Nilton Fukuda/Estadão
Eduardo Topedo trocou a conta corrente tradicional por contas digitais. Nilton Fukuda/Estadão

Contas digitais podem ser até 50% mais baratas que as tradicionais

Modalidade tem menos taxas, com pacote de serviço menor; opção é boa para quem faz pouca movimentação

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2019 | 21h15

Sem tarifa mensal e sem exigir que o cliente se desloque até uma agência nem mesmo para abrir a conta corrente, as contas digitais têm ganhado espaço no mercado brasileiro. Com taxas mais baixas para serviços que não estão no pacote contratado, grandes e pequenos bancos também aumentaram a competição para atrair clientes dessa categoria que antes eram fisgados inicialmente por fintechs, as startups do setor financeiro. Embora a cesta de serviços, em geral, seja reduzida, os direitos desses clientes são os mesmos dos que possuem contas tradicionais.

Para quem faz poucas transações, a vantagem financeira é clara: as contas digitais podem sair por até metade do preço das tradicionais, de acordo com levantamento feito pelo professor Joelson Sampaio, coordenador do curso de Economia da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo (EESP/FGV).

Em média, o cliente de contas tradicionais paga R$ 180 por ano apenas para manter a conta corrente funcionando, sem contar as taxas cobradas quando se extrapola a lista de operações do pacote mensal. Na conta tradicional, além da tarifa média de R$ 15 por mês, as instituições financeiras costumam cobrar um valor médio de R$ 7 por operação para fazer mais de cinco transferências bancárias no período.

As contas digitais, em geral, não cobram tarifa de manutenção, mas têm um limite menor para transações gratuitas, que varia de instituição para instituição e fica na média de dois saques e duas transferências no mês, de acordo com Sampaio, da FGV. Quando se extrapola essa média, o cliente paga em torno de R$ 6 em saques adicionais e R$ 3 para DOCs e TEDs extras.

A popularidade das movimentações online pode ser notada na quantidade de contas correntes, digitais ou tradicionais, que foram abertas por meios eletrônicos. De acordo com dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), foram abertas pelo celular 2,5 milhões de contas em 2018 ante 1,6 milhão no ano anterior. Pelo computador, foram abertas 434 mil contas no ano passado, bem acima das 26 mil de 2017.

Contas de pagamento

Da mesma forma que as contas tradicionais, a digital é regulada pelo Banco Central – a diferença fica no tamanho da cesta de serviços oferecida aos clientes.

As regras são diferentes, porém, para as contas de pagamentos de fintechs que não têm autorização para fazer negociações com o dinheiro dos clientes. Essas instituições não podem, por exemplo, emprestar para outros bancos ou fazer investimentos para obter lucro. O BC determina que elas mantenham os depósitos separados de outros ativos da empresa, podendo apenas aplicá-los em títulos do governo.

Para o cliente, o importante é ficar atento aos detalhes do produto: algumas dessas contas já foram desenvolvidas para o uso do cartão de débito, saques e transferências para outros bancos. Outras ainda não comportam todos esses serviços.

Exemplo de conta de pagamento, a NuConta, da Nubank, tem a função de débito desde dezembro. A fintech tem mais de 4,8 milhões de clientes no Brasil – desde que ganhou esse novo serviço, mais de 2 milhões de pessoas aderiram à NuConta. Do total de 1,2 milhão de pessoas que pediram acesso à nova funcionalidade, 900 mil já receberam o convite para utilizá-la.

Eduardo Topedo, produtor musical e de eventos, deixou de usar o sistema bancário tradicional quando abriu uma conta digital na Neon Pagamentos. “Comecei a usá-lo como banco principal. O aplicativo era melhor, não pagava tarifa nem transferências”, explica. 

Hoje, ele também é cliente na Nubank. “No início, usava essa segunda conta para guardar dinheiro porque rendia mais. Agora, faço a maior parte das movimentações por lá, mas mantenho o cartão de débito da Neon para compras online.” Para não pagar tarifa nenhuma, Topedo transformou em conta poupança a conta em um grande banco pela qual recebe seu salário: todo mês transfere o ordenado para as contas digitais onde faz as movimentações.

Proteção do cliente

“Não tem por que pensar que alguém que tem conta em fintechs precisa de uma conta normal”, afirma o professor Eduardo Coutinho, do Ibmec de Minas Gerais, uma vez que os produtos têm sido desenvolvidos para as principais transações de que os usuários necessitam.

Em relação às contas digitais, a vantagem é que a segurança dessa modalidade é a mesma das contas tradicionais em grandes bancos: os depósitos de até R$ 250 mil, sejam eles em grandes ou pequenos bancos, são protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), entidade privada, sem fins lucrativos, que administra o mecanismo de proteção aos depositantes e investidores no Sistema Financeiro Nacional. O FGC, porém, não garante contas vinculadas somente a instituições de pagamento, como são algumas fintechs.

Na mesma linha, o professor Joelson Sampaio afirma: “O risco de instituições menores quebrarem é maior, pois o impacto da falência de instituições maiores, em geral, é prevenida até pelo próprio governo. Mas a garantia do FGC é a mesma”.

Ainda assim, há quem prefira continuar correntista de um grande banco e ter a conta de pagamento como complemento. Bruno Romano, profissional de marketing, foi um dos escolhidos para testar a NuConta. Ele faz a maior parte das movimentações pela fintech, mas mantém uma conta corrente com tarifa mensal de R$ 30, pelos benefícios que o banco oferece. “Tenho sala de embarque preferencial, seguro viagem e sistema de pontos no cartão. Por isso, prefiro manter, apesar de não fazer muitas transações por lá”, conta.

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Em busca de cliente, banco médio oferece ganho maior na renda fixa

Em instituições de menor porte, rendimento do CDB pode ser até 28,9% maior que nos cinco maiores bancos do País

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2019 | 04h00

Na hora de escolher um investimento em renda fixa, bancos médios, digitais ou mesmo algumas fintechs podem ser opção mais rentável do que instituições tradicionais. Levantamento feito pelo buscador de investimentos Yubb mostra que o rendimento do CDB chega a 28,9% a mais nos bancos médios do que nas cinco maiores instituições do País, considerando opções de liquidez diária.

Há ainda a possibilidade de começar a investir com menos dinheiro. Aportes iniciais em bancos tradicionais ficam na média em R$ 1 mil. Em novos players é possível investir em um CDB com qualquer valor a partir de R$ 1.

Bancos médios ficam na liderança de rendimentos em relação aos grandes em todas as faixas de valor investido. Em valores de até R$ 1 mil, a rentabilidade é em média 29,51% maior que nas instituições de grande porte; de R$ 1.001 a R$ 10 mil, essa porcentagem é de 23,12%; e de R$ 10.001 mil a R$ 50 mil, de 16,03%.

De acordo com Thiago Brehmer, líder de serviços financeiros da Grant Thornton Brasil, empresas mais jovens têm, com sua linguagem e modelo de negócios focado em tecnologia, a possibilidade de alcançar um público diferente dos grandes bancos. “Alguns deles falam muito em ‘desbancarização’, mas no fim o que proporcionam é um maior acesso ao mercado financeiro. ‘Bancarizam’ mais pessoas por serem mais acessíveis e ágeis”, explica.

Para o especialista, não há, necessariamente, uma ameaça às instituições tradicionais em virtude da rentabilidade dos bancos menores, já que, por sua estabilidade, os grandes bancos podem proporcionar outros benefícios, como investimentos diferenciados para clientes de maior poder aquisitivo.

O professor Michael Viriato, do Insper, explica que a oferta mais agressiva das novas empresas é possível graças às condições em que se encontram. Com estrutura já montada, mas sem carteira de clientes estabelecida, elas têm de aumentar seu alcance. Em contrapartida, bancos maiores, com carteira de clientes sólida, avaliam mais os custos de operação ao criar produtos de investimento. 

“Toda aplicação tem um custo para armazenar informações e registros. Ao aceitar aportes menores e com maior rentabilidade, os bancos arcam com esses custos. No caso de instituições mais jovens, o custo da estrutura já existe, logo, compensa preencher essa ociosidade com menor lucro. São como um avião voando vazio”, diz Viriato.

Quando se fala da segurança dos clientes em confiar seu dinheiro às instituições mais novas outras questões entram em jogo. O fato de bancos tradicionais contarem com a vantagem de serem “muito grandes para quebrar” faz com que clientes prefiram ter uma rentabilidade menor, em troca da sensação de tranquilidade de não perder seus recursos.

Para Brehmer, o primeiro passo para quem deseja a lucratividade de bancos menores com segurança é fugir de produtos que não sejam cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito, que garante depósitos de até R$ 250 mil por emissor. Letras de crédito privado, como debêntures de empresas, são exemplos de renda fixa que não têm essa proteção. Nesse sentido, valeria mais a pena concentrar investimentos em CDBs e RDBs, diz o especialista.

“Muitas vezes quem oferece a segurança ou o risco é o próprio produto e não a instituição pela qual você investe. Quando se trata de fundos, por exemplo, o mesmo produto pode ser vendido em instituições diferentes, portanto, a segurança da aplicação será a mesma em um grande ou médio banco e em bancos digitais”, diz Viriato.

Outra dica frequente de especialistas é não deixar toda a sua reserva financeira em uma instituição só, assim, no caso de uma delas quebrar, o cliente não perderá a liquidez de todos os seus recursos.

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