Como investir em COEs, os Certificados de Operações Estruturadas

COEs são emitidos por bancos desde janeiro de 2014; por enquanto, só clientes das instituições podem adquirir o produto

Mariana Congo, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2014 | 05h00

Os Certificados de Operações Estruturadas (COEs) chegaram ao mercado em janeiro de 2014. Esse tipo de título une características da renda fixa e da variável e tem atraído a atenção de investidores de alta renda.

Saiba como investir em COEs:

1) O que são os COEs

Os Certificados de Operações Estruturadas foram criados no Brasil pela Lei 12.249, de 2010, a mesma que dispõe sobre a criação das Letras Financeiras. Mas os COEs só foram regulamentados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em setembro de 2013.

As primeiras emissões foram realizadas em 6 de janeiro de 2014. Os COEs são inspirados nas notas estruturadas, populares na Europa e nos Estados Unidos.

2) Quem pode investir

Por enquanto, os COEs só estão disponíveis para clientes de alta renda dos bancos emissores.

O mercado aguarda, para 2015, a adequação do COE à instrução número 400 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que permitirá sua oferta pública, ou seja, a distribuição com intermédio de corretoras de valores. Isso ajudaria esse mercado a crescer.

3) Perfil do investidor (suitability)

Antes de emitir um COE para um cliente, o banco é obrigado a analisar os critérios de suitability (adequação) do investidor. Isso representa uma detalhada análise de perfil e de apetite ao risco do investidor. Como o COE é um produto arriscado que, em alguns casos, pode envolver perda de dinheiro, esse processo de análise precisa ser feito com cautela.

4) Investimento mínimo

Existem aplicações no mercado a partir de R$ 15 mil (Santander), R$ 20 mil (Bradesco), R$ 50 mil (Citibank) e R$ 100 mil (Itaú).

5) Bancos emissores

Segundo a Cetip, a central de registro de ativos e títulos, atualmente 13 bancos emitem COEs. Em função de sigilo bancário, nem todos os bancos permitem que seus nomes sejam divulgados pela Cetip.

Alguns bancos emissores de COEs:

-Bradesco

-Citibank

-Itaú

-Safra

-Santander

6) Rentabilidade

Os COEs unem características de renda fixa e variável. Como funciona? Ao criar um COE, o banco estrutura um cenário futuro para o desempenho de um ativo ou indexador - como câmbio, inflação, grupos de ações, índices de ações.

Por exemplo: após um ano, o dólar terá subido ou caído? A partir da análise do cenário econômico, as apostas sãos feitas. O investidor pode apostar na alta ou na baixa do ativo. Se no vencimento do título o cenário de aposta do investidor for concretizado, ele recebe uma rentabilidade atrelada ao ativo ou indexador de referência.

7) Tipos de ativos ou indexadores

Os COEs usam como referência classes de ativos ou indexadores.

Exemplos:

-câmbio

-juros

-inflação

-ações (nacionais ou internacionais)

-índices de ações (nacionais ou internacionais)

Para o investidor, uma das vantagens do COE é permitir o acesso a operações financeiras mais complexas e arriscadas - inclusive no mercado externo -, mas com a possibilidade de garantia e proteção de capital.

8) Capital de risco X Capital protegido

Existem duas modalidades de COEs.

a) Capital em risco: o investidor pode perder parte ou o total do dinheiro aplicado. Depende do contrato. A perda ocorrerá quando a aposta no cenário definido não tiver se concretizado na data de vencimento do título.

b) Capital garantido: quando o cenário no qual o investidor apostou não se concretizar, ele tem pelo menos a garantia de retorno do valor principal aplicado, minimizando o risco.

Quanto maior a possibilidade de retorno financeiro, maior o risco envolvido.

9) Prazos de vencimento

Geralmente o vencimento do COE está atrelado à característica do ativo ou indexador de referência.

Existem COEs com vencimento em 90 dias. Outros até dois anos ou mais. Câmbio, ações e juros geralmente têm prazos menores. Inflação, por exemplo, maiores.

10) Tributação

Os COEs são tributados como renda fixa. Seguem a tabela regressiva do Imposto de Renda (IR), de acordo com o prazo da aplicação:

- 22,5% para aplicações com prazo de até 180 dias;

- 20,0% para aplicações com prazo de 181 até 360 dias;

- 17,5% para aplicações com prazo de 361 até 720 dias;

- 15,0% para aplicações com prazo acima de 720 dias.

Mais conteúdo sobre:
coesinvestimento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.