Governo já cumpriu 75% da meta de economia para o ano

Após o pagamento de juros, as contas do governo apresentam um saldo negativo de R$ 17,1 bi, três vezes maior que o observado em julho

Fernando Nakagawa e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

30 de setembro de 2011 | 10h56

As contas do setor público (governo federal, Estados e municípios e empresas estatais) apresentaram em agosto um superávit primário de R$ 4,561 bilhões, o pior resultado para o mês desde 2003. O resultado mostra uma redução de R$ 632 milhões em relação ao superávit primário registrado em agosto do ano passado, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC).

O superávit é a arrecadação do governo menos as despesas, exceto o pagamento de juros. Na prática, representa a economia do governo para pagamento de juros da dívida. O resultado ficou dentro do intervalo previsto pelos analistas.

Contudo, com as despesas com juros, as contas do governo apresentam um saldo negativo de R$ 17,101 bilhões. Trata-se do chamado déficit nominal. O resultado é mais de três vezes o observado em julho, quando o saldo negativo das contas públicas ficou em R$ 5,007 bilhões, e também foi maior que o visto em agosto de 2010, quando o déficit nominal somou R$ 10,699 bilhões.

Segundo o BC, a maior parte do déficit do mês passado foi gerado pelo governo central, que terminou o período com nominal negativo em R$ 17,213 bilhões. Empresas estatais contribuíram com déficit de R$ 455 milhões. Esse desempenho negativo foi parcialmente compensado pelos governos regionais, que registraram superávit nominal de R$ 566 milhões.

Acumulado do ano

No acumulado do ano, até o mês passado, o superávit primário subiu para R$ 96,540 bilhões, o equivalente 3,65% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso significa que, faltando quatro meses para o final do ano, o governo conseguiu cumprir 75,48% da meta de superávit primário para as contas do setor público prevista para 2011 - de R$ 127,9 bilhões.

Para os próximos quatro meses, o governo tem que fazer um superávit de R$ 31,36 bilhões para atingir o seu objetivo de economizar para pagar juros e tentar manter em queda a dívida pública.

Já o déficit nominal, que leva em conta o pagamento de juros, acumula R$ 63,667 bilhões. O valor equivale a 2,41% do PIB e sinaliza melhora na comparação com igual período de 2010, quando o déficit nominal correspondia a 3,22% do PIB. No acumulado de 12 meses até agosto, o setor público consolidado registra déficit nominal de R$ 81,076 bilhões, o correspondente a 2,05% do PIB.

Pagamento de juros

O setor público consolidado terminou o mês de agosto com despesa de R$ 21,663 bilhões para o pagamento de juros. Houve aumento em relação a julho, quando o montante ficou em R$ 18,797 bilhões, e também foi maior que o visto em agosto de 2010, quando a despesa alcançou R$ 15,893 bilhões. Segundo o BC, a maior contribuição no gasto com juro, no mês passado, foi do governo central, responsável pelo pagamento de R$ 19,244 bilhões. A conta dos governo regionais ficou em R$ 2,130 bilhões e as estatais desembolsaram R$ 288 milhões.

No acumulado em 2011, até agosto, a conta com juros paga pelo setor público brasileiro alcança R$ 160,207 bilhões, o maior da série histórica e equivalente a 6,05% do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador revela aumento dessa despesa, já que em igual período de 2010, o pagamento do serviço da dívida somou valor correspondente a 5,28% do PIB. No acumulado em 12 meses, até agosto, o pagamento de juros alcança R$ 230,531 bilhões, ou 5,83% do PIB, valor também recorde para o período desde o início da série.

Com esse desempenho, o ano deve terminar sendo o primeiro com despesa com juro superior a R$ 200 bilhões desde o início da contabilidade desses números.

Dívidas

Os dados divulgados hoje mostram que o setor público consolidado terminou o mês de agosto com a dívida líquida equivalente a 39,2% do PIB. O valor representa um montante financeiro de R$ 1,549 trilhão. O indicador em relação ao PIB mostrou queda ante julho, quando o dado ficou em 39,4%. Apesar da queda, o resultado do mês passado ficou acima da previsão do próprio BC, que esperava redução do indicador para 38,9% do PIB.

O BC também informou que a dívida bruta do setor público encerrou agosto equivalente a 56,1% do PIB. O porcentual equivale a R$ 2,216 trilhões e é ligeiramente inferior à marca de julho, quando o dado ficou em 56,2% do PIB.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.