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Bolsa lidera ranking de investimentos de abril

Retomada da Bovespa, que avançou 9,93%, foi puxada pelo desempenho de Petrobrás e Vale; dólar comercial ficou na lanterna com queda de 5,94%

ANNA CAROLINA PAPP E LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S. Paulo

30 de abril de 2015 | 17h29

A Bolsa foi a aplicação mais rentável para o investidor em abril. Depois de ter fechado o mês anterior no vermelho, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) – principal termômetro do mercado acionário brasileiro - avançou 9,93% em abril. No ano, a valorização é de 12,44%. Na lanterna das aplicações no mês ficou o dólar comercial, que recuou 5,94% – embora acumule alta de 13,37% em 2015

A retomada da Bovespa foi puxada pelo desempenho favorável das ações da Petrobrás e da Vale. "Essas empresas têm um peso importante no nosso índice; então, como suas ações estavam em patamares muito baixos, tiveram altas expressivas e puxaram a Bolsa para cima. Isso ocorre mesmo com a divulgação dos resultados negativos da Vale, pois eles já tinham sido antecipados pelo mercado", explica Fabio Colombo, administrador de investimentos. A mineradora anunciou ontem prejuízo de R$ 9,5 bilhões no primeiro trimestre, porém suas ações ordinárias (ON) tiveram alta de 29,79% no mês, e as da Petrobrás, de 48,72%.

Neste mês, a Petrobrás publicou seu balanço de 2014 auditado e com as perdas por corrupção apuradas em R$ 6,2 bilhões. Depois de meses de atraso, publicação do documento trouxe alívio ao mercado e as ações tiveram bom desempenho. Já a empolgação dos investidores com a Vale tem relação com a alta do preço do minério de ferro no mercado exterior.

A valorização da Bolsa também foi influenciada pelo cenário internacional. "As bolsas ao redor do mundo tiveram um bom desempenho em função de as expectativas de aumento de juros nos Estados Unidos ficarem mais distantes, já que o crescimento americano não está sendo tão forte", diz Colombo. "Isso também fez com que o dólar se desvalorizasse frente às principais moedas", observa.

Ganho real. Em 2015, o investidor precisou sair da zona de conforto para conseguir ganhos acima da inflação nas aplicações financeiras. No acumulado do ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) – a prévia da inflação – marcou 4,61% e superou a rentabilidade dos investimentos considerados mais tradicionais e que costumam compor o portfólio do investidor brasileiro.

"Neste início de ano, as aplicações conservadores perderam da inflação", afirma Michael Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper. "Quem investiu no CDI puro, por exemplo, não teve ganho real."

Os dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) – embora não contemplem todo o mês de abril – mostram que um dos destaques de 2015 tem sido o investimento no exterior. Esse tipo de aplicação teve rendimento de 18,09% no acumulado do ano. Os fundos cambiais também se destacaram, com alta de 10,26%.

A melhora do mercado de ações também trouxe bons resultados para os fundos indexados ao Ibovespa, que têm de replicar a composição do índice. No ano, a alta é 10,11%. "A Bolsa é sempre um elemento para a diversificação. No momento, acredito que ela está um pouco arriscada por causa do cenário incerto", diz Viriato. "Mas os fundos de ações e dividendos podem funcionar como uma porta de entrada para o investidor na Bolsa."Futuro. A tendência é de que a inflação comece a ceder nos próximos meses e, diante desse cenário, o investidor poderá aproveitar a alta da taxa básica de juros (Selic). Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu elevar a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 13,25% ao ano.

"A renda fixa continua acompanhando o aumento da taxa básica de juros pelo Banco Central. Mas se comparada com a inflação do período, ela ainda está perdendo. O investidor tem de olhar um pouco mais para frente, quando a inflação baixar e esse ganho se materializar em termos reais", diz Colombo.

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