Bovespa vai da lanterna ao topo do ranking dos investimentos em julho

No mês, Bolsa de Valores liderou a lista das aplicações, com ganho de 10,80%

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

30 de julho de 2010 | 17h24

O começo do segundo semestre marcou uma virada de tendência entre os investimentos. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que ocupava a lanterninha do ranking mensal há três meses, liderou as aplicações em julho, com alta de 10,80%, aos 67.515 pontos. A valorização é a maior desde maio de 2009, quando a Bovespa havia subido 12,5%. O ouro, por sua vez, caiu da liderança dos meses anteriores ao último lugar. Em julho, recuou 3,10%.

Apesar da recuperação da Bolsa em julho, no acumulado do ano ela é a única aplicação negativa (-1,56%). O ouro lidera os investimentos, em alta de 15,81%. O metal, inclusive, é a única aplicação a ganhar da inflação do varejo, medida pelo Índice Geral de Preços ao Mercado. O IGP-M subiu 5,85% em 2010.

"No primeiro semestre uma série de dúvidas, inclusive com a política fiscal de alguns países da Europa, impactou a bolsa", lembra o economista da Gradual, André Perfeito. "O teste de estresse feitos com os bancos, na minha opinião, sepultou o receio que já vinha diminuindo."

Em geral, as bolsas do mundo todo tiveram uma recuperação em julho e o mercado brasileiro acompanhou a tendência. "As bolsas mundiais tiveram bom desempenho ao redor do mundo, devido à melhora das expectativas em relação à economia mundial", diz o administrador de carteiras, Fábio Colombo.

O avanço da Bolsa em 2009 também é apontado como um dos motivos para o mau desempenho na primeira metade do ano. No ano passado, a Bovespa subiu 82,65% e, para especialistas, era natural que houvesse uma parada técnica para os investidores venderem suas ações e embolsarem os lucros, o que no jargão do mercado é chamado de realização de lucros.

Para os próximos meses, o mercado se mantém otimista. Em suas projeções, Colombo projeta que a Bovespa possa atingir uma máxima de 86 mil pontos em 12 meses. "A leitura da economia em geral está mais positiva. A própria projeção para o PIB [Produto Interno Bruto] já foi revisada em várias casas, para acima de 7%", diz Perfeito.

Carteira conservadora

A rentabilidade das aplicações que acompanham a taxa básica de juros e a caderneta de poupança teve uma melhora em julho, já refletindo as altas que a Selic (taxa básica que baliza as aplicações de renda fixa) sofreu nos últimos meses. A caderneta, por exemplo, que havia rendido 0,56% em junho avançou 0,62% em julho.

A expectativa, porém, é que a partir de agora o retorno desse grupo de aplicações se mantenha no mesmo patamar. "Acreditamos que a Selic deva sofrer uma alta de no máximo 0,5% até o fim do ano, algo que já está precificado nos títulos públicos de renda fixa", avalia o economista da Gradual.

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