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Cenário positivo da Bolsa deve se manter em 2020

A queda dos juros faz com que o investidor que busca mais retorno tenha de aceitar um grau de risco mais elevado, o que dá mostras que o atual rali do Ibovespa deve se manter

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

23 de dezembro de 2019 | 05h00

A Bolsa de Valores não para de bater recordes neste fim de ano. Ela ainda tem fôlego para 2020?

O cenário dá mostras de que o atual rali do Ibovespa deve se manter no início de 2020. A queda dos juros faz com que o investidor que busca mais retorno tenha de aceitar um grau de risco mais elevado. Além disso, o cenário econômico interno está dando sinais positivos, com aumento da projeção do PIB para 2020. A reforma da Previdência também trouxe expectativas positivas. O cenário econômico internacional se acalmou com o anúncio do acordo China-Estados Unidos. Há uma programação para 2020 de 40 ofertas iniciais de ações, os IPOs. Alguns analistas chegam a projetar o Ibovespa acima de 133 mil pontos. Neste ano, o Ibovespa já subiu 30,72%. Se no próximo ano esse crescimento for mantido, o índice passará de 150 mil pontos. Nas projeções mais pessimistas o índice deverá estar nos 120 mil pontos. Mas não dá para contar só com boas notícias no horizonte e que o comportamento projetado vai ser realizado com certeza. O futuro é o campo da incerteza, do risco. De 2016 a 2018 a Bolsa subiu 97,17%, mas nos três anos anteriores a queda acumulada foi de 54,45%. Não podemos deixar de lado que ainda temos mais de 12 milhões de desempregados, mais de 63 milhões de pessoas com nome negativado, as contas públicas ainda dependem de ajustes, a reforma tributária tem um longo caminho, o cenário internacional tem nuvens – tanto que o FMI reduziu as projeções do PIB. Enfim, um pouco de cautela faz bem mesmo em momentos mais otimistas. Investir em ações exige planejamento, conhecimento e respeito às regras. Uma delas é que perder faz parte do jogo.

Na busca por alternativas de investimentos que tragam algum retorno e sem altos riscos, fiquei interessado em debêntures. É uma aplicação possível para pessoas físicas?

Pessoas físicas podem investir em debêntures, que são títulos de renda fixa emitidos por empresas para captar recursos para financiamento de seus projetos. Emprestamos dinheiro para uma empresa que tem obrigação de devolver o principal mais juros após o prazo combinado. Como comparação, um banco, quando precisa de recursos, capta via CDB, o governo capta com títulos do Tesouro Nacional. Uma empresa pode emitir dois tipos de títulos: no curto prazo, as Notas Promissórias Mercantis (no exterior conhecidas como Commercial Paper); para o médio e longo prazos existem as debêntures. Esse título dá o direito de crédito sobre a empresa emissora e pode ser prefixado ou pós-fixado. As classes podem ser simples ou conversíveis em ações, apresentando várias formas de garantias. As debêntures podem ser comuns, com incidência de imposto pela tabela da renda fixa, ou incentivadas, isentas de tributos, conhecidas também como debêntures de infraestrutura. Esses títulos têm os riscos inerentes à renda fixa, mas em particular o investidor deve observar o risco de crédito, que é a possibilidade de a empresa tomadora não honrar com o pagamento. O interessado deve verificar qual o rating de crédito do título antes do investimento, que não é garantido pelo FGC. A escritura de emissão define todas as características, como prazo, indexador e fórmulas de cálculo. Há ofertas a partir de R$ 10 mil e com base no CDI mais um prêmio. Uma alternativa é investir em fundo de crédito privado, que é aquele com a maior parte de seu patrimônio em títulos de dívida de empresas privadas. Segundo dados da Anbima, até novembro, 42,4% das emissões de debêntures foram adquiridas por pessoas físicas.

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