Marcos Santos/USP Imagens
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Com Selic achatada, investidor terá de se familiarizar com o risco

BC cortou Selic em 0,25 ponto porcentual e sinalizou chance de novo corte em maio; Tesouro Selic, CDBs e fundos DI passam a ter os seus rendimentos colados aos da caderneta de poupança

Anna Carolina Papp, O Estado de S.Paulo

21 Março 2018 | 20h08

A nova queda da taxa de juros, que nesta quarta-feira desceu mais um degrau – de 6,75% para 6,50% ao ano, pode ser o empurrão que faltava para chacoalhar de vez o investidor que ainda hesita em se aventurar por aplicações um pouco mais arrojadas. O declínio da Selic ao longo do último um ano e meio esmagou rentabilidade de boa parte da renda fixa – refúgio do conservador investidor brasileiro.

Produtos que antes eram sinônimo de ganho fácil, como Tesouro Selic, CDBs e fundos DI, agora praticamente se igualam ou até perdem para a poupança, instigando até os mais cautelosos a dar os primeiros passos na renda variável.

Nesta quarta-feira, 21, após a confirmação de uma inflação baixa, o Banco Central anunciou o 12º corte consecutivo dos juros básicos da economia. A taxa Selic caiu 0,25% ponto porcentual e passou de 6,75% para 6,5% ao ano, o menor nível desde sua criação em 1996. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, responsável pela decisão, também deixou aberta a possibilidade de um novo corte na próxima reunião, daqui a 45 dias, no dia 16 de maio.

Com a decisão, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os fundos de renda fixa só ganham da caderneta de poupança quando a taxa de administração é menor que 1% ao ano, seja qual for o prazo do resgate.

Nos fundos com custos de 1,5% ao ano, a poupança só perde em resgates após dois anos. A poupança agora sai na frente desses produtos pois é isenta de Imposto de Renda (IR).

De acordo com cálculos do professor de finanças da FIA Alexandre Cabral, descontado o IR, uma aplicação de R$ 1 mil num CDB de um banco de grande porte que rende 85% do CDI (taxa que anda de mãos dadas com a Selic) ou num fundo DI com taxa de 1% pagaria, em um ano e meio, R$ 1.044 – ligeiramente abaixo da poupança. A prateleira dos investimentos mais conservadores só fica mais interessante ao se olhar produtos de bancos menores – que, por apresentarem mais risco, oferecem um ganho maior, com rendimento acima de 100% do CDI.

“O ideal é procurar fundos com taxas de até 1%, mas isso é extremamente difícil para o pequeno investidor, que tem pouco capital”, observa Juliana Inhasz, professora de finanças do Insper. Quem procura boas oportunidades deve olhar para bancos menores ou ir para investimentos mais arriscados.”

Hora do risco. O achatamento dos ganhos da renda fixa, aliado ao bom desempenho da Bolsa, motivou o investidor a dar o pontapé na renda variável. “Esse movimento deve se intensificar porque os juros devem ficar nesse patamar por pelo menos um ano e, quando voltar a subir, não serão mais tão altos”, avalia Martin Iglesias, especialista em investimentos do Itaú-Unibanco.

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Ele ressalta que a renda fixa continua sendo importante para a composição do portfólio, em maior ou menor grau a depender do perfil – sobretudo para a reserva de emergência, que pede produtos de maior liquidez. Porém, Iglesias diz que, inevitavelmente, o investidor terá de se familiarizar com produtos de maior risco. “Temos uma visão muito positiva para o mercado de ações, vinculado ao crescimento do consumo e à redução do custo financeiro das empresas”, diz. “Quem não tem muita experiência pode começar com fundos de ações ou multimercados, que tiveram crescimento expressivo no ano passado”, afirma. 

Ele observa que, em meio a incertezas de ano eleitoral, é ainda mais importante diversificar o portfólio. “Uma carteira diversificada vai conseguir capturar esse movimento positivo e as boas oportunidades do mercado, mas também proteger da volatilidade”, diz Iglesias.

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