TIAGO QUEIROZ/ESTADAO
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Com guerra comercial e preocupação com crescimento, ouro sobe 18% em agosto

A cotação da commodity registrou a maior valorização no mês, à frente do dólar, que subiu mais de 8%

Pedro Ladislau Leite, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2019 | 20h20

No mês em que a reforma da Previdência foi aprovada pela Câmara dos Deputados, o exterior roubou a cena e impediu que o avanço da proposta desse fôlego ao real e ao Ibovespa.

Mesmo com a redução da taxa Selic pelo Banco Central, o principal índice do mercado de ações brasileiro acumulou queda de 0,7% em agosto. Já o real perdeu 8% ante o dólar. O acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China e preocupações em relação ao crescimento econômico global aumentaram a cautela dos investidores, que procuraram refúgio no ouro.

A demanda fez disparar o preço da commodity em 18%. Foi a maior valorização de agosto segundo o ranking formulado pelo administrador de investimentos Fabio Colombo. No ano, o ouro já acumula alta de 34%.

 

O sócio da Portofino Investimentos, Adriano Cantreva, destaca que o baixo patamar dos juros também contribui para a valorização do ouro. “Hoje mais da metade das taxas de juros no mundo está negativa. Um investidor alemão, por exemplo, não vai investir em um título de trinta anos em seu país que vai pagar menos do que ele colocou. Nesse cenário, para preservar valor a pessoa corre para ouro”, explica.

Entretanto, Cantreva chama atenção que, historicamente, o ouro não tem boa rentabilidade de longo prazo. “De tempos em tempos ele sobe, quando há algum estresse no mercado. É um hedge (proteção financeira) em tempos de medo.”

Para Colombo, a queda da Bolsa representa uma oportunidade de compra "gradativa e parcial" da carteira de ações. O ouro, avalia, permanece apenas uma opção “conservadora para diversificação."

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