Dados ruins nos EUA e cautela na Europa elevam dólar pelo 2º dia, a R$ 1,826

Busca por aplicações mais seguras fez moeda norte-americana subir 0,88%, acumulando valorização de 1,16% na semana

Reuters,

23 de fevereiro de 2010 | 16h47

O dólar subiu pelo segundo dia seguido nesta terça-feira, 23, impulsionado pela busca de aplicações mais seguras por investidores globais após dados ruins nos Estados Unidos e sinais de cautela na Europa.

 

A moeda norte-americana fechou a R$ 1,826, em alta de 0,88%. Na semana, o dólar tem valorização de 1,16%. No mês, a queda ainda é de 3,13%.

 

No começo do dia, já pesavam sobre o mercado internacional a decepção com a confiança empresarial da Alemanha, os comentários pessimistas do presidente do Banco da Inglaterra, e a cautela antes do depoimento de quarta e quinta-feiras do chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, ao Congresso.

 

O humor só piorou mais tarde com a divulgação de que a confiança do consumidor nos Estados Unidos caiu em fevereiro para o menor nível em 10 meses e que os preços das moradias nas 20 principais regiões metropolitanas diminuíram em dezembro.

 

"Com essas incertezas, está todo mundo buscando os títulos do Tesouro norte-americano. Com exceção do iene, todas (as moedas) estão caindo ante o dólar", disse Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora.

 

A aversão a risco impactava também as commodities, com queda de 1,6%, e as ações brasileiras, com baixa de 2% do Ibovespa. Internamente, o resultado das contas externas do governo em janeiro teve pouca influência sobre os negócios.

 

Segundo o Banco Central, o déficit em transações correntes cresceu menos que o esperado no mês: 39%, para US$ 3,8 bilhões. Por outro lado, o fluxo cambial em fevereiro passou para o negativo, com saída líquida de US$ 269 milhões no mês até o dia 19.

 

O mercado também recebeu sem alarde a notícia de que o Conselho Deliberativo do Fundo Soberano foi criado pelo governo em decreto na segunda-feira. A medida é necessária para que o fundo possa atuar no mercado de câmbio - possibilidade que ajudou a sustentar a alta do dólar ao longo de janeiro.

 

"Acho que só vai começar a pegar (na taxa de câmbio) se eventualmente eles começarem a atuar no mercado. Fica como uma carta na manga", comentou Battistel.

 

(Por Silvio Cascione)

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