Ações de consumo devem ser destaque

Ano deve ser de valorização mais modesta na Bolsa, dizem especialistas 

Yolanda Fordelone, da Economia & Negócios,

29 Janeiro 2010 | 20h49

Após um ano de alta significativa do mercado de ações, de 82,6%, a Bolsa de Valores de São Paulo começa 2010 com horizontes mais modestos. Segundo especialistas ouvidos pelo Portal Economia & Negócios, o Ibovespa - principal índice de ações brasileiro - deve chegar ao fim do ano no patamar de 80 mil. "Calculamos valor justo para o índice aos 81 mil pontos. Estamos falando num potencial de valorização bem menor", diz o responsável pela área de equity sales no Brasil do Bradesco, João Saldanha. A alta seria de quase 24%, se calculada a partir da pontuação do fechamento do pregão do dia 29 de janeiro (65.401 pontos).

 

"Tivemos uma queda muito grande em 2008, corrigida em 2009. Para alguns setores, a correção do preço continua em 2010", diz a estrategista da Ativa, Mônica Araújo, ao destacar o setor doméstico como sendo o foco do mercado. "Houve certo exagero em termos de vendas de ações em 2008. O horizonte para 2010 é positivo, mas boa parte da melhora da economia já foi antecipada no ano passado", comenta o gerente de pesquisas da Planner, Ricardo Martins.

 

A estrategista da Itaú Corretora, Cida Souza, concorda: "Nesse cenário de alta limitada, apostamos mais no mercado doméstico, principalmente as empresas que têm maior sensibilidade ao crescimento do PIB".

 

O bom momento vivido pelo país, que saiu do pior da crise com a imagem de uma economia mais fortalecida, só corrobora com a recomendação em empresas e setores voltados ao mercado interno. "Passamos por uma verdadeira mudança estrutural nos últimos anos", diz Mônica.

 

A alta da Bolsa, porém, deve se concentrar no primeiro semestre na visão da Itaú Corretora, que projeta Ibovespa de 85 mil pontos em 2010. "A Bolsa inicia o ano bem e encerra 2010 não tão bem quanto começou", diz Cida. "O fôlego da Bovespa deve se concentrar no primeiro semestre. No segundo semestre, o risco/retorno pode não ficar tão atraente, já que o juro estará num patamar maior, as eleições podem deixar o mercado mais volátil e as economias internacionais irão se recuperar mais fortemente." Veja abaixo as recomendações de sete corretoras para este ano.

 

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