Comprar ação só porque está barata não é bom

Investimento em Bolsa de Valores continua sendo uma modalidade para quem tem apetite a risco

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2018 | 05h00

Li que, devido à greve dos caminhoneiros, a Bolsa teve em maio o pior mês desde setembro de 2014. Significa que é o momento de investir em ações?

Cuidado, em tempos de fortes ventos não é momento para agir sem cautela. O tombo pode ser grande. Sempre que a Bolsa cai muito e as ações ficam baratas há um forte estímulo para as compras. E, realmente, fica tentador. Mas isso não significa que o mercado ficou mais simples e tranquilo para investir e qualquer um pode entrar sem uma estratégia bem definida. Ao contrário, quando o mercado está muito volátil, é quando devem ser seguidas as recomendações básicas do investimento: planejamento, dedicação e conhecimento de mercado.

Primeiro pense no seu perfil de investidor. Caso você não durma a qualquer sinal de perda de dinheiro, renda variável não deve ser sua praia. Ações são para investidores que têm apetite a risco. A renda variável deve ser parte de sua carteira e não resumir seus investimentos a isso.

Defina bem seus objetivos e prazos de investimento. Com base neles, estruture sua carteira, determinando quanto está disposto a aplicar em renda variável. Nessa divisão, determine qual a classe de ativos, como ações, fundos, derivativos e câmbio. Depois, determine quais ativos deseja investir.

Comprar só porque a ação está barata pode ser uma roubada. Ela está nesse nível de preços porque o mercado caiu ou pode ser que os agentes de mercado mais experientes estão vendo que esse título não vai trazer retorno algum. Em outros termos, a ação está barata porque é uma porcaria mesmo. Usualmente, a recomendação em momentos de mercado muito instáveis é de que quem está nele resista até um momento melhor para sair da posição e quem está fora, fique fora. 

Como posso reduzir riscos de investimento em criptomoedas?

A forma básica de redução de riscos é a estratégia de investimentos conhecida como “buying and holding”, que significa simplesmente comprar e reter por certo prazo o ativo. A essa estratégia é indicado associar outra bem conhecida no mercado que é a “stop loss”, que funciona assim: você estabelece o máximo de perda suportável. Por exemplo, você compra o ativo a R$ 100 e na mesma hora dá ordem de venda automática caso caia a R$ 95. Se isto ocorrer, acabou a festa, mas sua perda estava preestabelecida. Caso os preços subam, por exemplo para R$ 120, você mantém posição, mas altera a ordem de venda caso caia para R$ 110. Assim você poderá maximizar lucros e delimitar perdas.

A estratégia para redução de riscos é buscar proteção em posições contrárias a atual no mesmo ativo ou em outros, o chamado hedge. Por exemplo: tenho uma viagem marcada para os Estados Unidos e estou com medo de que o dólar suba muito em nosso mercado. Caso o real se desvalorize e, portanto, o dólar fique muito caro, coloco em risco a viagem.

Para buscar proteção posso comprar dólares à vista e usar na viagem, assim ficarei protegido da volatilidade da moeda. Outra alternativa é aplicar o equivalente que pretendo gastar em fundos cambiais – caso o dólar suba muito vou ter ganhos que irão compensar a desvalorização do real. Há outras estratégias para os mais diferentes ativos. O problema é que, no caso das criptomoedas, as alternativas de hedge são escassas. Existe, desde dezembro de 2017, os contratos de futuros de Bitcoin no CBOE (Chicago Board Options Exchange) que podem ser usados para hedging de seu investimento em moedas virtuais. Mas esse mercado não é para amadores.

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