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Com volatilidade, não é momento de vender títulos

Não estamos em momento de dar ordem de venda de determinado título somente por causa da alta volatilidade dos mercados trazidos pelo novo coronavírus. Nessa situação, temos que ser mais frios e manter posição, se for possível

Fabio Gallo, O Estado de S. Paulo

09 de março de 2020 | 05h00

Atualmente, 30% de meus investimentos estão em renda variável, entre ações, fundos imobiliários e debêntures. O restante está em títulos do Tesouro IPCA 2024 e Tesouro IPCA 2026. Devo mudar algo, diante do novo cenário de juros?

A princípio, trata-se de uma carteira mais conservadora para o nível de juros de nosso mercado e qualquer nova composição de seus investimentos deve ser feita à luz de planejamento financeiro, com definição clara de seus objetivos. Uma ressalva a ser feita é que as debêntures são títulos de renda fixa, embora com mais risco de crédito do que o restante de sua carteira. Assim, você tem menos de 30% em renda variável. Outra observação é que os títulos do Tesouro são relativamente curtos. Caso você seja uma pessoa mais jovem, a sugestão é alongar o prazo da carteira e colocar um pouco mais de pimenta de risco para melhor temperar os ganhos. Por outro lado, se estiver mais perto da aposentadoria, o equilíbrio dos investimentos está adequado, mas busque conciliar melhor as aplicações do Tesouro ao prazo para sua aposentadoria. Outra dica: invista em ações de empresas boas pagadoras de dividendos. Temos de investir de acordo com nosso planejamento financeiro, pensando no prazo de nossos objetivos. Não estamos em momento de dar ordem de venda de determinado título somente por causa da alta volatilidade dos mercados trazidos pelo novo coronavírus. Nessa situação, temos que ser mais frios na nossa decisão e manter posição, se for possível. 

Tenho um empréstimo como pessoa jurídica, tendo como garantia um seguro prestamista. Depois de pagar 16 parcelas, solicitei a liquidação do contrato e pedi o cancelamento do seguro prestamista PJ, mas o banco informou não ser possível. Além disso, fez o contrato em 37, e não em 36 meses, como eu queria, aumentando a taxa cobrada. Em seu site, a Susep informa que todo e qualquer seguro é passível de cancelamento. O que devo fazer?

Seu procedimento parece-me adequado, você não está satisfeito com o produto e procurou a instituição para garantir seus direitos. No site da Superintendência de Seguros Privados (Susep) fica claro que o seguro prestamista não pode ser utilizado como condicionante para aprovação de crédito ou efetivação do contrato relacionado à obrigação. Obviamente, o banco responde de pronto que esse seguro não pode ser cancelado porque é redutor de risco e traz receita adicional. Para nosso leitor entender melhor a questão, o seguro prestamista garante a quitação de uma operação de crédito no caso de morte, invalidez, desemprego involuntário ou perda de renda do segurado. Representa uma proteção financeira para o segurado, que terá sua dívida quitada em caso da ocorrência dos riscos previstos na apólice. A instituição financeira que concede o crédito usa o seguro prestamista como garantia de que a inadimplência será evitada nos casos previstos, podendo ocorrer a redução de taxas de juros em virtude do aumento do colateral. O caso particular aqui narrado deve ser analisado com cuidado porque há um contrato envolvido que deve ter cláusulas específicas tratando de garantias. A sugestão é aguardar a primeira resposta do banco e tentar um cancelamento consensual. Particularmente, em relação à previsão de cobertura de 37 meses que impôs alíquota adicional, deve ser discutida a revisão dos valores pagos. Caso a resposta do banco não seja satisfatória, procure a ouvidoria da instituição e abra uma reclamação na Susep. Se nada dar certo, avalie levar a questão à Justiça.

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