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Busca por retornos maiores amplia procura de investidor por debêntures

Entre janeiro e agosto deste ano, emissão de títulos foi R$ 10 bilhões superior à de igual período de 2016

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2017 | 05h00

De um lado, as empresas que querem captar recursos a taxas mais baixas em um cenário de restrição de crédito. Do outro, o investidor que ensaia seus primeiros passos rumo ao risco em busca de retornos maiores. Com a trajetória de queda da taxa de juros, as debêntures, sobretudo as isentas de imposto, aparecem como alternativa para diversificar as carteiras. Mas exigem atenção do investidor, que precisa fazer a lição de casa antes de escolher o melhor papel.

Debêntures são títulos de renda fixa que as empresas emitem para financiar seus projetos e operações. Quem compra esse título, portanto, empresta dinheiro para a companhia. Por ser uma aplicação de maior risco, esses papéis costumam pagar juros maiores do que outras aplicações em renda fixa, como títulos públicos e CDBs. Ainda assim, é vantajoso para as empresas, que captam recursos a juros mais baratos do que nos bancos.

De janeiro a agosto foram emitidos R$ 40,6 bilhões em debêntures – R$ 10 bilhões a mais do que no mesmo período do ano passado. Já as chamadas debêntures incentivadas, restritas a projetos de infraestrutura e isentas de Imposto de Renda para a pessoa física, movimentaram três vezes o volume registrado nos primeiros oito meses de 2016. Diversas empresas anunciaram emissões no segundo semestre, como Petrobrás, Natura e CPFL Paulista.

O corte na taxa básica de juros (Selic) também impacta a rentabilidade das debêntures, que têm uma parte prefixada e outra atrelada a um indicador, como o CDI ou o IPCA. Mesmo assim, começa a ganhar espaço nas carteiras, com o chamariz de ganhos reais maiores que outros títulos. 

Mais de 90% dos compradores de debêntures são investidores institucionais, como fundos, por exemplo. Porém, os aportes de pessoas físicas mais do que dobraram do ano passado para cá. O desembolso inicial também é relativamente baixo – no caso das debêntures incentivadas, a aplicação mínima é de R$ 1 mil, menor que muitos CDBs.

“Apesar de a queda da Selic baixar as taxas de todo o mercado de crédito, há um prêmio da emissão privada na comparação com os títulos públicos, e um prêmio ainda maior para títulos sem garantia do Fundo Garantidor de Crédito”, afirma Lenon Borges, gerente de Produtos e Estratégias da Ativa Investimentos.

Por não contar com a cobertura do FGC, de até R$ 250 mil, o investidor precisa escolher com cautela a empresa na qual vai investir, pois estará sujeito ao risco de crédito, ou seja, de a empresa dar calote.

“A tomada de decisão envolve alguns fatores, como observar o rating (nota de crédito)”, afirma Henrique Vasconcellos, analista de Renda Fixa da XP Investimentos. “Se você é um investidor mais conservador, pode buscar as emissões que tenham uma nota patamar duplo A e triplo A pelas agências de classificação de risco.”

Além da taxa, o rating foi um dos pontos considerados pelo médico Henrique Mazorque na hora de escolher seu primeiro investimento em debêntures. “Cheguei a pegar um rendimento de IPCA + 8,5%, isento de Imposto de Renda – uma taxa muito acima do que encontramos na renda fixa em geral”, afirma. 

Com 28 anos, Mazorque iniciou este ano sua jornada de educação financeira. “Antes, como a maioria dos brasileiros, minhas economias ficavam na poupança e em investimentos indicados pelo banco, que são péssimas escolhas”, diz. Depois de ler, pesquisar e fazer cursos sobre o assunto, passou a investir por meio de corretora – e as debêntures apareceram como forma de diversificação e portfólio.

“O grande problema é que elas são mais arriscadas. Por isso funcionam como uma forma de diversificação para mim. Coloco apenas uma parte que estou disposto a eventualmente perder”, diz Mazorque.

Liquidez. Outro risco a que os investidores de debêntures estão sujeitos é o de liquidez. “Diferentemente de um título público ou de um CDB de liquidez diária, se o investidor comprar uma debênture e quiser vendê-la, vai ter de correr para o mercado secundário, ou seja, vender para outra pessoa”, explica Fábio Zenaro, superintendente de produtos da Cetip. Assim, o investidor pode não conseguir vender o título na data desejada ou ter de vender por um preço abaixo do esperado. Por isso, especialistas aconselham esse tipo de produto para o médio e longo prazos.

Para quem não quiser apostar todas as fichas numa única empresa, uma alternativa é investir por meio de fundos. “Um fundo que tenha uma boa aplicação em debêntures pode ser uma opção melhor para quem quer colocar o pé nesse mercado”, afirma Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em Gestão Financeira da FGV.

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