Bovespa amarga queda de 3,94% em janeiro

Desempenho da renda fixa no mês foi bom e, com a alta da Selic, vai melhorar, segundo especialistas

Roberta Scrivano, de O Estado de S. Paulo,

31 de janeiro de 2011 | 19h12

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) começou o ano com o pé esquerdo. Em janeiro, o principal índice da bolsa, o Ibovespa, registrou recuo de 3,94%, o que colocou as ações no penúltimo lugar do ranking de investimentos do mês.

Segundo especialistas, os motivos para o desempenho ruim vão desde as incertezas sobre o rumo do País com a presidente Dilma Rousseff até turbulências internacionais, que também derrubaram as bolsas de outros países.

Outro fator citado por especialistas como relevante para o arranjo do ranking em janeiro é a alta da taxa básica de juros (Selic) definida neste mês pela nova equipe econômica que compõe o Banco Central (BC). "E o juro vai continuar subindo neste ano. A previsão do BC é chegar em 12,5%, um número conservador", diz Evaldo Alves, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Quanto mais alto estiver o juro, melhor é a rentabilidade dos investimentos em renda fixa. "A atratividade da renda fixa no Brasil é inabalável", considera Willian Eid Júnior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV.

A ausência de risco nessa modalidade de aplicação, afasta os investidores de alternativas como a bolsa. "A renda fixa está presenteando o investidor isso também tira o apetite do investidor por risco", completa Antonio de Julio, educador financeiro da MoneyFit.

Em janeiro, nenhum investimento superou a inflação medida pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) de 0,79%. Fábio Colombo, administrador de investimentos, considera os títulos indexados ao IGP-M boas opções para diversificação de portfólio. "Porque esses títulos estão rendendo na faixa de 5,5% ao ano, mais variação do IGP-M", detalha.

No segundo lugar da listagem aparecem os fundos de renda fixa que tiveram ganhos de 0,71% no mês. Na sequência aparecem os fundos DI e os Certificados de Depósitos Bancários CDBs com aplicação superior a R$ 100 mil, com rentabilidade de 0,67%.

Fundos DI uma posição abaixo dos de renda fixa não é algo comum no ranking de investimentos. Colombo explica que a inflação em alta prejudica o rendimento dos DI. "Em fevereiro, o rendimento bruto será na faixa de 0,60 a 0,90%, dependendo da taxa de administração do fundo", projeta Colombo.

Especialistas em finanças pessoais sempre reforçam a importância de haver uma pesquisa minuciosa antes de adquirir algum desses produtos. O foco da procura deve ser basicamente taxas de administração baixas ou a rentabilidade da aplicação é corroída por esse custo.

Os CDBs com investimento menor que R$ 100 mil tiveram a pior rentabilidade da renda fixa, com ganho de 0,35%. Eid, da FGV, no entanto, acha que os CDBs pós-fixados (ou seja, que levam em consideração a taxa de juros que virá) são boas opções de aplicação daqui para frente.

O dólar comercial demonstrou alta de 0,60% no primeiro mês do ano. Colombo considera o resultado bom.

"Continua como opção para diversificação de portfólio, como uma forma de seguro para investidores com perfil conservador e moderado, com visão de longo prazo, caso o cenário continue incerto como está", detalha o administrador de investimentos.

O ouro ficou na lanterna do ranking dos investimentos do mês, atrás apenas da Bovespa. "De agosto até dezembro o ouro subiu 25%. É uma alta muito forte. A queda de agora representa uma porção de investidores realizando lucro (ou seja, vendendo)", considera Julio.

Eid, da FGV, salienta que "ouro não é investimento para a classe média."

Apesar do recuo e da recomendação dada por Eid, Fábio Colombo considera o ouro, assim como os fundos cambiais, "uma opção conservadora para diversificação."

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