Marcos Santos/USP Imagens
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10 ideias para falar sobre dinheiro com os filhos

Mesada ou semanada? Quando começar? Confira as dicas de especialista em educação financeira infantil

Mariana Congo, O Estado de S. Paulo

12 de outubro de 2015 | 03h00

Aprender a lidar - bem - com dinheiro é uma atividade que começa no berço. Os pais e familiares têm papel fundamental na educação financeira das crianças. Primeiro, pelo exemplo. Depois, pela maneira como incentivam os filhos a ganhar, poupar, gastar e doar dinheiro. 

Reunimos algumas recomendações da educadora financeira especializada em crianças Cássia D'Aquino. Confira:

1- Quando iniciar

A partir dos três anos de idade já é possível começar a dar moedas com regularidade para as crianças. Essa atitude ensina uma lição importante: saber esperar pelo dinheiro. Os pais podem explicar, usando um calendário, em qual dia da semana a criança vai receber a moeda.

Depois, aos 6 anos, os pais já podem iniciar a semanada de uma maneira mais organizada. "Nessa idade as crianças começam a desenvolver a habilidade da organização mental", diz Cássia.

2- Semanada é melhor

Até os 11 anos de idade é melhor os pais darem semanada em vez de mesada. Isso porque a criança ainda não domina muito a capacidade de abstração sobre o tempo. É mais fácil para a criança fazer um planejamento semanal do que mensal. O objetivo da semanada é que os pequenos façam seus primeiros experimentos com dinheiro. "Se a criança vai à falência ao longo da semana, ela já pode recomeçar em seguida", explica Cássia. 

3 - Quanto dar

Existe uma regra simples para calcular o valor da semanada: R$ 1 por idade por semana. Por exemplo, uma criança de 7 anos ganharia R$ 7 por semana. Esses valores semanais permitem que a criança faça tentativas de uso do dinheiro e aprenda a criar objetivos.

4 - Depois dos 11 anos

A partir dos 11 anos os pais já podem optar pela mesada em vez da semanada, pois a criança já compreende melhor a abstração temporal. Nessa faixa etária os gastos das crianças ficam maiores e os pais podem começar a passar, aos poucos, responsabilidades para os filhos cobrirem com a mesada. Quando o jovem já tem celular, por exemplo, a conta pode começar a ser paga com o dinheiro da mesada. 

5- O que pode e o que não pode

Seja na semanada ou na mesada, é imprescindível que os pais deixem claro para os filhos o que eles podem e o que não podem comprar com esse dinheiro. São regras elementares que organizam, por exemplo, se o dinheiro deverá ser usado para o lanche na escola, gastos com vestuário, brinquedos, passeios, e assim por diante.

6- Um cuidado importante

A educadora Cássia D'Aquino é contra a ideia de atrelar o ganho da semanada ou da mesada ao bom comportamento ou ao resultado do desempenho escolar da criança. Segundo ela, isso cria uma associação negativa entre dinheiro e afeto dos pais, além de criar um fator de tensão da criança em relação à escola. 

7- O exemplo dos pais pesa muito

Não adianta os pais darem lições positivas sobre dinheiro e fazerem o inverso. "De maneira geral, os filhos reproduzem o comportamento dos pais", diz Cássia.

8- Como lidar com tios e avós

O restante da família, como tios e avós, também interfere na educação financeira das crianças. Algum mimo de avós e tios faz parte, mas os pais precisam conversar com a família para deixar os limites claros. Se os avós insistem muito em dar dinheiro, os pais podem incentivá-los a abrir uma previdência privada em nome das crianças, por exemplo. 

9- Moedas, dinheiro ou cartões

É recomendado que os pais ensinem as crianças a trocarem moedas por notas, para que elas aprendam a manusear o dinheiro. Uma ideia é comprar uma carteira para os pequenos e transformar o ato de guardar o dinheiro com cuidado, sem amassar as notas, em uma responsabilidade. O cartão pré-pago não é indicado para as crianças, pois incentiva apenas o gasto do dinheiro e não ensina a poupar.

10 - Ganhar, poupar, gastar, doar

Segundo Cássia, lidar com o dinheiro envolve várias fases: saber ganhar, poupar, gastar e doar. Para ensinar aos filhos a ideia de ganhar dinheiro, é preciso que eles aprendam a solucionar problemas de forma ativa e saibam que têm talentos com os quais podem trabalhar. Se aparece um problema na casa, por exemplo, um vazamento de água. Os pais podem mostrar para a criança todo o processo de chamar o encanador, o trabalho do conserto e o resultado, de maneira que a criança comece a aprender como os adultos solucionam problemas. 

Para ensinar a poupar, a criança precisa ter a lição de que o uso do dinheiro precisa ser organizado em torno de objetivos e de prazeres: o dinheiro poupado hoje traz benefícios futuros. 

Na lição sobre gastar a criança deve entender quer cada escolha traz com ela uma consequência, pois não se pode ter tudo. "Esse é o conceito de custo de oportunidade", diz Cássia. 

E quando se fala em doar, isso não significa simplesmente doação de dinheiro, mas sim a noção de que dinheiro não é tudo na vida, de que os valores são mais importantes. Esse conceito aparece, por exemplo, quando os pais incentivam a criança a ensinar um irmão ou primo pequeno a fazer uma atividade, como a amarrar o tênis. Isso ensina o filho a doar seu tempo aos outros e mostra que o dinheiro não é tudo.

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