Infográfico/Estadão
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Bolsa volátil exigirá cautela do investidor

Ações de bancos e empresas exportadoras lideram as recomendações para 2015, em meio a cenário de incertezas e forte oscilação

BIANCA PINTO LIMA, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2015 | 02h02

Investir em ações de empresas brasileiras será uma árdua tarefa em 2015. O preço dos ativos continuará volátil, em meio a um cenário doméstico de baixo crescimento, incertezas sobre a política econômica e juros em alta.

As instabilidades no mercado externo também prometem exercer forte influência sobre o preço dos papéis. Entre os fatores de risco estão a crise na Rússia, a mudança de política monetária nos Estados Unidos e a queda no preço das commodities.

"Entramos em 2015 um pouco melhor do que em 2014, mas ainda temos um mundo hostil ao Brasil", afirma o economista-chefe da corretora TOV, Pedro Paulo Silveira.

Ele destaca as eleições e a Copa como ingredientes de grande instabilidade em 2014. Após oscilar entre os extremos de 44 mil e 61 mil pontos, o Ibovespa fechou o ano com desvalorização de 3%. Em dezembro, o tombo foi ainda maior, de quase 9%. "A volatilidade continuará alta", alerta Silveira.

Neste contexto, os setores preferidos das corretoras são o financeiro (com destaque para os bancos) e o exportador. Além das empresas que pagam bons dividendos, consideradas defensivas em meio à piora macroeconômica do País.

"Os bancos não vão ganhar tanto dinheiro quanto se o Brasil estivesse crescendo, mas vão se beneficiar da alta dos juros", explica o economista e presidente da Magliano Corretora, Raymundo Magliano Neto. As ações de Bradesco, Itaú, Cielo e Cetip estão entre as recomendações para o setor.

Outros ativos que podem ter bom desempenho são as empresas exportadoras ou com operações internacionais diversificadas. O objetivo é capturar a tendência de longo prazo de depreciação do real e fugir da desaceleração econômica no Brasil. Na lista estão Ambev, Embraer, BR Foods, Suzano e Fibria.

A mineradora Vale, que tem um dos papéis mais negociados do Ibovespa, fica de fora por conta do preço do minério, segundo a avaliação da Magliano Corretora. A commodity saiu de US$ 135 por tonelada no fim de 2013 para cerca de US$ 70, o menor patamar em cinco anos.

O papel da Petrobrás, apesar de estar barato em relação ao valor patrimonial, é indicado apenas aos investidores profissionais, uma vez que o futuro da estatal segue incerto e os riscos são grandes. "A pessoa física não consegue sair rapidamente da posição, então fica sujeita a fortes perdas", alerta Neto.

Já as empresas de educação, que até o fim de 2014 integravam as carteiras recomendadas, passaram a ser vistas com cautela. Após o anúncio de restrições ao Fies, o programa do governo de financiamento ao ensino superior, as ações de Estácio, Kroton, Anima Educação e Ser Educacional iniciaram 2015 com fortes perdas.

Surpresas positivas. Michael Viriato, coordenador do Laboratório de Finanças do Insper, lembra que o mercado trabalha com expectativas e que a descrença em relação a 2015 já está refletida nos preços. "Dado o forte pessimismo atual, acredito que as surpresas tendem a ser positivas."

Ele vê o mercado acionário como um bom investimento para este ano, principalmente para quem ainda está fora da Bolsa. Mas recomenda que o investidor aloque um porcentual pequeno do capital.

Para os mais conservadores, essa fatia deve ser de no máximo 5%. Já quem tem maior afeição ao risco pode colocar até 10%, enquanto os mais arrojados devem chegar a 15% e aumentar gradualmente.

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