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Como calcular a reserva para aposentadoria

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Fabio Gallo, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2018 | 05h00

Estou próximo à aposentadoria e temo que os meus investimentos não sobrevivam a crises financeiras. Quais dicas para me proteger?

Esse é um medo comum e perfeitamente compreensível. Não é somente o brasileiro que tem essa preocupação. A Forbes trouxe um artigo recentemente sobre esse assunto. Os americanos e europeus sentiram muito nesta última década porque muitas poupanças foram aniquiladas devido à crise financeira mundial. Por aqui, sentimos também, mas com o agravante de que a nossa capacidade e propensão a poupar para aposentadoria são menores. A primeira dica é você estabelecer como quer viver como aposentado. Assim calculando quanto será o capital necessário para poder manter o estilo de vida desejado. O interessante a ser observado é que as pessoas que se dizem com alto grau de bem-estar na aposentadoria não são aquelas que conseguiram riqueza, mas sim os aposentados que vivem de acordo com o que planejaram viver nesse período da vida. Para conquistar essa condição, você deve se preparar antes de se aposentar, reduzindo gastos, saindo de dívidas, intensificando investimentos, vivendo mais modestamente. Nós gastamos muito dinheiro em compras desnecessárias, consumindo por puro prazer, deixando de lado a poupança. Outro fato é que nós, como investidores, na média, não obtemos sequer a rentabilidade do benchmark de mercado. Depois que o valor de despesas quando aposentado estiver estimado, você deve criar um fundo de reserva que mantenha de três a cinco anos o valor anual dos seus gastos. Essa carteira deve ser mantida em títulos do Tesouro ou com muito baixo risco, mesmo sabendo que a rentabilidade seja baixa. Caso haja mais tempo para formar essa carteira, mais risco poderá ser corrido para buscar maior retorno.

Somos um casal de idosos e temos um apartamento alugado por R$ 2 mil. O inquilino fez uma oferta por R$ 400 mil e não temos outros investimentos. Estamos dispostos a vender, mas há a dúvida se devemos comprar outro imóvel ou aplicar o dinheiro?

Neste momento de vida do casal seria mais indicado aplicar o dinheiro em vez de comprar novo imóvel. Explicando melhor: uma das principais razões para a indicação de venda do bem é porque vocês não têm outra poupança que traga rendimentos para ajudar na aposentadoria nem estão preparados para uma emergência ou, mesmo, para aproveitar melhor este período da vida. Manter o imóvel significa ter recursos de difícil liquidez. Para um casal no início da vida, a questão poderia ser respondida de outra forma. Por outro lado, hoje a renda gerada pelo aluguel do imóvel representa 0,5% ao mês, em termos brutos, porque ainda há o imposto de renda. No entanto, outros custos devem ser considerados, como a depreciação do imóvel, o custo de capital do dinheiro investido, despesas de reforma do imóvel, além de potenciais gastos oriundos de falta de pagamento, período de não locação e reformas necessárias para novas locações. A dica é buscar investir em ativos financeiros com liquidez e de baixo custo operacional. O valor disponível permite avaliar os fundos de renda fixa, mas que tenham taxa de administração muito baixa. Pode, também, ser composta uma carteira aplicando um pequeno capital em caderneta de poupança para emergências, outro tanto em um fundo e uma parte em uma LCI ou LCA para buscar um pouco mais de rentabilidade. Pode ser considerado também aplicar certo valor em Tesouro Direto.

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