Bolsa repete tendência e tem novo mês de perdas

 Renda fixa, mais uma vez, mostrou-se mais rentável quando comparada aos investimentos de risco

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

31 de maio de 2011 | 18h42

O cenário de renda variável negativa e aplicações conservadoras entre as melhores opções de investimento se repetiu em maio. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve a pior rentabilidade de maio, com perdas de 2,29%.

"A queda chegou a ser pior, mas se diminuiu na última semana com a recuperação da situação fiscal na Europa", diz o analista-chefe da corretora Concórdia, Leonardo Zanfelício. Entre os motivos, o especialista cita a piora da situação fiscal da Grécia, a pressão inflacionária nos países emergentes e as consequentes medidas contracionistas que estão sendo adotadas e podem diminuir o crescimento destes. "Outro fato importante foi a denúncia contra o ministro Palocci. Esses fatos, em conjunto com o cenário internacional, levaram a bolsa brasileira a oscilar muito", diz o administrador de investimentos, Fábio Colombo.

Com a queda de maio, a bolsa já acumula perda de 6,76% no ano. Petrobrás e Vale puxam a desvalorização. As ações mais líquidas do mercado acompanham a queda do preço das commodities. Ao longo de 2011, a troca de direção na Vale e as incertezas quanto à capitalização e exploração do pré-sal por parte da Petrobrás fez as ações caírem 5,71% e 10,02%, respectivamente.

Para os próximos meses, a perspectiva não é de grandes altas, apenas valorizações pontuais. "Estamos indicando bancos, energia elétrica e consumo interno", diz Zanfelício.

Especialistas recomendam compras graduais de ações, a fim de adquirir os papéis em momentos de baixa e de alta do mercado, fazendo um preço-médio. "Neste cenário bem especulativo há pouca análise fundamentalista e bastante análise gráfica", compara o professor e coordenador de gestão financeira e ciências contábeis da Veris Faculdades, do Grupo Ibmec Educacional, Fabrício Pessato Ferreira.

O ouro, que teve recuo de 0,88% em maio e de 3,90 desde janeiro, não é indicado para pessoas físicas, segundo especialistas. Além de ter pouca liquidez, em geral, os contratos negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros têm valor alto.

Renda fixa, DI e poupança

Entre as aplicações conservadoras mais tradicionais, os fundos de renda fixa se saíram melhor, com alta de 0,85% em maio. "Os fundos DI alocam boa parte da carteira em títulos pós-fixados e o juro futuro, apesar de ainda indicar uma alta, tem se ajustado para baixo", diz Ferreira para justificar o melhor desempenho dos fundos de renda fixa diante dos DI (alta de 0,79% no mês).

A taxa básica de juros (Selic), atualmente em 12% ao ano, deve ter novas altas até o fim de 2011. Assim, a rentabilidade nos fundos DI ainda vai subir mais, mas não muito, segundo especialistas. "Vai chegar a 12,5%, estourando 13%, dependendo da taxa de administração", calcula o professor. O retorno em relação a renda fixa tende a ficar cada vez mais próximo.

Os CDBs, cuja rentabilidade teve variação entre 0,59% e 0,73% em maio, são recomendados para quantias a partir de R$ 10 mil, pois quanto maior a carteira do investidor melhor o juro pago pelos bancos.

A caderneta de poupança, que teve retorno de 0,66%, continua a ser indicada para fazer reservas de valor.

Moedas

As duas principais moedas negociadas no mercado cambial registraram alta modestas no mês de maio. O euro ganhou 0,26% e o dólar teve leve alta de 0,32%.

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