Em alta, bolsas europeias comemoram pacote de ajuda à Grécia

Em Londres, a alta é de 1,01%; Paris avança 1,17% e a bolsa de Frankfurt sobe0,65%. A Bolsa de Tóquio encerrou o dia também em alta. O índice Nikkei avançou 1,22%

AGÊNCIA ESTADO,

22 de julho de 2011 | 07h35

As bolsas europeias abriram em alta nessa sexta-feira, dia seguinte ao anúncio do segundo pacote de ajuda à Grécia. Em Londres, a alta é de 1,01%; Paris avança 1,17% e a bolsa de Frankfurt sobe0,65%.

A Bolsa de Tóquio encerrou o dia também em alta. O índice Nikkei avançou 1,22% e fechou aos 10.132,11 pontos, e terminou a semana com valorização de 1,6%, no melhor nível desde o dia 8 de julho. Ações de grandes bancos ficaram entre as que tiveram melhor desempenho. Mitsubishi UFJ Financial Group subiu 3,3%, enquanto Sumitomo Mitsui Financial Group ganhou 3,6%. Corretoras também se valorizaram: Nomura Holdings fechou em alta de 3,1%.

Outro indicativo de que os investidores viram com bons olhos o acordo na zona do euro é que O custo do seguro da dívida soberana e corporativa europeia contra calote caiu de forma significativa.

Pacote de ajuda. O programa de socorro à Grécia terá valor total de € 158 bilhões. Entre as medidas, estão um aporte de € 109 bilhões em recursos do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que se soma a um corte na dívida de 37 bilhões até 2014, pela contribuição direta e voluntária dos credores.

O pacote se completa com € 12 bilhões, que serão usados na recompra de obrigações gregas. Em cerca de 10 anos, a contribuição do setor privado será de 135 bilhões. Essas medidas tendem a ser consideradas pelas agências de rating como um "default seletivo", ou seja, um calote parcial.

A "participação privada" no resgate era a grande divergência entre os líderes de Alemanha, Angela Merkel, e França, Nicolas Sarkozy, e o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet.

Pelo acordo selado ontem - com anuência do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), que representa o setor financeiro -, os bancos privados terão três opções para contribuir: trocar títulos da dívida grega por novas obrigações de maturidade mais extensa (roll over); trocar obrigações por novos títulos de mesma maturidade; ou revender os papéis à Grécia por preço menos elevado que seu valor de face.

"Nós teremos uma contribuição voluntária dos credores, como desejávamos", disse Angela Merkel ao final da cúpula, em tom de alívio. "Nós consideramos essa oferta única, dadas as circunstâncias excepcionais da Grécia", confirmou o IIF.

Default. Todas as três opções de contribuição, entretanto, podem vir a ser consideradas pelas agências de rating Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch como default de pagamento, mesmo que a participação seja voluntária.

Questionado sobre se a UE estava concordando com um calote grego, Sarkozy reagiu com impaciência e ironia. "Este não é o meu vocabulário e eu não estou na direção de uma agência de rating", argumentou, reiterando: "Nós decidimos aumentar a maturidade dos empréstimos e baixar a taxa de juros. O setor privado participará voluntariamente, aumentando a duração de seus títulos".

Outra medida anunciada foi a reforma do Feef, criado em 2010, que também será encarregado, a partir de agora, de recomprar dívidas de países em dificuldades no mercado secundário - onde são negociados os títulos de segunda mão - no caso de "circunstâncias excepcionais".

Essas circunstâncias já estão reunidas no caso grego, e o fundo vai emitir eurobônus com classificação AAA para obter recursos - de até € 12 bilhões - para a recompra dos títulos pela Grécia. Além disso, o Feef passa a ter o poder de repassar recursos a países em crise para que eles recapitalizem seus bancos.

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