Novas regras não significam mudança na política cambial, diz Meirelles

Presidente do BC reconheceu que medidas podem tanto valorizar como desvalorizar real diante do dólar

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

24 de março de 2010 | 19h36

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta quarta-feira, 24, que as medidas anunciadas de modernização do mercado de câmbio não representam uma mudança na política cambial conduzida pelo BC. Ele reconheceu que a medida de fato facilita a saída de dólares do País, o que teoricamente poderia elevar a cotação do dólar ante o real. Mas ele explicou que, por outro lado, essas medidas podem tornar o País mais atrativo ao capital estrangeiro atraindo Investimento Estrangeiro Direto, o que teoricamente poderia levar a uma valorização do real.

 

Entre as medidas que podem atuar no sentido de desvalorizar o real estão a possibilidade de manter recursos captados por meio de Deposity Receipts (Drs) no exterior e a permissão para o Tesouro Nacional adquirir dólares para pagar dívidas a vencer em até dois anos. "A finalidade não é fazer com que suba o valor do dólar. Já se foi o tempo no Brasil em que se tomavam decisões normativas para mudar a taxa de câmbio. Hoje não precisamos fazer isso", disse Meirelles. Ele explicou que é difícil mensurar o efeito final das medidas sobre a cotação do dólar ante o real.

 

Em relação às compras de dólar que o BC tem feito mesmo com o fluxo cambial negativo, Meirelles afirmou que também não significam mudança de política cambial nem uma tentativa de desvalorizar o câmbio. Segundo ele, o BC compra os dólares que são ofertados pelas instituições no leilões e, no longo prazo, o objetivo continua sendo o de comprar o fluxo cambial. "As vezes o fluxo está à frente do BC e, em outras vezes, o BC está à frente do fluxo, como é o caso agora", disse.

 

Meirelles afirmou ainda que o BC considera que, na margem, ainda é benéfico para o País acumular reservas internacionais.

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