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Bancos sempre ganham dinheiro com nosso dinheiro

Uma das principais fontes de ganhos são as taxas cobradas dos clientes pelos serviços prestados

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

11 Fevereiro 2019 | 05h00

Tenho 72 anos, sou aposentado, viúvo, passei recentemente por quatro intervenções cirúrgicas e, portanto, não tenho muitas ambições futuras. Sempre tive uma vida simples, tenho uma boa aposentadoria que me sobra dinheiro. Quero deixar o que tenho para os meus filhos e netos. Em que devo aplicar? 

É difícil responder com certeza sem ter todos os dados em mãos. Mas, em resumo simples, LCI deve deixar um valor líquido maior para os beneficiários. Também não incide imposto de renda e não há custos. Mas há 4% de ITCMD e custos de inventário que podem chegar a 20% com advogados e taxas, além da demora em fechar a partilha. No plano de previdência privado VGBL há imposto de 27,5%, admitindo o regime progressivo, menor rentabilidade comparativamente, devido aos custos, que podem ser altos, mas não há gastos de partilha e há rapidez no recebimento. A sua preocupação é válida e, infelizmente, nem todas as pessoas pensam na sucessão de seus bens e acabam deixando uma série de problemas para a família ou, no mínimo, menos dinheiro do que poderia ter deixado. Investir em LCA ou em LCI proporciona bons rendimentos, tem garantia até de R$ 250 mil pelo FGC, são isentas de imposto de renda, mas há a incidência de ITCMC. A alíquota depende do Estado, no máximo é de 4% sobre o valor recebido, podendo haver isenções. Já o VGBL, por se tratar de um tipo de seguro, não traz a necessidade de declaração à Receita Estadual dos valores recebidos por sucessão. Não há previsão legal para incidência do ITCMD no caso de recebimento de valores via VGBL. Como já citei em outras ocasiões esse tipo de produto é especialmente indicado para o planejamento sucessório, pois no momento da contratação do VGBL, são definidos os herdeiros que irão receber o dinheiro que estiver de saldo no plano, descontado o imposto de renda.

Não gosto nem um pouco de ter de pagar uns R$ 70 como taxa de manutenção bancária, principalmente quando me lembro que passa bastante dinheiro pela minha conta. Quando reclamei junto à minha gerente, ela respondeu que eu estava enganado e que o banco não ganha nada com o dinheiro que eu deixo na conta. Não ganha nada mesmo? 

O banco sempre ganha com o nosso dinheiro, essa é a essência do negócio. As fontes de receitas dos bancos são várias. Os bancos comerciais recebem depósitos à vista, mas esse dinheiro não fica parado esperando pelo saque. São emprestados a empresas e pessoas físicas. Obviamente, há uma diferença entre o custo do dinheiro e o “preço” do empréstimo, o chamado spread bancário. Atualmente, o spread médio de recursos livres para pessoas físicas está perto de 35 pontos porcentuais. O banco não tem liberdade de emprestar todo o volume de dinheiro depositado. Uma parcela fica retida como depósito compulsório. Outra parte deve ser direcionada a fins específicos, como é o caso da caderneta de poupança, que direciona recurso para o crédito imobiliário. Mas uma parte fica livre para empréstimos. Parte dos depósitos à vista que não são remunerados são cedidos para quem está no cheque especial. Da mesma maneira, o banco tem receita oriunda de depósitos a prazo. Uma das principais fontes de ganhos são as taxas cobradas dos clientes pelos serviços prestados. Há tarifas de R$ 1,40 a R$ 80. Isso vale para os principais bancos de varejo. O preço dos pacotes de serviços varia muito. A dica é pesquisar bastante. Mas há serviços e pacotes padronizados que são gratuitos. Confira isso no site do Banco Central.

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