Black Friday se prepara para apagar imagem de ‘Black Fraude’

Apesar do crescimento das vendas, dia de promoções ficou marcado pela maquiagem de descontos em 2012

Mariana Congo, Economia & Negócios

18 de novembro de 2013 | 19h57

SÃO PAULO - A maquiagem de descontos feita por algumas empresas na Black Friday em 2012 fez a frase "o dobro pela metade do preço" ficar marcada na memória de muitos consumidores. Reclamações e piadas pipocaram na internet e varejistas foram notificados por órgãos de defesa do consumidor. 

Apesar da imagem de "Black Fraude", o dia de megapromoções - cópia da tradição norte-americana - pegou no Brasil. Para 2013, alguns varejistas prometem descontos de até 80% na sexta-feira 29 de novembro. Segundo uma pesquisa realizada pelo aplicativo Pinion com mais de duas mil pessoas, a maior parte dos consumidores já conhece a Black Friday, mas nunca comprou na data (veja mais no gráfico). Além disso, a maioria (67%) participou somente de uma das edições. O evento ocorre desde 2010. Eletrônicos, como celulares e tablets, e eletrodomésticos estão no topo da lista de desejos. Metade dos compradores quer adiantar as compras de Natal.

Apesar da predisposição a gastar, a pesquisa mostra que a maioria (56%) ainda não tem certeza se vai comprar na data. Neste ano, são esperadas 120 empresas participantes no site oficial da Black Friday e um faturamento de R$ 340 milhões - crescimento de 56% ante os R$ 217 milhões faturados em 2012, segundo a ClearSale. 


Nova imagem. Diferente dos anos anteriores, varejistas e fornecedores estão se preparando para a Black Friday com mais antecedência, na avaliação de Pedro Eugenio, CEO do Busca Descontos e idealizador da data no País. A preparação para a Black Friday começou com seis meses de antecedência na Netshoes, e-commerce de artigos esportivos, por exemplo. A empresa espera que o site receba três vezes mais acessos no dia da promoção e promete descontos de até 70%. "É um caminhão de gente comprando" diz o CTO da Netshoes, Rodrigo Nasser. Para suportar o tráfego de dados e não prejudicar a experiência do consumidor, a empresa investiu na infraestrutura de servidores e na parceria com os fornecedores. "Nosso site não caiu na Black Friday em 2012", diz Nasser.

O consumidor também está mais atento. "Analisando as pesquisas feitas em sites como o Google, percebemos uma procura maior por termos relacionados à data e às ofertas", afirma Pedro Eugenio. Segundo a pesquisa da Pinion, 71% dos consumidores afirmam que procuram se informar com antecedência sobre os produtos que desejam comprar.

Black Fraude? Lentidão e sites fora do ar, estoque insuficiente, entrega demorada e mau atendimento também foram problemas enfrentados no evento passado. Para limpar a imagem de "Black Fraude", a organização fez parcerias neste ano.

O site Reclame Aqui terá um canal direto para registro de reclamações no site da Black Friday, que serão encaminhadas aos varejistas. Outra parceria, com a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara E-Net), resultou na publicação de um código de ética com orientações para as empresas sobre como se preparar para o evento. Isso inclui, por exemplo, questões de infraestrutura de servidores, planejamento de descontos e da divulgação das promoções."É um aprendizado para o e-commerce em geral", diz Pedro Eugenio. Para acompanhar os preços, o Instituto Sieve fará um monitoramento da veracidade das ofertas.

O Procon-SP afirma que tem conversado com grandes varejistas para que os consumidores não voltem a enfrentar os mesmos problemas "amadores" dos anos anteriores. "Ninguém está exigindo que as empresas façam essas grandes ações promocionais, mas se elas querem fazer, precisam ter responsabilidade, para que o consumidor não enfrente problemas", diz Renan Ferraciolli, assessor chefe do Procon-SP. Segundo ele, o consumidor também deve ter atitude e não voltar a comprar em sites duvidosos.

Para lembrar. A maquiagem de preços percebida pelos consumidores foi comprovada em pesquisa na Black Friday 2012. Na época, o Programa de Administração de Varejo (Provar) analisou 1.700 produtos e mostrou que somente 48 deles tiveram, de fato, redução de preço no dia do evento. A pesquisa será repetida neste ano. 

No site Reclame Aqui foram registradas mais de 8 mil reclamações de consumidores na Black Friday 2012 e no dia seguinte (23 e 24 de novembro). Propaganda enganosa foi o principal problema relatado (47%), seguido por site lento ou fora do ar (28%).

O Procon-SP autuou sete empresas por maquiagem de descontos na Black Friday 2012: Saraiva, SBF, Dell, Carrefour, Girafa Comércio Eletrônico, Fast Shop e Magazine Luiza. O processos administrativos ainda correm, mas as empresas podem pagar multa de até R$ 7 milhões, de acordo com o porte e a gravidade da ocorrência. (Colaboração de Mateus Andrighetto Tamiozzo e Marco Antônio Carvalho, especial para o Estado)

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