MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO
Casal investidor. Larissa Galdi e Carlos Guimarães estrearam em fundos multimercado e de ações MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO

Com juro baixo, investidor põe o pé no risco

Apetite maior por renda variável deve continuar em 2018, mas turbulências de ano eleitoral exigem mais cautela

Jéssica Alves, Impresso

01 de janeiro de 2018 | 05h00

A estudante de direito carioca Larissa Galdi começou a investir em títulos públicos pelo Tesouro Direto no início de 2016. A taxa básica de juros (Selic), que baliza os retornos dos investimentos em renda fixa, ainda reinava em 14,25% ao ano. No segundo semestre do mesmo ano, porém, a Selic iniciou sua trajetória de queda, achatando a rentabilidade dessas aplicações. Em 2017, os juros caíram a menos da metade de quando Larissa começou a investir no Tesouro. Como ela tinha um dinheiro parado e a conhecida renda fixa já não estava tão atraente, ela resolveu que era hora de colocar o pé no risco.

 “Comecei a estudar formas de fugir das taxas frustrantes, passei a repensar o dilema retorno versus risco e a conhecer expressões de renda variável que nunca havia utilizado”, conta. 

Foi em 2017 que ela e diversos brasileiros saíram da zona de conforto em busca de mais rentabilidade. Para além dos “queridinhos” como a poupança, o Tesouro Direto e os CDBs, o investidor passou a flertar com aplicações mais arrojadas, seja investindo diretamente em Bolsa – que fechou o ano com alta de mais de 26%, acima dos 76 mil pontos – ou, sobretudo, via fundos de investimento – que atendem a diferentes perfis e são uma boa opção para um pontapé no risco. 

Entre os fundos, os multimercado foram a grande febre de 2017. A captação chegou a R$ 91,7 bilhões – praticamente o total acumulado por toda a indústria de fundos em 2016. O grande chamariz é ter numa mesma aplicação ativos diversos e com exposição a riscos diferentes, como renda fixa, ações, câmbio e até commodities. “Os fundos multimercado foram a minha porta de entrada para a renda variável: a ideia do risco em prol de retorno começou a me parecer mais natural”, conta Larissa.

Ela não parou por aí. Com as promoções das instituições financeiras durante a Black Friday, no final de novembro, ela e o namorado Carlos Henrique Guimarães resolveram turbinar ainda mais a carteira. “Ele tomou coragem e investiu em fundos de ações, o que me incentivou a seguir o mesmo rumo, ainda que com um valor mais baixo”, diz. “A carteira final tem se revelado equilibrada, uma vez que o fundo multimercado segura razoavelmente a barra da volatilidade do fundo de ações, mas os dois ainda garantem ganhos que eu não teria em um fundo de renda fixa nas taxas atuais.”

Já o engenheiro Pedro Campos optou em 2017 por entrar na Bolsa – que foi a estrela do ano, mesmo com o “sobe e desce” provocado por eventos como a gravação de Joesley Batista, as denúncias contra Michel Temer e os impasses da reforma da Previdência. “Tenho medo do que pode acontecer no mercado com as eleições, mas mesmo que ocorra uma queda em 2018, empresas boas tendem a se valorizar no longo prazo”, acredita. 

Incertezas. O ano que começa hoje oferece um dilema para o investidor resolver. Se por um lado a aposta é de que haja continuidade da retomada econômica, com crescimento do PIB, inflação controlada e juros baixos, por outro, o movimento político em torno das eleições e o perfil do próximo presidente podem jogar um balde de água fria nos mercados. 

Por isso, se 2017 foi um ano de turbinar a carteira de investimentos e colocar o pé no risco, para especialistas, 2018 ainda oferece boas oportunidades para os aplicações mais arrojados – mas é preciso redobrar a cautela. “2018 vai ter muita turbulência para quem não gosta de fortes emoções”, adverte Alan Ghani, professor da escola de negócios Saint Paul. Ele aponta os setores de varejo, minério de ferro e imobiliário como opções promissoras no mercado de ações. 

“O resultado da eleição vai ser determinante na visão do investidor, do empresário, do empreendedor. O investidor vai ter de ter coragem de tomar mais risco e deve estar muito atento no desdobramento eleitoral”, aponta Alexandre Silverio, CEO da Az Quest. 

Para ele, se o eleito for comprometido com o andamento da política econômica atual, a Bolsa pode ser o grande investimento deste ano. Outro destaque entre os ativos de maior risco continua sendo, segundo ele, os fundos multimercado, pela versatilidade da aplicação. 

Martin Iglesias, especialista em investimento do Itaú, acredita que 2018 ainda será um ano de mais risco na carteira, mesmo com as incertezas. A dica, segundo ele, é não olhar para retorno passado. “É preciso analisar o risco versus retorno e ver se o produto é consistente. Às vezes, tem produto que vai muito bem no curto prazo, nos últimos anos, mas no longo prazo é uma opção ruim”, alerta.

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Juro real segurou renda fixa, mas deve cair em 2018

Apesar de queda da Selic, descontada a inflação, investidor teve ganho maior em 2017 que em 2016: para este ano, porém, cenário exige mais tomada de risco

Anna Carolina Papp, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2018 | 05h00

O tombo da Selic de 14,25% para 7% ao ano do segundo semestre de 2016 para cá desafiou o investidor brasileiro, apegado à renda fixa e acostumado à rentabilidade de 1% ao mês sem ter de correr qualquer risco, como em Bolsa. No entanto, apesar do recuo das taxas desses investimentos, a forte desaceleração da inflação no ano passado garantiu ganho real mesmo nas aplicações mais conservadoras. Para 2018, porém, esse cenário não deve se repetir.

Quando a Selic atingiu a então mínima de 7,25% ao ano, em 2012, eram necessários 96 anos para que o investidor dobrasse o poder de compra dos recursos investidos em uma aplicação de renda fixa. Já em 2017, apesar de o juro estar ainda mais baixo, em 7% ao ano, são necessários 22 anos para se dobrar o patrimônio – menos de um quarto do período. O tempo é menor até na comparação com o final de 2015, quando a Selic estava em 14,25% ao ano. A rentabilidade, apesar de alta, foi corroída por uma inflação também de dois dígitos, sendo necessários 53 anos para se dobrar o patrimônio. Os cálculos são da professora do Ibre/FGV e planejadora financeira Myrian Lund. Foi considerado Imposto de Renda de 15% e uma inflação de 2,78% para 2017. 

“Apesar da queda de juros, quem aplicou em renda fixa em 2017 se deu bem, pois a taxa real foi alta”, explica Myrian. Se confirmada a projeção do boletim Focus, do Banco Central, de inflação de 2,78% em 2017, o ganho real líquido (descontada a inflação e o IR) do ano passado será, mesmo com o tombo da Selic, superior ao observado em 2016 – 5,52% ante 5,28%, respectivamente.

Esse cenário, porém, não deve se repetir em 2018. Segundo o último boletim Focus, o mercado espera inflação de 3,98% para este ano. Com isso, segundo os cálculos da professora da FGV, o ganho real líquido das aplicações será de apenas 1,62%. “A taxa de juros real vai ser muito mais baixa em 2018, o que deve impulsionar ainda mais os investidores para ativos de maior risco”, diz.

Perfil. Diante desse cenário, a composição da carteira dependerá não só do perfil do investidor, mas de suas metas. “Se o objetivo é fazer pé de meia ou estabelecer previdência, recomendo NTN-B Principal 2035 ou 2027 (título público atrelado à inflação). Outra aposta interessante são os CDBs de bancos pequenos, já que há alguns pagando acima de 120% da taxa DI”, afirma Betty Grobman, professora de finanças e sócia da BSG DuoPrata.

Ela lembra também que, em 2018, serão lançados na B3 os ETFs (fundos que replicam índices) de renda fixa. “Nesses fundos, o investidor terá acesso a todos os títulos públicos federais, e não só àqueles disponíveis no Tesouro Direto, através das ‘cestas’”, diz. Já para quem procura mais risco dentro da renda fixa, ela aconselha que o investidor fique de olho nas debêntures – títulos de dívida emitidos por empresas –, e em fundos imobiliários: “Há opções interessantes”. 

"A gente sugere que o investidor saia de títulos curtos e longos. Não é a hora de apostar em juros baixos nem no curto e nem no longo prazo. Apostar na alta também é complicado", diz Arnaldo Curvello, diretor da Ativa Wealth Management. Segundo ele, é melhor o investidor ficar fora desses ativos no momento e focar em ativos com mais liquidez. Outra dica, segundo ele, é não escolher investimentos pelo desempenho passado porque a chance de ter surpresas este ano é grande.

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'Não é para sair da poupança e aplicar em ações; é um processo'

Para Carlos Ratto, diretor da B3, com a taxa de juros menor, é natural olhar para outras alternativas de investimentos

Entrevista com

Jéssica Alves, O Estado de São Paulo

01 de janeiro de 2018 | 05h00

O diretor da B3, Carlos Ratto, diz que o investidor tem de tomar cuidado antes de fazer um aplicação. Segundo ele,  ler relatórios e ter apoio de um profissional são dicas importantes antes de tomar uma decisão. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Apesar da forte recuperação da Bolsa em 2016 e 2017, o número de investidores ainda é pequeno. O mercado acionário ainda assusta? 

Não acho que assuste. São os pilares que o investidor busca: rentabilidade, liquidez e segurança. No Tesouro Direto, por exemplo, ainda que a rentabilidade tenha caído, continua interessante, pois há segurança e liquidez. Por isso, o público que começou há pouco tempo a investir no Tesouro não é o público que vai investir em ações amanhã. É preferível que seja de uma forma mais lenta. Sair da poupança e aplicar em ações não é saudável. É um processo, um reflexo de várias coisas, entre elas a taxa de juros. Mas, nos últimos anos, cresceu a cultura de sair da poupança, conhecer as alternativas e aplicar via corretoras. 

Como começar na renda variável?

Depende do objetivo de cada investidor. Não é só renda fixa ou Bolsa. Mesmo dentro de renda variável, há alternativas. Por exemplo: é melhor comprar ações ou um ETF? Dentro da renda fixa: ao sair da poupança, vai para fundo, Tesouro, CDB, LCI ou LCA? O investidor pode, por exemplo, montar uma carteira com ETFs e Tesouro, para depois chegar a uma carteira de ações. Ele tem de ter noção de que, quando compra ação, está comprando parte da empresa – então, está dividindo as alegrias e tristezas daquela companhia. Por isso, prefiro que tenhamos 600 mil (investidores), amanhã 700 mil e depois 800 mil, mas que esse cara não saia, do que ter 2 milhões e, se amanhã a Bolsa cair, todo mundo sai. É melhor crescer de forma consistente do que virar moda.

A onda de IPOs deu um novo fôlego ao mercado. O que esperar para 2018?

Quanto mais empresas para o investidor escolher, melhor. Cada vez mais empresas veem o mercado de capitais como importante fonte de financiamento de longo prazo. O investidor, porém, tem de tomar cuidado, ler os relatórios e ter apoio de um profissional. “Ah, gosto muito do Burger King, então vou comprar as ações.” Ele tem de analisar, ver por quanto tempo, a capacidade de suportar o investimento. Mesmo com o ponto de interrogação da eleição, se o cenário de crescimento se mantiver, com apetite maior das empresas, é natural que o mercado de capitais cresça em 2018, seja por IPOs ou por emissão de dívida.

Ainda há espaço para entrar na Bolsa?

Com a taxa de juros menor, é natural olhar para outras alternativas – e o mercado de ações é uma delas. Mas, as decisões devem ser racionais. Não adianta ser superconservador e entrar em ações porque o amigo está aplicando, ou achar que vai ficar rico aplicando em Bolsa. Esse tipo de empolgação a gente tem de evitar./

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'Brasileiro está descobrindo novas classes de ativos'

Para o diretor de investimentos do Santander, investidor terá de escolher entre alta rentabilidade, baixo risco e liquidez diária

Entrevista com

Gilberto Abreu

Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2018 | 05h00

Qual sua perspectiva para os investimentos em 2018 neste cenário de juros baixos?

O ano de 2018 trará um cenário de investimentos diferente do que nossos clientes estão acostumados. No Brasil de juros altos, os cliente se acostumaram a uma combinação de três fatores que só havia aqui: alta rentabilidade, baixo risco e liquidez diária. Investir neste cenário era simples e exigia menos esforço e pesquisa. Agora, com a queda dos juros, o cliente terá que a abrir mão de uma destas variáveis. Se quiser, baixo risco e liquidez diária, por exemplo, terá menor rentabilidade. Se quiser maior rentabilidade, terá que correr mais risco ou abrir mão de liquidez. No entanto, esta transição traz um elemento a mais: o ano de eleições promete trazer maior flutuação de mercados e cotações. Portanto, será um ambiente bem diferente para clientes investidores que precisarão de maior aconselhamento de especialistas para fazer boas escolhas.

O sr. acha que o apetite ao risco do investidor brasileiro vai continuar aumentando no ano que vem da forma como ocorreu em 2017?

No mercado há um grupo grande, quantitativamente é a maioria, de clientes que não tem apetite para risco e prefere opções mais conservadoras. No entanto, em função da nova dinâmica de mercado descrita na pergunta anterior, há um número crescente de cliente que está buscando novos produtos de investimentos. Isso deve ser uma tendência de mercado para os próximos anos, especialmente se as reformas se consolidarem e a taxa de juros puder ser estruturalmente mais baixa.

Quais seriam boas opções de investimento para brasileiros (principalmente pessoa física) no ano que vem?

O brasileiro está descobrindo novas classes de ativos e buscando orientação cada vez mais sofisticada para tomar suas decisões de investimentos. Novas investimentos tais como debêntures incentivadas, COE, LCI/LCA/CRI/CRA, fundos multimercado, fundos imobiliários, ações, ETF’s etc estão crescendo. Nossa recomendação hoje conta com vários destes ativos, mas sempre de forma diversificada e equilibrada, respeitando o perfil de risco de cada investidor. Abaixo nossa recomendação por classe de ativo:

Classes

Conservador

Moderado

Arrojado

Renda Fixa Pós

76%

46%

17%

Renda Fixa

13%

15%

17%

Inflação

5%

12%

20%

Multimercado

6%

20%

30%

Renda Variável

0%

6%

16%

Como os possíveis cenários para a eleição do ano que vem podem impactar o ambiente de negócios e de investimento?

Mais importante que os candidatos e seus partidos será o compromisso de cada um deles com as reformas e ajustes que serão necessários para estabilização da dívida pública e, como consequência, de toda a macroeconomia. Tivemos importantes evoluções nos últimos meses e esperamos que esta seja alinha adotada pelos principais candidatos da próxima eleição.

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'Maioria vai buscar maior rentabilidade sem entender o risco'

Para o presidente da Vérios, apetite ao risco deve crescer, mas é preciso ter cautela e montar uma carteira diversificada de acordo com o perfil do investidor

Entrevista com

Felipe Sotto-Maior

Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2018 | 05h00

Qual sua perspectiva para os investimentos em 2018 neste cenário de juros baixos?

Num cenário de taxa de juros reduzida, tipicamente vemos uma migração do investidor dos ativos de renda fixa para os mercados de renda variável.

No Brasil, muitos ainda guardam aquela ideia de que o investimento precisa render pelo menos 1% ao mês. Essa moleza acabou. Com a meta da Selic em 7,00% ao ano, a expectativa é que a renda fixa nos bancos de varejo* tenha rendimentos de menos de 0,5% ao mês. Quando percebem isso, as pessoas se movem em busca de alternativas. Nessa hora, é preciso estudar um pouco para não cometer erros.

(* Pegando como referência produtos de renda fixa com rendimentos na casa de 80% do CDI.)

O sr. acha que o apetite ao risco do investidor brasileiro vai continuar aumentando no ano que vem da forma como ocorreu em 2017?

Sim e não. Acredito que as pessoas vão buscar maior rentabilidade, devido à queda abaixo da "zona de conforto" do investidor brasileiro. Porém, a grande maioria das pessoas vai buscar maior rentabilidade sem entender o risco dos novos produtos que estão comprando. O mercado interpreta isso como maior apetite ao risco.

Quais seriam boas opções de investimento para brasileiros (principalmente pessoa física) no ano que vem?

A melhor opção é ter sempre uma carteira diversificada. Um pouco de dinheiro em ativos de risco, para melhorar a rentabilidade, e um pouco em ativos de renda fixa, para aumentar a segurança. As quantidades dependem do perfil de cada investidor.

Para quem prefere segurança, os títulos do Tesouro Direto continuam sendo a opção mais segura. É possível migrar do Tesouro Selic para os títulos Prefixados e do Tesouro IPCA, mas o ideal é estar posicionado nessas três classes de forma equilibrada. O investidor que fica pulando de galho em galho acaba gastando mais com impostos e tarifas, tornando a estratégia ineficiente.

Como os possíveis cenários para a eleição do ano que vem podem impactar o ambiente de negócios e de investimento?

De acordo com reportagem da BBC, o Brasil tem pelo menos 14 pré-candidatos à presidência.  É cedo para projetar cenários e não acredito em bola de cristal. Porém, sabemos que o mercado acionário, em geral, reage melhor aos candidatos mais envolvidos com a reformas estruturantes e medidas de redução dos gastos e controle das contas públicas. Esses movimentos baseados em notícias e pesquisas, porém, são especulativos e duram pouco. A retomada forte e sustentável do mercado depende de mudanças verdadeiras e duradouras.

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'Com juros baixos, é preciso sofisticar carteira de investimentos'

Para o estrategista-chefe da XP Investimentos, apetite por risco permanecerá elevado

Entrevista com

Celson Plácido

Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2018 | 05h00

Qual sua perspectiva para os investimentos em 2018 neste cenário de juros baixos?

Com juros baixos, o brasileiro terá de sofisticar sua carteira de investimentos. Isso já vem ocorrendo nos últimos anos, na busca por maiores retornos. Não temos mais rentabilidade de 1% ao mês com risco muito baixo. O investidor está buscando outras alternativas de investimentos. Assim, dependendo do perfil do investidor, temos diversas oportunidades de investimentos, como: debêntures incentivadas, fundos multimercados, fundos de ações, emissões de diversas empresas privadas, enfim, diversos tipos de investimentos interessantes nesse cenário de queda de juros e inflação controlada.

O sr. acha que o apetite ao risco do investidor brasileiro vai continuar aumentando no ano que vem da formos como ocorreu em 2017?

O apetite permanecerá elevado, pois, hoje, não tendo rentabilidade de 1% ao mês, o investidor precisa buscar investimentos mais atrativos, como por exemplo, debênture incentivada, que é isenta de Imposto de Renda. No caso de renda variável, as empresas se beneficiarão com a recuperação econômica, via alavancagem operacional. Exemplo disso: Imagine um hotel, onde o mesmo possui 100 quartos. Se ele tem uma utilização da capacidade de 50 quartos diariamente, imagine que o mesmo consiga adicionar mais 10 quartos ocupados por dia. Cada quarto adicionado entra como resultado operacional, pois os custos fixos já estão considerados. Outro benefício é a alavancagem financeira, pois a despesa financeira apresenta forte queda. Imagine o seguinte: em 2016 juros de 15% ao ano. Em 2017, a Selic média fica próxima a 10%. Em 2018, Selic média de 7%, se não houver uma redução, ou seja, caiu pela metade num curto espaço de tempo. Fora a maior renda real disponível para os consumidores com queda de juros e menor inflação.

Quais seriam boas opções de investimento para brasileiros (principalmente pessoa física) no ano que vem?

Temos as debêntures incentivadas, CRAs, Fundos de Investimento Imobiliário, fundos multimercados, fundos de ações, mas obviamente, precisamos saber qual o perfil do investidor.

Como os possíveis cenários para a eleição do ano que vem podem impactar o ambiente de negócios e de investimento?

O ambiente político tem gerado volatilidade, seja pela aprovação das reformas, ou mesmo as eleições em 2018. Nesse sentido, existem ativos interessantes. Assim, a importância em se ter a assessoria e o planejamento financeiro, pois em momentos de volatilidade, o investidor consiga passa-los, da melhor maneira possível.

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Investir em bitcoin? A pergunta persiste em 2018

Hoje, não dá para apostar que a criptomoeda vá substituir as moedas que usamos no dia a dia

Fábio Gallo, O Estado de São Paulo

01 de janeiro de 2018 | 05h00

Muito se discute, mas ninguém em sã consciência pode dizer se vale ou não a pena comprar bitcoin. Alguns estão chamando a moeda virtual de “ouro digital”, porque serviria de reserva de valor. Mas, essa é uma comparação injusta. O bitcoin não é físico e é muito volátil. Hoje, não dá para apostar que ele vá substituir as moedas que usamos no dia a dia, que têm lastro e emissão oficial. 

O aspecto de raridade do bitcoin se dá pelo fato de que o limite de emissão dessa moeda é de 21 milhões de unidades. Mas, quem é o emissor? A nuvem de computadores. Isso dá segurança suficiente ao investidor, por conta da estrutura digital dessa moeda, que é o blockchain. Mas, qual o seu lastro efetivo? Tirando a procura pela moeda, o que a faz valer mais ou menos? As moedas comuns como o dólar ou yuan sofrerão tanto com inflação e mudanças de juros que deixarão de ser transacionadas ou deixarão de servir como reserva de valor? As autoridades monetárias ao redor do mundo ficarão caladas e não irão normatizar de alguma forma as moedas virtuais? São perguntas para lá de importantes – e não temos certeza alguma de suas respostas. 

O fato é que, de julho de 2010 para cá, o crescimento do preço do bitcoin ultrapassou mais de 41 milhões porcento. Porém, comprar um bitcoin é tal como especular com opções: você pode ganhar muito ou perder tudo. Se gosta de muito risco, vá em frente. Mas, se não é sua praia, saia fora. Entrar nesse mercado porque é novidade e tem gente ganhando muito dinheiro não é razão suficiente. Invista de maneira inteligente, o que significa planejar, dedicar-se e conhecer sobre investimentos.

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