Nilton Fukuda|Estadão
Nilton Fukuda|Estadão

Apesar do dólar alto, eletrônico chega a custar metade do preço nos EUA

Videogame, smartphone e câmera são os itens mais vantajosos; para produtos acima de US$ 500, é preciso incluir na conta o imposto de importação

Flavia Alemi, O Estado de S. Paulo

21 Dezembro 2015 | 03h00

Com uma alta de mais de 40% desde janeiro, o dólar se tornou um vilão para quem pretendia viajar aos Estados Unidos para fazer compras em 2015. A vantagem econômica foi reduzida de forma significativa, mas ainda é possível fazer bons negócios. No caso dos eletrônicos, há itens que saem pela metade do preço (ver galerias). E o ganho se mantém mesmo se for incluído na conta o imposto de importação sobre o valor que excede a cota de US$ 500 da alfândega. 

O benefício é maior nos produtos que foram lançados recentemente, como é o caso do iPhone 6S, apresentado ao público em outubro deste ano. A versão com 16GB de memória sai, em média, por R$ 3.999 nas lojas brasileiras, enquanto nos EUA custa R$ 2.673,88. Se considerado o pagamento de imposto na chegada ao Brasil, a diferença ainda é de R$ 943,68. 

Consoles de videogame, como o Playstation 4, também apresentam vantagem expressiva de preços lá fora. Nos EUA, o aparelho custa US$ 360, ou seja, não é nem necessário pagar taxa de importação, uma vez que ele entra na cota de US$ 500. Assim, o produto sai pelo equivalente a R$ 1.491 - R$ 709 mais barato que no Brasil.

Átila Graef, que trabalha na área de games, destaca que os itens que apresentam maior diferença de preço são os acessórios, como controles e headsets. Um exemplo disso é o controle do Playstation 4, que sai pela metade do valor se comprado lá fora. Além disso, há os itens “especiais”, como o controle arcade, um acessório mais indicado para jogos de luta. “Nos EUA, você encontra por US$ 150, mas no Brasil sempre passa de R$ 1 mil. São produtos pesados e quem importa sempre coloca uma margem de lucro alta”, explica.

Fora da caixa. Um “conselho” comum que se ouve entre os viajantes é tirar os produtos das caixas no retorno ao Brasil. Assim, eles supostamente não seriam considerados novos e escapariam dos impostos. De acordo com o auditor da Receita Federal Felipe Mendes, não é bem assim que funciona. 

“Não importa se está dentro ou fora da caixa. Os objetos que forem trazidos nas malas têm de ser compatíveis com a circunstância da viagem.” Ele admite, porém, que a execução da regra se torna subjetiva, uma vez que depende da interpretação do fiscal sobre a tal circunstância. “O universo de situações é muito amplo. Fica bastante complicado normatizar todas elas”, assume.

E é nessa margem interpretativa que os consumidores se apoiam ao sonegar o imposto de importação. A punição, caso a Receita decida vistoriar as malas com itens não declarados, é severa: além do imposto de 50% sobre o valor excedido, é cobrada uma multa na mesma quantia. 

À distância. Antes de decidir voar para os Estados Unidos, é primordial ponderar se vale a pena viajar com o intuito de fazer compras mais baratas. E isso deve ser feito na ponta do lápis, tendo em vista gastos com hotéis e passagens, além de alimentação. Por esse motivo, um movimento que cresceu neste ano de crise foi o serviço de compra à distância, além do tradicional pedido a familiares e amigos que já estão com viagens programadas.

A consultora Paula Laffront, que trabalha como personal shopper em Miami, verificou a mudança de comportamento, mas ressalta que as compras não foram interrompidas. “A diferença de preços continua muito vantajosa no setor de vestuário”, garante. “Principalmente para quem precisa fazer enxoval de bebê ou reformar o guarda roupa.”

O serviço funciona assim: o cliente aqui no Brasil faz uma lista dos produtos que deseja e entra em contato com a consultora. Ela se encarrega de encontrar os melhores preços e envia as compras para o Brasil via Correios. Quando chega aqui, a compra é desembaraçada via Imposto de Importação, com alíquota única de 60% sobre o valor aduaneiro. Resumindo: é preciso calcular.

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