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Fábio Gallo
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A inflação não é a mesma para todos

Vários institutos definem métodos de cálculo diferentes para cada perfil de consumo; IPCA é usado para calcular rendimento de investimentos

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2017 | 05h00

Como calcular a taxa de inflação de um mês para saber quanto posso retirar dos rendimentos de minhas aplicações, preservando o principal?

Essa é a dúvida de muitos, mas não há uma medida de inflação que seja correta para todos. Isso porque a inflação significa a perda de poder de compra da moeda. Em outros termos, se no ano passado eu comprava uma geladeira por R$ 2 mil, passado um ano eu não vou conseguir comprar a mesma geladeira com essa mesma quantia.

Para medir a inflação, vários institutos definem primeiramente qual será a população a ser pesquisada. A seguir deve ser pesquisado como ocorre o consumo dessas famílias, quanto gastam com educação, com alimentação e com transporte. Um exemplo desse tipo de levantamento é a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE. Com base nesse orçamento é apurado o preço de cada item. A partir daí, periodicamente, é realizada uma pesquisa para saber se esses preços subiram.

A variação de preços é justamente a medida de inflação. Há outros diversos índices de inflação que medem os preços em outros tipos de mercado ou de público, exemplo: preços no atacado, na construção civil, entre outros. Por exemplo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é um índice que mede a carestia para as famílias com renda entre um e quarenta salários mínimos – esse é o índice oficial de inflação do País. Em resumo, não há um índice disponível somente para um indivíduo, a não ser que ele mesmo calcule os efeitos da inflação no seu bolso.

Mas, para facilitar, considere retirar somente o ganho real efetivo, descontando do ganho nominal a variação do IPCA, as taxas e o Imposto de Renda.

Tenho plano de previdência garantido pelo IGP-M. Caso a rentabilidade do índice fique abaixo da poupança, o plano garante o complemento na forma de excedente financeiro. Adicionalmente, o banco também repassa os ganhos com a aplicação dos recursos no mercado financeiro. Isso é o que está escrito no regulamento. No mês passado, o IGP-M foi negativo e houve retirada de R$ 2 mil de minha previdência. Não consigo entender esse regulamento. Tenho 55 anos, já posso me aposentar e meu plano é de renda vitalícia. Devo pedir a renda ou tirar o dinheiro aos poucos?

O que deve prevalecer é o contrato estabelecido. Uma primeira providência é procurar a seguradora responsável pelo seu plano para verificar por qual motivo esse valor foi sacado. Não acredito que seja em virtude da queda do IGP-M. Você deve buscar informações sobre todas as condições e desempenho da carteira. Esclarecendo os detalhes, você poderá saber se estão ou não seguindo as condições contratadas.

Os representantes das instituições financeiras têm a obrigação de explicar os detalhes e deixar o investidor confortável para que possa tomar decisões, inclusive a de saque ou da portabilidade dos recursos. Caso seu dinheiro estivesse em um fundo de renda fixa a explicação seria o come-cotas, que é a redução do número de suas cotas no fundo em virtude do pagamento de imposto de renda que ocorre em maio e novembro. Mas esse não é o caso de fundos de previdência.

Por outro lado, a decisão de estabelecer os benefícios de forma vitalícia ou sacar o saldo deve ocorrer a luz de sua condição familiar. Lembre-se que, na renda vitalícia, em caso de falecimento do titular, a obrigação da seguradora cessa de imediato e o saldo fica para a instituição. Há pessoas que, devido à sua estrutura familiar, preferem preservar o valor acumulado para transmitir ao cônjuge e filhos. Nesse caso, é melhor sacar o saldo.

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