Com nova Selic, fundos ampliam vantagem em relação à poupança

Caderneta perde para aplicações em renda fixa com taxas de até 1,5% ao ano, seja qual for o prazo do resgate

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

21 de janeiro de 2015 | 21h29

Com a elevação em 0,50 ponto porcentual da taxa básica de juros (Selic) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) - para 12,25% ao ano -, os fundos de renda fixa ampliaram sua atratividade em relação à poupança, ficando mais vantajosos do que a caderneta na maioria dos cenários.

De acordo com um estudo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), fundos de renda fixa com taxas de administração de até 1,5% ao ano rendem mais do que a poupança, seja qual for o prazo de resgate. À taxa de 2%, a caderneta só é mais vantajosa caso haja resgate em até seis meses. “À medida que a Selic sobe, a vantagem da renda fixa em relação à poupança vai se ampliando cada vez mais”, diz Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor de Estudos Econômicos da Anefac.

Na simulação, com o novo patamar da Selic, a poupança rende ao ano 7,44% (6,17% mais a Taxa Referencial). Assim, um investimento de R$ 10 mil vai valer, ao fim de 12 meses, R$ 10.744. O mesmo valor aplicado em um fundo com taxa de administração de 2% pagaria mais ao investidor, totalizando R$ 10.808 em um ano. Já num fundo com taxa de 3% ao ano o ganho é menor - R$ 10.655 em 12 meses.

Desde agosto de 2013, quando a Selic chegou a 9% ao ano, os rendimentos das poupanças antiga e nova foram igualados. Com a Selic maior do que 8,5%, ambas as cadernetas rendem 0,50% ao mês (6,17% ao ano) mais a variação da Taxa Referencial (TR). Sobre o investimento em poupança não há incidência do Imposto de Renda.

Taxas. A competitividade dos fundos de renda fixa está atrelada à taxa de administração, que tem relação direta com o montante aplicado. Segundo Oliveira, pequenos investidores, que aplicam até R$ 5 mil, costumam obter taxas a partir de 2% ao ano. Já investidores de grande porte, que aplicam a partir de R$ 100 mil, conseguem taxas de 0,5% ao ano, por exemplo.

“Se o investidor quer maximizar o ganho, tem de ficar atento à taxa de administração”, diz Otto Nogami, professor de economia do Insper. Ele aponta, no entanto, que, à medida que a Selic aumenta, a renda fixa vai se tornando mais rentável em fundos com taxas maiores. 

Segundo a simulação da Anefac, o único caso em que a poupança é vantajosa em quaisquer prazos de resgate é em fundos com taxa de administração de 3% ao ano.

Para Oliveira, com a indicação da nova equipe econômica de um aperto monetário para equilibrar a economia e controlar a inflação, o investidor deve optar por fundos e títulos pós-fixados. “O investidor que quiser aproveitar a tendência de alta deve apostar nos pós-fixados, como nos fundos DI”, diz. Já o professor Nogami vê a situação com mais cautela. “O futuro ainda é muito incerto, não sabemos se a alta de juros vai continuar”, diz. “Uma boa opção são os títulos públicos atrelados à inflação.”

A renda fixa fechou o ano de 2014 com rendimento de 8,91%. Já a poupança avançou 7,02% , e teve captação líquida 66%, menor do que em 2013.

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