global, disse nesta quinta-feira, 20, Daniel Tarullo, diretor do Federal Reserve. "No pior cenário, tais distúrbios (na Europa) podem levar a uma repetição do congelamento dos mercados financeiros que nós testemunhamos em 2008", deve afirmar Tarullo em uma audiência no Congresso.

Em anotações preparadas para um discurso que fará aos subcomitês do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, que deve acontecer às 15h (de Brasília), Tarullo vai dizer que uma desaceleração moderada na Europa pode prejudicar levemente a economia dos EUA, por causa das exportações menores. Mas o diretor vai alertar que uma contração maior pode até paralisar a recuperação de toda a economia global, com sérias consequências para os EUA, que ainda está lidando com as dificuldades de uma taxa de desemprego perto de 10%.

Tarullo disse que a medida do Fed de ressuscitar um programa de resgate usado durante a crise financeira de 2008, tem o objetivo de prevenir que a crise da dívida na Europa prejudique a frágil recuperação da economia dos EUA, e não de conter as perdas de bancos e investidores.

Em 10 de maio, o Fed reativou as linhas de swap de câmbio com cinco bancos centrais estrangeiros, incluindo o Banco Central Europeu (BCE), que já foram usadas durante a crise financeira de 2008 para encaminhar mais de US$ 500 bilhões para ajudá-los nos financiamentos em dólares.

A medida do Fed foi tomada logo após os líderes europeus concordarem com um plano para dar um suporte de € 500 bilhões (US$ 625 bilhões) para os 16 países da zona do euro, dinheiro esse que poderá ser emprestado para países em perigo. O Fundo Monetário Internacional sinalizou que está disposto a emprestar € 250 bilhões adicionais. As informações são da Dow Jones.

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