Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Caixa vende ações da Petrobrás e separa cota para pessoas físicas; veja cuidados ao investir

Serão negociados mais de 241 milhões de papéis ordinários; prazo para demonstração de interesse vai até esta segunda-feira, 24, e preço por ação será definido dia 25

Felipe Siqueira, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2019 | 16h35
Atualizado 24 de junho de 2019 | 11h55

A Caixa vai vender todas as ações ordinárias (com direito a voto) que possui da Petrobrás, o que representa 3,24% do capital social da petrolífera, ou 241.340.371 papéis. Desse total, até 24% das ações serão prioritariamente negociadas com pessoas físicas, com valor mínimo de compra de R$ 3 mil e máximo de R$ 1 milhão. O prazo para demonstrar interesse na compra termina nesta segunda-feira, 24. 

Na manhã desta segunda, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, disse que a venda de ações da Petrobrás deve alcançar R$ 7,5 bilhões. “Amanhã (terça-feira, 25) termina o follow-on histórico da Petrobrás”, afirmou, durante coletiva de apresentação do balanço do banco no primeiro trimestre do ano. “Com o sucesso da operação da Petrobrás, vamos pagar outros R$ 7 bilhões ao Tesouro em 30 dias", acrescentou.

Existe também a possibilidade de se comprar via fundo de investimentos em ações, com R$ 100 como aporte mínimo. Nesse caso, é preciso levar em consideração possíveis taxas de manutenção, sobre rendimento e até de saída. A oferta de ações é coordenada por UBS, Morgan Stanley, Bank of America Merrill Lynch e XP Investimentos.

Dentro dessa cota para CPFs, 2% das ações terão prioridade para serem vendidas a empregados e outros 4% irão para lock-up, o que significa que, por 45 dias, o valor não pode ser vendido, independentemente do que aconteça.

O lock up, explica o analista financeiro da Ativa Investimentos Ilan Arbetman, serve para proteger o preço de mercado das ações. Quem vai entrar no follow on (oferta de ações de uma empresa que já possui capital aberto na Bolsa de Valores, como é o caso da Petrobrás) vai pagar o preço estabelecido no dia 25 de junho, mas, no mercado, a cotação do papel pode variar, como acontece todos os dias.

"Lock up serve para proteger o mercado de uma volatilidade", diz. Neste caso, um grupo de pessoas não pode comprar e já vender as ações. O mecanismo é usado também para alinhar os interesses dos investidores que já estão na Bolsa com os novos, para que não entrem na operação somente especuladores, segundo Arbetman. 

O prospecto preliminar sobre a estatal do petróleo - relatório com as condições para que as ações sejam vendidas, com possíveis riscos e preços -, indica que o valor movimentado pela operação deve ultrapassar R$ 7 bilhões, calculado com base no preço levantado na B3, a Bolsa de São Paulo, no último dia 7, de R$ 29,85 por ação. Só que, após essa data, o valor do papel da Petrobrás atingiu na última quarta-feira, 19, R$ 30,84. 

Quem se interessar pelo negócio, deve procurar uma corretora e manifestar interesse até esta segunda-feira, 24, por meio de uma instituição que possa operar na B3 - a lista pode ser encontrada no site da Bolsa. A corretora, explica a B3, precisa estar credenciada a participar desta operação especificamente, caso contrário, não poderá realizar a reserva. "Pode reservar ações qualquer agente de custódia participante da B3 que tenha aderido à oferta assinando a carta convite enviada pela Caixa", informou a Bolsa, por meio de nota, ao Estado.

Após as discussões entre investidores e corretoras sobre o que e como será comprado, quem encabeça a operação de venda vai definir o preço da ação, que será divulgado no dia 25.

De acordo com especialistas, existe a possibilidade de haver desconto no preço do papel, que, geralmente, varia de 2% a 5%. “A chance de ter desconto existe porque a oferta (de ações) é muito grande”, explica o coordenador do laboratório de finanças do Insper, Michael Viriato. Mas, a depender da demanda, a situação pode se inverter. 

Uma das dicas para não perder dinheiro por desconhecimento, principalmente para pessoas físicas que não são tão experientes no mercado de ações, é estabelecer, na hora da reserva de compra, um preço máximo a ser pago por ação. Se, no dia 25, o preço exceder, a reserva é automaticamente cancelada. Entenda a seguir mais sobre o processo.

O que está em oferta?

A oferta de ações é um follow on. Isso significa que a empresa já tem capital aberto na Bolsa e as negociações são feitas no mercado secundário. O investidor, grande ou pequeno, vende os papéis que tem e fica com o dinheiro arrecadado. Neste caso, todo o valor negociado irá para a Caixa e não para a Petrobrás.

Quais são as projeções para as ações da Petrobrás?

Como essas são ações atreladas a uma commodity, o petróleo, elas sofrem com a variação do preço do produto no mercado internacional. Por se tratar de papéis de uma empresa estatal ainda há outros aspectos a serem considerados. O especialista em finanças e professor da FGV Pedro Leão Bispo diz que o cenário político tem até mais peso que o econômico no caso da Petrobrás. “O aspecto econômico é tranquilo, não vai desvalorizar tanto (nos próximos anos), é mais de acreditar ou não (se vai melhorar)”, afirma. Fatos recentes como a venda da subsidiária Transportadora Associada de Gás (TAG), que rendeu R$ 33 bilhões para a Petrobrás, e a descoberta, tida como a maior desde o pré-sal, sobre presença de gás natural em Sergipe e Alagoas, podem contar, no longo prazo, positivamente, à empresa.

Pensando a longo prazo

Não é possível esperar retorno imediato quando se trata de investimento em ações. As mudanças não acontecem da noite para o dia e, principalmente, questões de infraestrutura em empresas grandes, como é o caso da Petrobrás, demoram para acontecer e precisam de um tempo ainda maior para surtir efeito no mercado, dizem especialistas.

Momento econômico

Analistas do mercado financeiro projetam inflação menor e um novo ciclo de cortes na Selic, a taxa básica de juros - o relatório Focus, elaborado pelo Banco Central, traz a estimativa de que a taxa pode chegar a 5,75% ao ano no fim de 2019, ante os 6,5% ao ano atuais. Nesse cenário, títulos do governo, como o Tesouro Direto, não estão rendendo tão bem quanto antes. O analista financeiro da Mirae Asset Pedro Galdi explica que o mercado de capitais pode ser uma alternativa para quem quer ter maior retorno que os títulos públicos. Mas, para isso acontecer, é preciso pensar no longo prazo. E o risco também é maior.

Diversificação nos investimentos

O analista financeiro da Ativa Investimentos Ilan Arbetman aconselha que o investidor tente diversificar os papéis nos quais vai investir para minimizar possíveis perdas. “Caso queira comprar ações de um segmento, é bom alocar um pequeno porcentual de recurso em um setor contrário. A ideia é nunca ficar refém de um setor, de uma variável, o truque é sempre estar preparado para quando vierem os choques, que são inerentes ao mercado de ações. Nenhum analista é capaz de prever exatamente o que vai acontecer”, diz. / COLABORARAM NIVIANE MAGALHÃES E LUISA MARINI 

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