Vale e títulos de inflação são destaques em fevereiro

Receio sobre Petrobrás deixa as ações da companhia com desempenho abaixo do Ibovespa; moedas seguem na lanterninha das aplicações

Yolanda Fordelone, do Economia e Negócios,

26 de fevereiro de 2010 | 20h16

A perspectiva de reajuste do preço de minério de ferro nas negociações entre a Vale e as siderúrgicas chinesas influenciou a cotação do papel na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e o ranking mensal dos investimentos mais rentáveis. Os papéis preferenciais séria A (PNA) da mineradora lideraram o ranking de investimentos em fevereiro, após terem tido alta de 5,4%. Especialistas esperam reajuste de até 40% no preço do minério de ferro em 2010.

 

Outra aplicação a ter bom desempenho no mês foram os títulos atrelados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ajudados pela projeção de alta da inflação nos próximos meses. O papel mais curto negociado pelo Tesouro Direto, a Nota do Tesouro Nacional Série B Principal (NTN-B Principal), subiu 1,91%.

 

"Com o IPCA de fevereiro projetado em 0,78%, os papéis apresentaram bons resultados", explica o administrador de carteiras Fábio Colombo. Em janeiro, o IPCA veio ligeiramente abaixo da taxa projetada para fevereiro (0,75%). Segundo o especialista, esses títulos continuam a ser recomendados em março. "São opções de investimento para diversificação de portfólio, pois os juros desses títulos estão rendendo na faixa de 5 a 6,5% ao ano, mais variação do IPCA", calcula Colombo.

 

 

A Bovespa encerrou o mês no terreno positivo, mas com uma alta comedida. No fechamento desta sexta-feira, o Ibovespa – principal índice de ações da Bolsa – acumulava valorização de 1,6%. A Bolsa iniciou o mês em queda após dados sobre as dívidas de alguns países europeus ganharem o noticiário e aumentarem o receio de um calote na dívida destas nações. "Depois, as bolsas começaram a se recuperar com o posicionamento da União Européia, no sentido de apoiar a Grécia", lembra Colombo.

 

As ações da Petrobrás continuam com desempenho inferior ao Ibovespa. As ações preferenciais (PN) subiram 1,29% no período. O projeto ainda indefinido de capitalização da empresa, que já pressiona o papel desde o ano passado, continuou a causar preocupação nos investidores. "Há um receio de que haja uma diluição potencial da participação dos minoritários que não participarem da oferta de ações, caso haja uma", avalia o analista da corretora Link, Max Bueno. Especialistas dizem que a tendência é que a partir de agora as ações passem a acompanhar a Bolsa.

 

As moedas também não foram um bom investimento em fevereiro. O euro desvalorizou-se 6% e ocupou a lanterninha dos investimentos. O dólar comercial recuou 4,19%. Acompanhando a desvalorização da moeda, os fundos cambiais tiveram queda de 1,4%.

 

 

 

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