Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Bolsa é oportunidade para longo prazo

Setor financeiro, exportadoras e varejistas menos afetadas pela crise lideram recomendações, mas investidor deve olhar para além

Bianca Pinto Lima, O Estado de S. Paulo

31 Dezembro 2015 | 06h00

SÃO PAULO - A renda fixa domina as carteiras de investimento para 2016, mas a Bolsa não pode ser ignorada se o foco for o longo prazo. Para quem quer fazer uma aplicação para o filho, por exemplo, é um bom momento para comprar as ações aos poucos e, assim, aproveitar o período de baixa. A receita é ter tranquilidade para suportar as fortes oscilações, a cada nova incerteza nas esferas política e econômica, e muita cautela na seleção dos papéis.

As recomendações de analistas giram em torno de três tipos de empresas: as que se beneficiam dos juros altos; as que ganham com a valorização do dólar, seja por serem exportadoras ou terem operações internacionais diversificadas; e as que vendem itens essenciais e, portanto, são menos afetadas pela recessão, como o varejo farmacêutico e de alimentos.

Defesa. “São papéis bem defensivos e que têm particularidades que os farão sofrer menos nesse cenário incerto de 2016”, diz Sandra Peres, analista-chefe da corretora Coinvalores. Dentro desses setores, no entanto, é fundamental olhar cada empresa individualmente. 

Fugir da composição do Ibovespa também é um conselho recorrente, uma vez que o índice ainda é muito concentrado no setor de commodities, que sofre com a desaceleração da China e a queda dos preços. Os desempenhos recentes do índice confirmam o mau momento: em 2015, a queda foi de 13,3%, após um recuo de 2,91% em 2014 e de um tombo de 15,5% em 2013.

Nesse período de três anos, o principal índice da Bolsa despencou dos 60 mil pontos para um patamar abaixo de 44 mil. Mesmo assim, muitos analistas ainda não classificam o mercado brasileiro como barato. “A relação entre preço e lucro (das ações) está igual à média dos últimos sete anos, então a Bolsa não está cara nem barata. Mas alguns papéis estão bem descontados”, afirma Ronaldo Patah, estrategista do banco UBS. 

Três ações lideram as sugestões das seis corretoras e um banco ouvidos pelo Estado: Ambev, Itaú Unibanco e Cielo (veja a carteira completa abaixo). Esses papéis já faziam parte da maioria das carteiras do ano passado e permanecem como as grandes apostas. “O ano de 2016 será um espelho de 2015. A não ser que aconteça algo fora da curva, como o impeachment da presidente Dilma Rousseff”, comenta o analista-chefe da corretora Magliano Henrique Kleine, ao reforçar o cenário de juros e dólar altos e atividade econômica em queda.

O desempenho dos nove papéis mais recomendados para 2016, no entanto, é bem diferente. No acumulado do ano, a empresa de papel e celulose Suzano tem valorização de 72,7%, impulsionada pela variação cambial, enquanto o Grupo Pão de Açúcar aparece no extremo oposto, com recuo de 56,9%. O Estado consultou o banco UBS e as corretoras Ativa, Rico, Coinvalores, Socopa, Magliano e Guide. 

As ações mais recomendadas

Ambev ON

Recomendações: ✭✭✭✭

Variação em 2015: ▲12,99%

A fabricante de bebidas produz em larga escala e tem uma crescente fatia do mercado doméstico, o que permite uma melhor gestão de custos. Mesmo com o aumento de impostos para o segmento neste ano e o cenário mais desafiador para o consumo, os analistas destacam os seus bons resultados. Além disso, a Ambev continua avançando no exterior, principalmente na América Central e Caribe, de acordo com Sandra Peres, analista-chefe da Coinvalores. 

Itaú Unibanco PN

Recomendações: ✭✭✭✭

Variação em 2015: -12,48%

A corretora Rico destaca os “excelentes” resultados trimestrais do maior banco privado do País, que vem se beneficiando do aumento da taxa básica de juros e do forte avanço nas receitas de tarifas e serviços. Em 2015, no entanto, o papel sofreu com a menor demanda por crédito, o aumento de impostos para o setor e a perspectiva de avanço da inadimplência, em função do quadro do emprego. "Grande parte dessas questões negativas já está no preço da ação”, pondera Roberto Indech, da Rico.

Cielo ON

Recomendações: ✭✭✭✭

Variação em 2015: -1,47%

Segundo os analistas, a empresa está capitalizada e tem um bom controle de custos. Mesmo com uma queda marginal devido à crise, o volume de operações com cartões de crédito e débito continua representativo no País. “Enxergamos potencial de valorização de 21% para o papel”, destaca relatório da Socopa. Essa queda no volume de operações deve ser compensada, de acordo com a corretora, por uma melhor dinâmica de preços e um forte crescimento de receita com a antecipação de recebíveis. 

Suzano PNA

Recomendações: ✭✭✭

Variação em 2015: ▲72,73%

Exportadora de celulose, a Suzano ganha com a alta da commodity e com a valorização do dólar e ainda tem um cronograma agressivo de investimentos. 

Ultrapar ON

Recomendações: ✭✭✭

Variação em 2015: ▲20,36%

A diversificação dos negócios é o principal ponto positivo. Além da venda de combustíveis, a empresa entrou no varejo farmacêutico, que tem tido forte expansão.

BR Foods ON

Recomendações: ✭✭✭

Variação em 2015: -11,45%

A gigante do setor alimentício ainda se beneficia das sinergias entre Sadia e Perdigão. E tem forte participação no mercado externo, ganhando com o dólar.

Bradesco PN

Recomendações: ✭✭✭

Variação em 2015: -30,05%

Possui ampla rede de agências e base de clientes diversificada. Assim como o Itaú, a ação sofreu em 2015 devido às perspectivas para crédito e inadimplência. 

Pão de Açúcar PN

Recomendações: ✭✭✭

Variação em 2015: -56,94%

O grupo é afetado pela retração econômica, forte concorrência e participação na Via Varejo. Mas a ação tem preço atrativo e bons fundamentos.

Raia Drogasil ON

Recomendações: ✭✭

Variação em 2015: ▲41,88%

O setor farmacêutico é o único segmento do varejo com aumento de vendas. É uma ação bem defensiva, que deve sofrer menos em meio à crise.

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