Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Cerca de 6 mil pessoas fazem fila por emprego no centro de SP

Mutirão organizado pela União Geral dos Trabalhadores oferece 1,8 mil vagas de trabalho no comércio na região metropolitana

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2018 | 13h09

Cerca de 6 mil pessoas enfrentaram fila de mais de cinco horas nesta segunda-feira, 16, em frente à sede do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, na região do Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, em busca de uma das 1,8 mil vagas oferecidas por empresas do setor, entre as quais o Grupo Pão de Açúcar e a Telhanorte.

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O evento, chamado de Mutirão do Emprego, é uma parceria entre a União Geral dos Trabalhadores (UGT), Sindicato dos Comerciários – filiado à central – e empresas que estão contratando pessoal, incluindo deficientes físicos, com carteira assinada e alguns por regime intermitente (sem horários fixos).

Inicialmente, o mutirão ocorreria somente na última sexta-feira, 13, mas, como o público foi acima do esperado, foram distribuídas quase 5 mil senhas e as entrevistas para as vagas vão ocorrer até sexta-feira.

A iniciativa também é uma estratégia da UGT de ampliar o número de sindicalizados nas entidades ligadas à central. É uma aposta para amenizar os problemas financeiros, já que após a reforma trabalhista não podem mais descontar obrigatoriamente dos trabalhadores o imposto sindical (equivalente a um dia de trabalho). Esse dinheiro mantinha a maioria das entidades sindicais do País.

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“Essa é uma resposta à reestruturação que estamos fazendo para continuar com nosso trabalho sindical”, diz o presidente da UGT e do Sindicato dos Comerciários, Ricardo Patah. Segundo ele, a sindicalização é voluntária. Para convencer os candidatos, a entidade mostra vídeos e distribui folhetos enquanto o interessado aguarda atendimento. “Mostramos nossas estruturas e os serviços que oferecemos, como médicos e dentista”. O associado paga mensalidade de R$ 30.

Neste ano, a UGT viu sua arrecadação com o imposto sindical cair de R$ 45 milhões para R$ 4,5 milhões. Somado ao que Força Sindical e CUT deixaram de arrecadar, as perdas chegam a R$ 100 milhões. 

Fila. Interessados começaram a chegar ao local na noite de domingo e, por volta das 5h, a fila já era longa. “Fiquei sabendo hoje (segunda) do mutirão, por um grupo no WhatsApp, mas se soubesse antes teria passado a noite aqui”, diz Rosimeire Almeida, de 37 anos. Ela chegou às 9h e foi atendida às 15h30.

Desempregada desde fevereiro, Rosimeire mora com a filha de 14 anos em uma casa no terreno onde vivem os pais. “Aceito qualquer vaga”, diz ela, que já trabalhou como caixa de supermercado e metalúrgica.

Entre as empresas participantes do mutirão estão Grupo Pão de Açúcar (mil vagas), Telhanorte (360), Carrefour (85), Droga Raia e Drogasil (25 ), Supermercado Hirota (11), Calçados Clovis (22), Include Quality (70 para jovens aprendizes), Supermercado da Praça (30), Makro (20) e outras empresas (200). Há vagas de auxiliar, vendedor, assistente de RH, analista, motorista, cozinheiro, operador de caixa, repositor, estoquista, recepcionista, agente de fiscalização e balconista.

Há um ano e meio trabalhando como autônomo na área de informática, Edgar Luis da Silva viu uma oportunidade de voltar a ter emprego com carteira assinada. “Com a crise, a demanda pelo serviço que faço caiu muito.” Ele mora com o pai, que é deficiente físico, e a avó, aposentada, e ajuda a manter a família.

Mais vagas. A psicóloga Valéria Ramos, responsável pelo processo de seleção do hospital HSanp, antigo San Paolo, soube nesta segunda do evento e foi ao local para integrar o grupo de empresas parceiras. “Temos 30 vagas para pessoas com deficiência em cargos como mensageiro, auxiliar de higiene, auxiliar de cozinha e camareira.”

Patah informa que já negocia a oferta de mais vagas por parte de outras empresas de São Paulo. O mutirão, diz ele, também será realizado em outros Estados onde a UGT tem sindicatos filiados de várias categorias.

Aos 59 anos e desempregada há três, Maria do Carmo de Jesus foi ao local em busca de uma vaga de auxiliar de limpeza, função que exerceu em supermercados, escolas e casas de famílias.

“Não sei se é por causa da idade ou da falta de empregos mesmo, mas tenho procurado uma vaga há muito tempo e não consigo nada”, diz Maria do Carmo, que faz bico como vendedora de café. “Mas está tão fraco que tive de escolher entre comer ou pagar a conta de luz”. Ela mora com uma neta e duas filhas – uma é manicure e outra esteticista e ambas fornecem os serviços na própria casa onde vivem.

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