Barganhe com os bancos na hora de comprar plano de previdência

 Instituição tem interesse em fidelizar clientes com produto de longo prazo

Roberta Scrivano,

22 de fevereiro de 2010 | 08h22

A previdência privada virou febre no Brasil. Em 2005, havia sete milhões de planos no País, que totalizavam R$ 81,4 bilhões em ativos. Hoje, são quase 13 milhões de contratos, que somam R$ 180 bilhões. Para especialistas em finanças pessoais, um plano de previdência privada é de fato uma boa opção para garantir uma velhice tranquila. No entanto, alertam que é preciso muito cuidado ao fazer a escolha do produto.

O primeiro passo é não se deixar seduzir pela conversa do gerente do banco. "As pessoas têm de entender o que estão. comprando e não podem simplesmente se deixar levar pelo que o gerente está oferecendo", afirma Silvio Paixão, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

Os analistas ponderam que o comprador de um plano deve ter em mente duas questões para entender bem seu poder de barganha. Um plano de previdência, por definição, é um investimento de longo prazo. "Por isso, é uma forma de fidelizar o cliente e, ao mesmo tempo, capitalizar o banco", explica Alexandre Chaia, professor do Insper (ex-Ibmec São Paulo). Justamente por essa característica, as instituições financeiras têm feito grande esforço para vender planos, o que inclui estímulos para os funcionários.

Segundo os especialistas consultados para esta reportagem, planos de previdência são altamente recomendados para pessoas jovens ou que estão iniciando a carreira profissional. Quanto mais cedo o contribuinte começar a investir, melhor.

Assim, os esforços para atingir uma aposentadoria tranquila serão menores. "Um cidadão de 60 anos, por exemplo, só deve fazer um plano de previdência se for com o intuito de deixar os recursos aos seus filhos, por exemplo", esclarece Rogério Bastos, diretor da FinPlan, consultoria especializada em planejamento financeiro.

Renato Russo, vice-presidente Federação Nacional da Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), garante que o nível de reclamações nas ouvidorias dos bancos sobre insatisfações com planos de previdência é baixo. "Estamos bem longe de sermos campeões de reclamação."

O executivo admite, porém, que, no geral, as críticas relacionadas ao assunto são de clientes que, depois de terem fechado o contrato, percebem que não estão dentro do perfil adequado para um plano de longo prazo. "Mas esta não é uma característica da nossa indústria. Estamos atentos a isso."

Paixão, da Fipecafi, explica ainda que a previdência não deve ser a única ferramenta financeira usada para a aposentadoria. "O contribuinte deve mesclar seus investimentos. O ideal é ter uma previdência, uma carteira de ações ou imóveis para locar", sugere.

Bastos, da FinPlan, e Chaia, do Insper, concordam com o professor da Fipecafi. "Para pessoas com até 50 anos, recomendamos manter cerca de 30% dos investimentos na bolsa", diz Bastos.

Na hora de escolher onde iniciar uma previdência privada, o contribuinte precisa ter atenção aos custos anuais, como a taxa de administração e a de carregamento, que serão cobrados pela instituição financeira. "Nos bancos de varejo, a taxa de carregamento é de cerca de 4% e a de administração é de 2% do valor investido", diz Bastos. O especialista garante que é possível encontrar instituições que cobram apenas 1% de taxa de administração e isentam o contribuinte do pagamento do carregamento. "É preciso procurar."

No quesito previdência, o contribuinte pode escolher duas modalidades: o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) ou o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL). "No VGBL todos os perfis de contribuintes se enquadram", diz Paixão, da Fipecafi. "Para ter um PGBL, porém, é preciso se enquadrar em quatro itens: declaração de imposto de renda pelo formulário completo, renda tributável, IR a restituir ou a pagar e ser contribuinte no INSS".

O especialista salienta que os planos na modalidade PGBL permitem uma dedução de até 12% dos seus rendimentos tributáveis anuais, na hora de declarar o imposto de renda. A conta é simples: basta calcular seu rendimento anual, (salário dos 12 meses mais as bonificações, férias e décimo terceiro), separar 12% do total e investir no PGBL. "Desta forma é possível aproveitar a vantagem fiscal", diz.

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