Rafael Neddermeyeri/Fotos públicas
Rafael Neddermeyeri/Fotos públicas

Apreensão com prisão de Lula eleva retorno de títulos do Tesouro Direto

Título prefixado era negociado a 9,81% ao ano nesta sexta-feira; por conta da marcação a mercado, investidor deve aproveitar para comprar, e não para resgatar

Anna Carolina Papp, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2018 | 16h00

A apreensão do mercado quanto à iminência da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliada ao mau humor no cenário internacional – diante de um novo capítulo da guerra comercial entre Estados Unidos e China –, derrubou os preços e elevou a rentabilidade dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto  em relação às taxas de retorno ofertadas nesta quinta-feira. Com isso, especialistas explicam que trata-se de uma boa hora para comprar esses investimentos – e, por outro lado, um dia ruim para resgatá-los.

Títulos públicos são ativos de renda fixa emitidos pelo Tesouro Nacional para financiar a dívida pública do País. Há diferentes tipos de título: os prefixados, os atrelados à inflação e os atrelados à taxa Selic. Ao comprar um título público, é como se o investidor estivesse emprestando dinheiro ao governo – e recebendo juros por isso. Com a tensão dos mercados, porém, esses juros aumentaram nesta sexta-feira. 

Entre os títulos prefixados – nos quais o investidor já sabe de antemão quanto irá receber de juros –, o Tesouro Prefixado 2029, com juros semestrais, era negociado na tarde desta sexta-feira a 9,81% ao ano, ante 9,57% na quinta-feira.  Já o Tesouro Prefixado 2025 exibia retorno de 9,55%, ante 9,35% na véspera. Já o papel com vencimento em 2021 apresentava rentabilidade de 8,02%, levemente acima da taxa de 8% exibida na quinta-feira.

Entre os títulos indexados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2024 oferecia taxa retorno de 4,51% ao ano, ante 4,46% na quinta-feira. O Tesouro IPCA+ 2026, com juros semestrais, exibia juros de de 4,67%, acima dos 4,58% da véspera. Já o Tesouro IPCA+ 2035, com juros semestrais, era negociado a 5,11%, ante taxa de 5,04% na quinta-feira.

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Marcação a mercado. A mudança nos preços dos títulos públicos ocorre por conta da disparada dos juros futuros, que mexem com a chamada "marcação a mercado". 

A marcação a mercado é a atualização, normalmente diária, do preço de um ativo de renda fixa ou da cota de um fundo de investimento. Esse mecanismo permite que o investidor saiba quanto receberia hoje se vendesse aquele título ou aquela cota. Ou seja, com base na oferta e demanda por aquele papel, quanto o mercado está disposto a pagar por ele. 

"É um procedimento muito utilizado principalmente no cálculo das cotas de fundos de investimento. Todo dia, o fundo pode dizer quanto vale aquele ativo, que pode valorizar ou desvalorizar", explica Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper.

Nesta sexta-feira, por exemplo, como os mercados estão tensos por conta do cenário interno e externo, os preços dos títulos caem, elevando as taxas de retorno. Ou seja, com o aumento do chamado "risco País", paga-se um prêmio maior por um investimento cuja garantia é o governo.

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Os títulos prefixados e os atrelados à inflação sofrem com a marcação a mercado. Já os títulos pós-fixados não, pois têm liquidez diária e seguem sempre a taxa básica de juros – Selic.

Vale lembrar, no entanto, que o sobe e desce dos preços só é efetivado caso o investidor venda o título. Se ele se desvalorizar e o investidor seguir até o final do vencimento, não sofrerá com a oscilação e terá exata rentabilidade acordada no momento da compra do papel.

"Para quem está com um dinheiro reserva, hoje é um bom dia para comprar, pois os preços estão mais baratos e as taxas, mais altas", explica Rocha. "E o contrário: hoje não é um bom dia para resgatar títulos públicos ou vender cotas de fundos de renda fixa, pois estão desvalorizadas."

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