Objetivo da declaração de ativos no exterior é estatístico, diz BC

Segundo Altamir Lopes, declarantes com ativos superiores a US$ 100 mi são menos de 1% do total, mas representam 80% do valor mantido no exterior

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

27 de maio de 2010 | 18h11

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, explicou nesta quinta-feira, 27, que a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de instituir uma declaração trimestral para os ativos de residentes brasileiros no exterior, superiores a US$ 100 milhões, tem o objetivo meramente estatístico. "A medida deve atender à necessidade de acompanhamento das contas externas para ter um panorama mais claro", disse.

Altamir disse que continua sendo obrigatória a entrega da Declaração Anual de Capitais Brasileiros no Exterior com valor igual ou maior de US$ 100 mil. No entanto, o BC quer uma declaração trimestral porque as bases de dados da instituição são trimestrais.

Segundo ele, a declaração anual é mais abrangente, no entanto, a declaração trimestral será mais representativa. Lopes informou que, com base na declaração anual de 2008, dos 16,1 mil declarantes, menos de 1% tinham valores acima dos US$ 100 milhões, mas representavam 80% do valor mantido no exterior, que naquele ano foi de US$ 170,4 bilhões.

A declaração trimestral passará a ser obrigatória a partir de 31 de março de 2011, nas datas de 31 de março, 30 de junho e 30 de setembro. No dia 31 de dezembro de cada ano, termina o prazo da declaração anual, que já é obrigatória atualmente. Os contribuintes que não entregarem dentro do prazo receberão uma multa pelo atraso.

Altamir disse que é considerado ativo no exterior, por exemplo, investimentos diretos, investimentos em portfólio, depósitos e imóveis.

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