Como investir em ações em cinco passos

Como investir em ações em cinco passos

Investimento em bolsa possui mais riscos, mas os retornos podem compensar

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

01 de outubro de 2014 | 07h00


O terceiro artigo da série "Como investir", sobre os primeiros passos para quem deseja começar a investir, é dedicado ao mercado de ações, um mecanismo que possui mais riscos, mas pode compensar pelo retorno.

Na segunda-feira, 29, o portal Economia & Negócios do Estado iniciou uma série de artigos sobre como começar a investir. O primeiro tema foi o investimento em renda fixa e o segundo, Tesouro Direto.

Diariamente, nas próximas três semanas, o internauta interessado a começar a guardar algum dinheiro para planejar o seu futuro terá informações sobre diferentes modalidades de investimentos. Os artigos foram preparados pelo consultor de finanças pessoais, colunista do Estado e da Rádio Estadão e professor de finanças da FGV, Fábio Gallo.

1º passo: Saber o que é uma ação

São títulos que representam o valor da fração em que é dividido o capital social de uma empresa. Por isso as empresas que emitem ações são denominadas Sociedade por Ações. O investidor em ações (acionista) é sócio da empresa e participa de todos os seus resultados, bons ou ruins.

Quais são os tipos de ação?

a) ordinárias: dão direito a voto nas decisões e participação nos lucros.

B) preferenciais: em geral, não dão direito a voto. O acionista tem prioridade no recebimento de dividendos, às vezes em porcentual maior que o recebido nas ordinárias.

Na Bolsa de Valores as ações também são conhecidas como:

A) Blue chips ou de 1ª linha: são as ações de grande liquidez, aquelas mais procuradas pelos investidores. São, em geral, as ações de grandes empresas, que têm excelente reputação no mercado.

B) 2ª linha: são as ações de menor liquidez, de empresas boas, mas com risco superior ao das blue chips.

C) 3ª linha: ações de pouca liquidez e grande nível de risco.

2º passo: Como ganhar dinheiro com ações?

Você pode ganhar de duas maneiras ao aplicar em ações:

a) Dividendos - Participação nos lucros obtidos pela empresa;

b) Ganho de Capital - A diferença entre o preço de compra e de venda. 

3º Passo: Como investir em ações?

Muitos gurus de mercado sempre citam uma máxima quando o assunto é investimento em ações: "Comprar na baixa e vender na alta".

Mas não é simples saber quando é a baixa e quando é a alta. O momento exato de comprar ou vender uma ação é muito difícil de ser encontrado, mesmo para os especialistas.

Para decidir-se sobre quais ações comprar você deve analisar sua perspectiva sobre o investimento que está sendo realizado, ou seja, qual a sua intenção e horizonte de tempo com relação ao investimento em ações.

Se a sua perspectiva for de longo prazo e o seu interesse seja obter um fluxo constante de recebimentos, como dividendos, o mais indicado costuma ser a ação preferencial.

Por outro lado, a ação ordinária é mais indicada quando o objetivo do investimento é o de obtenção de ganhos de capital, ou seja, obter retorno advindo da valorização da ação para realizar ganhos na venda.

O mais importante é entender que quem compra uma ação vai ganhar ou perder conforme o desempenho futuro da empresa. Logo, está comprando “expectativas” e não o seu desempenho passado. O que a ação realizou de ganhos no passado pode não se repetir.

Uma pergunta muito importante que deve ser feita quando do investimento em ações é: devo investir o meu dinheiro em ações de forma direta ou fazê-lo por meio de um fundo de ações?

O investimento direto depende do nível de conhecimento, disponibilidade, grau de riqueza e até mesmo sorte do investidor.

Quando comprar: o mais adequado é estabelecer uma estratégia e comprar as ações dentro do estabelecido. Por exemplo: comprar ações de empresas com visão de longo prazo e não se deixar levar por momentos de euforia de mercado.

Quando vender: uma estratégia interessante para poder aproveitar bem as oportunidades é lançar mão da ordem do Stop. Este tipo de estratégia permite aproveitar os possíveis ganhos e estabelecer um patamar máximo de perda em determinada ação.

Por exemplo: uma ação comprada por R$ 100 pode ser estabelecido que o limite de perda seria de 5%. Assim, podemos dar a ordem de Stop ao seu corretor para que ele venda a ação, sem consultá-lo, quando o preço dela atingir R$ 95. 

No caso de alta de preços, a ordem de Stop poderá ser alterada para um valor mais alto. Sendo que a ordem pode ser alterada para cima conforme os preços da ação forem subindo. Assim, a ação será vendida rapidamente quando o preço cair e os ganhos serão realizados enquanto seu preço estiver em alta. Este é o segredo para aumentar os ganhos e diminuir os prejuízos.

4º passo: Diversificar

Diversificação significa investir em ações de várias empresas de setores distintos de maneira a ser obtido o retorno médio ponderado com grau de risco relativamente menor.

Uma carteira para ser dita bem diversificada precisa ter um mínimo de ações. Alguns estudos mostram que devemos ter, no mínimo, 15 ações na carteira. 

5º Passo: Quais os custos e tributos?

Quando se negocia ações, devem-se considerar alguns custos:

a) Corretagem

É a taxa cobrada pelas corretoras para realizar a compra ou venda de ações. Seu valor é livre. Vale a pena a pesquisa entre as corretoras, mas considere que na compra de ações através da internet esse valor tende a ser bem menor.

b) Custódia

O valor cobrado pelas instituições pelo serviço prestado para a guarda de títulos e de administração do exercício de direitos, tais como dividendos, bonificações, subscrições, etc.

c) Outros

São alguns valores cobrados pela BM&FBOVESPA para a realização de negócios em seu ambiente. As pessoas físicas e demais investidores tem como custos:

Emolumentos: 0,0050% 

Liquidação: 0,0275% 

Total: 0,0325%

d) Tributação do investimento em ações

Isenções: São isentos do imposto de renda os ganhos líquidos realizados por pessoa física em operações efetuadas com ações, no mercado à vista de bolsas de valores, se o total das alienações realizadas no mês não exceder a R$ 20.000,00.

Como calcular o imposto: é devido sobre o ganho líquido apurado mês a mês nas operações realizadas.

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