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‘Avanço da Bolsa agora depende da reforma da Previdência’, diz executivo

Sócio diretor da corretora ModalMais colapso nos preços dos ativos se não houver mudança na regra da aposentadoria

Entrevista com

Ronaldo Guimarães, sócio-diretor do ModalMais

Karla Spotorno, O Estado de S. Paulo

22 de abril de 2019 | 05h00

O banco digital ModalMais, do grupo Modal, que atende 490 mil clientes e tem R$ 6,5 bilhões sob custódia, conta com a aprovação da reforma da Previdência – cujo texto deve ser votado nesta semana na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara – para ver os investimentos na Bolsa avançarem. “A reforma vai passar. Temos uma visão construtiva para o Brasil por conta da agenda mais liberal do novo governo e por um movimento de descompressão do País depois de um longo período de aperto. Esse viés positivo não tem por que mudar”, afirma o sócio-diretor do banco, Ronaldo Guimarães. 

Para ele se a reforma for aprovada, o Brasil pode viver o melhor dos mundos, com atividade econômica caminhando para uma melhora e juros globais baixos, o que atrai investimentos para os emergentes. Sem isso, prevê um colapso nos preços dos ativos. No sentido contrário, ele diz que o investidor brasileiro tende a aumentar o interesse por oportunidades de investimento fora do País. Veja os principais trechos da entrevista ao Estadão/Broadcast.

Os fundos de crédito privado estão crescendo bastante. Não é preocupante ver o investidor conservador nesse tipo de aplicação?

Para o investidor que está saindo de um investimento conservador como a poupança, o fundo de crédito pode não ser o melhor canal. Para esse perfil, a indicação inicial pode ser um título indexado ao CDI, como um CDB ou uma LCI, uma LCA. Outro movimento relevante que vimos foi o fluxo para fundos de debêntures incentivadas, que têm oferecido rentabilidades ligeiramente acima do CDI. A questão é que o brasileiro está muito acostumado a olhar a cota dia a dia. E o horizonte de investimento tem de ser maior. Entendemos que, pelas condições de hoje, a taxa básica de juros no Brasil vai ficar permanentemente baixa.

Por ora, nada contraria a expectativa de Selic de um dígito por muitos anos, ainda que o IPCA de março tenha surpreendido (com alta de 0,75%), é isso?

Verdade, mas não foi nada demais. Além disso, saiu o projeto de autonomia do Banco Central, o que ajuda a garantir que a instituição não será politicamente pressionada.

Qual é a avaliação de vocês sobre o andamento da reforma da Previdência?

A reforma vai passar. Temos uma visão construtiva para o Brasil por conta da agenda mais liberal do novo governo e também por um movimento de descompressão do País depois de um longo período de aperto, queda de PIB. Esse viés positivo não tem por que mudar. Mesmo no ambiente externo o sinal ficou melhor. O fato de o Fed (Federal Reserve, banco central americano) ter anunciado que iria parar de elevar juros favoreceu os emergentes, incluindo o Brasil. O BCE (Banco Central Europeu) veio na mesma linha. A previsão é que os juros, que estão negativos, vão ficar em zero. Então, hoje, estamos praticamente reféns dos nossos próprios problemas. Precisamos aprovar a reforma de qualquer maneira. Até porque não consigo fazer projeção de preços de ativos brasileiros caso a reforma não passe ou seja pífia.

Por que não é possível fazer projeções de preços?

Porque os ativos vão entrar em parafuso. As pessoas vão começar a exigir muito prêmio para comprar Brasil. Não sei o que vai acontecer com a Bolsa sem a reforma da Previdência ou mesmo para onde vai o dólar.

A ModalMais tem quantos clientes ativos na plataforma de fundos?

Na plataforma digital temos 490 mil clientes ativos. Desses, 35,5 mil investem em fundos de diversas classes – cerca de 9% estão em fundos de Bolsa. Daqui para a frente, o fluxo de recursos para fundos de ações, multimercados, para Bolsa vai depender da reforma da Previdência. Os gestores estão começando a ficar mais pessimistas.

Algum produto ou estratégia nova deve ganhar força neste ano? Alguma gestora nova que vai entrar na plataforma?

Estamos chegando muito perto do que considero o tamanho ideal da carteira. Ter mais do que 300 fundos não traz uma grande vantagem comparativa. No fim desse ano, deveremos chegar a 300 fundos e mais 40 emissores de títulos de renda fixa, o que vai significar quase 450 produtos disponíveis para os clientes. É um grande hipermercado financeiro.

 

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