TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Bolsa sai da lanterna e lidera investimentos em outubro

Fundos de ações se destacaram; dólar registrou queda de 2,25% no mês, mas alta em 2015 é de 45%

Mariana Congo, O Estado de S. Paulo

30 Outubro 2015 | 20h35

Dólar e Bolsa inverteram posições em outubro. O Ibovespa valorizou 1,80% neste mês e ficou no topo do ranking de investimentos. O movimento foi o inverso de setembro, quando a Bolsa amargou e ficou na última posição. No ano, a Bolsa cai 8,28%.

Já o dólar, contrariando o movimento de valorização consistente ao longo do ano, caiu 2,25% em outubro. Apesar disso, acumula alta de 45% em 2015.  

Os investidores evitam fazer grandes operações com dólar diante das incertezas políticas e econômicas, incluindo nessa conta os sinais do Federal Reserve (o Fed, banco central dos Estados Unidos).

Nesta semana, o Fed manteve as taxas de juros mas deu indicações de que vai aumentá-las em dezembro. Isso pode pressionar a subida do dólar nos próximos meses, num movimento de fuga de países emergentes rumo aos Estados Unidos.

"O mercado deve continuar na defensiva", disse o operador de câmbio da corretora Spinelli José Carlos Amado à Reuters. "O mercado vai olhar mais para o cenário interno. Se a situação no Congresso continuar difícil, o dólar pode voltar a encostar em R$ 4", acrescentou.

Bovespa. A subida da Bolsa em outubro pode ser dividida em dois momentos, segundo o analista da Rico Corretora, Leandro Martins. "Na primeira quinzena a Bolsa foi muito bem, principalmente com Vale. A segunda quinzena foi de correção e voltamos praticamente ao ponto em que iniciamos o mês. Vamos aguardar novembro para ver se conseguiremos voltar a testar o rompimento dos 50 mil pontos, igual ao que ocorreu no meados deste mês", diz o analista.

O Ibovespa fechou esta sexta-feira, 30, em alta de 0,53%, aos 45.868 pontos. As ações preferenciais da Vale subiram 7,64% no mês e as ordinárias valorizaram 4,83%.

Petrobrás também foi destaque, com alta de 7,04% nas preferenciais e de 10,30% nas ações ordinárias.

Capturando o movimento positivo no mercado acionários, os fundos de ações indexados subiram 4,28% em outubro, mês em que as novas de regras dos fundos de investimentos entraram em vigor. 

O movimento na Bolsa continua puxado pelos investidores estrangeiros, que representam cerca de 55% do total. Na visão da estrategista de mercado global do J.P. Morgan, Gabriela Santos, a alta do Ibovespa em outubro vai em linha com o comportamento de outras bolsas de países emergentes no mês. 

"Agosto e setembro foram muito difíceis para as bolsas de emergentes, foram meses de muita aversão ao risco e preocupações com China. Mas em outubro vimos uma estabilidade, com investidores voltando a tomar risco", afirma Gabriela. Segundo ela, neste mês a China deu sinalizações de que o "pouso forçado" de sua economia não será tão brusco.

De acordo com Gabriela, o investidor estrangeiro tem perguntado muito sobre o Brasil e ainda há a dúvidas sobre se as ações estão realmente baratas por aqui. "A visão é de que a Bolsa ainda não precificou totalmente a recessão deste e do próximo ano, enquanto a renda fixa sim."

Os fundos de renda fixa simples acumularam alta de 0,99% no mês. 

Poupanças com aniversário em 1º de novembro renderam 0,73%. O ouro (lote padrão de 250 gramas) teve queda de 0,53% na cotação. As aplicações bancárias em CDBs (até R$ 100 mil) caíram 0,79% em outubro.

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